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É melhor casar ou morar junto?

É melhor casar ou morar junto?



Sabe quando já não faz mais sentido cada um no seu canto, mas vocês não sabem bem o que fazer? Morar juntos ou casar? Nos dias de hoje, a dúvida pode soar um tanto quanto careta, mas entender bem a diferença entre as situações pode ajudar você a não cair em uma enrascada.


"Na prática, não há diferença entre estar casado e morar junto. Mas algumas pessoas podem não se sentir casadas quando apenas moram juntos, e isso fica no inconsciente", comenta a psicóloga Marina Vasconcellos. O importante é que os dois estejam cientes e satisfeitos com a situação, independentemente se moram juntos ou se houve a troca de alianças.


Segundo a terapeuta sexual Cláudya Toledo, a mulher tende a se sentir menos amada quando não há um marco que sele a união. "A mulher se sente amada quando é pedida em casamento e isso faz com que ela tenha mais facilidade para engravidar e para se sentir à vontade com a relação. Ela fica mais segura", conta.


Cláudya comenta ainda que a mulher pode sentir dúvida sobre as intenções do homem quando não há um marco de início da relação. "O casamento não é um papel, não é somente aquela idéia tradicional de noiva e união civil. Ele é uma união que tem que ser clara, com um marco de inicial. Aí o casal pode organizar suas vidas juntos, sem dúvidas".


A publicitária Juliana Gontad, 26 anos, mora com o namorado Rogério Mendes, 33 anos, a pouco mais de um ano. O casal, que está junto há seis anos, resolveu unir as "trouxas" depois de uma conversa a dois. "Tudo melhorou. A cumplicidade aumenta muito, o que torna a relação mais intensa", comenta Juliana. Para ela, não há diferença de comprometimento entre morar junto e casamento. "Talvez um dia a gente efetive a união por motivos burocráticos, dizem que em algumas situações é vantagem estar casado no papel. Mas seria só por isso", completa.


Ao contrário de Juliana, alguns casais não conseguem encontrar uma sintonia quando não há uma união efetiva. Segundo Cláudya, quando as duas partes não se sentem verdadeiramente entregues na relação, alguns probleminhas podem surgir. O homem, por exemplo, tende a não planejar sua vida com aquela parceira - o que resulta em uma não tão bem sucedida carreira profissional, já que ele não se vê como o "homem da casa". "Já a mulher não consegue investir tanta energia nesse parceiro. Ela pode se negar a ir a uma festa da empresa dele, por exemplo, por não se sentir a esposa", complementa.


Adepta do estilo mais tradicional, a fisioterapeuta Mônica Medeiros Silva Reina, 30 anos, achou que o melhor seria se o casamento fosse oficializado e as alianças trocadas. "Quando não há compromisso oficializado, o casal se separa com mais facilidade em momentos de briga. É mais fácil abrir mão e voltar para a casa dos pais", explica.


Casada há três anos com o fisioterapeuta Leandro de Souza Reina, 30 anos, ela também passou pela experiência de dividir o mesmo teto sem compromisso. "Foram três anos de ‘panos de bunda juntos’", brinca. Se a experiência foi válida? "O relacionamento ficou mais sério, mas só não nos casamos antes por falta de dinheiro. Mesmo porque, esse sempre foi nosso desejo".


Para quem se sente incomodada em apenas morar junto e sonha com um casamento, tradicional ou não, vale a dica da terapeuta Cláudya. "Se o morar junto for um teste para descobrir se o casal dá certo, coloque um limite de tempo para isso. Mas é importante frisar que para a mulher é bastante dolorido o fato de estar ‘sendo testada’. Isso pode causar uma angustia que acaba deixando-a menos amorosa no relacionamento", finaliza.


Matéria publicada no Portal Terra.



Claudia Cardamone* comenta


Casar ou morar juntos?


