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Escrever sobre emoções pode aliviar dores de vítimas de câncer

Escrever sobre emoções pode aliviar dores de vítimas de câncer



da Reuters, em Nova York


Para alguns pacientes com câncer, colocar as emoções no papel pode ajudar a diminuir a dor e aumentar o bem-estar. É o que afirma um estudo do Tufts-New England Medical Center, em Boston (EUA), publicado no "Journal of Pain & Symptom Management".


Segundo a equipe liderada por Soledad Cepeda, escrever sobre a situação também auxilia as vítimas da doença a se conhecer e a entender melhor suas necessidades.


Os pesquisadores dividiram 234 pacientes de câncer aleatoriamente em três grupos: para um, foram solicitados relatos em texto; outro teve de responder a um questionário sobre dor e sintomas; e o último permaneceu apenas com o tratamento básico, sem perguntas ou textos. Todos eles sofriam de dores em níveis no mínimo moderados.


O primeiro grupo teve de escrever sobre como o câncer afetava suas vida durante 20 minutos por semana, por três semanas.


No início do estudo e uma vez por semana, durante oito semanas, todos os participantes preenchiam um questionário sobre seu bem-estar e classificavam seu nível de dor.


Em geral, os que fizeram relatos por escrito registrando suas emoções demonstraram sentir menos dor do que o restante. O mesmo efeito não foi registrado naqueles que escreveram textos, mas não externaram seus sentimentos.


O estudo sugere que a expressão das emoções pela escrita, especificamente, ajuda os pacientes a lidar com a dor. Mas também é possível, segundo os pesquisadores, que os pacientes mais graves tenham mais dificuldades em escrever sobre seus sentimentos.


Notícia publicada na Folha Online, em 21 de julho de 2008.



Carlos Miguel Pereira* comenta


Os mais poderosos fármacos não vêm embalados, não possuem receita médica, nem efeitos secundários. São valiosíssimos instrumentos que estão à disposição de todos para a promoção do seu crescimento, conhecimento e equilíbrio, mas que poucos utilizam de forma cuidada.


Escrever sobre o que sentimos é um recurso, mais poderoso do que imaginamos, para ultrapassar muitos dos problemas íntimos e perturbações que nos abalam. Leva-nos a admitir quem somos e não percebemos, liberta-nos dos medos, das mágoas e dos ressentimentos que nos prendem os movimentos e dos quais conhecemos muito pouco. Muitas vezes nem conseguimos explicar de onde é que eles vêm e como nasceram. Escrever ajuda a cimentar idéias e objetivos, porque colocar no papel as nossas emoções é desabafar e partilhar o nosso mundo.


Não é de estranhar que os pacientes que escrevem sobre as suas emoções revelem um maior bem-estar. Nós vivemos sem nos apercebermos de quem realmente somos, ignorando conscientemente os sentimentos que cultivamos, as emoções que emitimos, mentindo a nós mesmos e aos outros, modificando a nossa maneira de ser para tentar agradar a gregos e a troianos, impedindo que iniciemos a primeira fase do nosso trabalho de superação das dificuldades: o reconhecimento e aceitação da existência dessas adversidades e do que sentimos verdadeiramente em relação a elas. Porque só conseguimos enfrentar, ultrapassar e vencer aquilo que admitimos que existe.


Ao escrevermos sobre nós e o que sentimos, analisamos, meditamos e sobretudo pensamos na pessoa que somos e em que nos estamos a tornar. Ao ganharmos coragem para enfrentar a descoberta do nosso verdadeiro eu, ao colocarmos a lupa sobre nós mesmos, damos um passo de gigante na compreensão do que nos desassossega e do que precisamos fazer para vencer essa perturbação. Se ignorarmos ou sobrevalorizarmos as nossas fragilidades, mantemo-nos inseguros e perturbados, mas à medida que formos tomando consciência dos nossos sentimentos e emoções, à medida que os formos aceitando como naturais, tornamo-nos mais fortes, preparados e confiantes para enfrentar e ultrapassar essas e outras adversidades.


* Carlos Miguel Pereira trabalha na área de informática e é morador da cidade do Porto, em Portugal. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Caridade por Amor (CECA), na cidade do Porto, e colaborador regular do Espiritismo.net.