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Lazer é um "estado de espírito", diz presidente de organização mundial

Lazer é um "estado de espírito", diz presidente de organização mundial



AMARÍLIS LAGE
da Folha de S.Paulo


Imagine-se caminhando rumo ao trabalho ou sentado num escritório. Você definiria esses momentos como lazer? Pois, na avaliação do norte-americano Christopher Edginton, essas situações podem ser consideradas lazer. O segredo, diz, não está no local nem na quantidade de tempo livre - e sim no "estado de espírito".


Edginton preside a WLO (organização mundial do lazer, na sigla em inglês), órgão consultivo da ONU para questões relacionadas ao tema. Em entrevista à Folha, contou como aproveita o tempo quando não se dedica - profissionalmente - ao lazer: "Gosto de ficar com meus netos, ler, assistir a eventos esportivos e colecionar livros raros e antigüidades."


Folha - Qual é a sua definição de lazer? Fazer compras, ir à academia ou ver TV são atividades de lazer?


Christopher Edginton - Não existe consenso. Uma definição é a de "tempo livre": qualquer coisa que você faça no seu tempo livre é considerado lazer. Outra diz que lazer é o conjunto de atividades das quais você participa - isso inclui tudo o que você imaginar. Mas, numa terceira definição, o que faz com que essas atividades sejam ou não um lazer é o seu estado de espírito. Uma pessoa pode jogar basquete por lazer ou profissionalmente. É o estado de espírito que define. Isso significa que o lazer não precisa ocorrer em um local específico. A maior parte das experiências de lazer ocorre em situações curtas e casuais: caminhando ou conversando, por exemplo.


Folha - O senhor diz que o lazer tem poder transformador. Como fazer compras, por exemplo, pode ser transformador?


Edginton - Tudo que ocorre na vida de alguém tem um potencial de transformação. O lazer é um momento especial porque livra as pessoas de suas obrigações e lhes dá uma oportunidade de refletir, redefinir valores, aprender novas habilidades. Pense em lazer como liberdade - quando você é livre para escolher, para mudar a sua vida e seguir numa direção diferente.


Folha - A idéia de ter tempo livre costuma deixar algumas pessoas ansiosas. Por quê?


Edginton - Algumas pessoas têm essa ansiedade em relação ao lazer por não terem conhecimento ou condições - incluindo econômicas - de ter uma experiência de lazer satisfatória.


Folha - Como lidar com o lazer em locais muito pobres?


Edginton - Há duas estratégias. A primeira é ajudar as pessoas a redefinirem o que constitui uma experiência de lazer de qualidade. Nós pensamos que as únicas opções são as que requerem gasto financeiro, mas interagir com pessoas próximas pode ser um lazer. Isso não significa que não devam existir intervenções econômicas para prover o acesso ao lazer de uma forma que seja relevante. Nos EUA, isso levou à criação de parques, playgrounds e outros espaços de reunião.


Notícia publicada na Folha Online, em 8 de agosto de 2008.



Sergio Rodrigues* comenta


Gradativamente, a ciência terrena vai ratificando os ensinamentos espíritas, trazidos há 150 anos. Desde então, o Espiritismo ensina que o estado de felicidade ou sofrimento é manifestado pelo espírito e não pelos organismos físicos. Os órgãos que compõem o nosso corpo físico são instrumentos de manifestação do espírito nele encarnado e não a sede das sensações. A sensação de se estar fazendo algo prazeroso ou não depende das escolhas que o espírito faz ao se utilizar de seu livre-arbítrio.


Como se afirma na matéria, algo que para uns é prazeroso, para outros é sacrificante, dependendo do juízo de valor que o espírito faz a respeito. As coisas mais simples podem se constituir em importante fator de lazer, como o simples ato de caminhar. Por outro lado, situações mais difíceis de serem alcançadas podem não representar para a pessoa um momento de lazer, se não souber apreciá-las nem valorizá-las. E essa valorização ou não depende da evolução alcançada pelo espírito, que ditará seus gostos, hábitos e valores.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.