"A não ser o que procede de Deus, nada é imutável no mundo. Tudo o que procede do homem está sujeito a mudanças. As leis da natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países; as leis humanas, porém, modificam-se segundo os tempos, os lugares, e o desenvolvimento intelectual. No casamento, o que é de ordem divina é a união conjugal, para que se opere a renovação dos seres que morrem. Mas as condições que regulam essa união são de tal maneira humanas, que não há em todo o mundo, e mesmo na cristandade, dois países em que elas sejam absolutamente iguais, e não há mesmo um só em que elas não tenham sofrido modificações através dos tempos. Resulta desse fato que, perante a lei civil, o que é legítimo num país e em certa época, torna-se adultério noutro país e noutro tempo. Isso porque a lei civil tem por fim regular os interesses familiais, e esses interesses variam segundo os costumes e as necessidades locais. É assim, por exemplo, que em certos países o casamento religioso é o único legítimo, enquanto em outros o casamento civil é suficiente." O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec.


O importante realmente é a união conjugal, a forma como ela irá ocorrer é uma escolha nossa, dependendo da época e do lugar onde reencarnamos. Hoje em dia, muito casais optam por morarem juntos apenas, e os motivos são os mais variados possíveis. Alguns, psicologicamente, não querem assumir compromissos, desta forma não assumem papéis de esposo ou esposa; outros, inseguros e desacreditados no amor, já planejam a melhor forma de realizar a separação, de forma rápida e o menos dolorosa possível, são como aqueles que vão ao cinema e logo querem saber onde é a saída; há aqueles que o fazem, porque acreditam que casar é muito caro, não conseguem dissociar a união do cerimonial religioso; outros, desumanamente, o fazem para testar o companheiro ou companheira, como o fariam num test drive; mas há um grupo de pessoas que decide apenas morar junto, porque o sentimento que envolve e alicerça a relação é seu aspecto mais importante; o papel, a cerimônia, as convenções sociais, tudo isso pode ser feito ou não, pouco lhes importa, o essencial é estarem unidos, constituírem uma família e se dedicarem uns aos outros o máximo possível.


Todo movimento existente faz parte de um progresso universal, que muitas vezes nos escapam da compreensão. Se todo movimento é progressivo, como compreender o progresso existente nestas mudanças de nossos costumes quanto às uniões conjugais? A resposta pode ser encontrada na Revista Espírita:


"Toda lei, no momento em que é feita, tem sua razão de ser e sua utilidade, mas pode ser que, boa hoje, não o seja mais amanhã. No estado de nossos costumes, de nossas exigências sociais, o casamento tem necessidade de ser regulado pela lei, e a prova de que essa lei não é absoluta, é que ela não é a mesma em todos os países civilizados. É, pois, permitido pensar que, nos mundos superiores, onde não há mais os mesmos interesses materiais a salvaguardar, onde o mal não existe, quer dizer, de onde os maus Espíritos encarnados estão excluídos, onde, conseqüentemente, as uniões são o resultado da simpatia e não de um cálculo, as condições devem ser diferentes; mas o que é bom neles poderia ser mau em nós." Revista Espírita, 1862, Allan Kardec.


A Terra está em seu progresso natural a fim de tornar-se um mundo regenerador. Sendo um mundo de provas e expiações, a Terra serve de lugar de exílio para espíritos rebeldes à lei de Deus, estes precisam ser educados, precisam de normas e leis que sejam úteis a este fim. Um mundo regenerador serve de transição entre os mundos de expiação e os mundos felizes; nestes mundos, os espíritos ainda precisam aprender muito, mas já não possuem tanta rebeldia. Nestes mundos, não é necessário leis e normas tão rígidas.


É este o progresso que podemos ver no casamento. Nós estamos lentamente aprendendo que para uma união amorosa ocorrer não são necessárias leis, normas, convenções, cerimônias, que esta relação é uma união de dois espíritos com um objetivo em comum, vivenciando virtudes como a paciência, a tolerância, a indulgência, a caridade, etc, para esta união se fortalecer nos sentimentos de amor, respeito e fraternidade. Esta aprendizagem é lenta, e muitos cometerão erros, equívocos e desta forma aprenderão.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.