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Os bons amigos

Os bons amigos



Pesquisas apontam a amizade como fator determinante para a longevidade: quanto mais amigos, mais chances de uma vida longa e feliz


Por Maria da Luz Miranda


O sentimento é nobre. Considerada já pelos gregos antigos como a forma mais sublime do amor, a amizade passou a interessar, mais recentemente, também aos cientistas. Aumenta o coro dos que acreditam que trata-se de algo verdadeiramente especial e que um amigo pode fazer a diferença no mundo. Sem contar os benefícios para a saúde.


Quem não cultiva a amizade e a fraternidade cede a vez para o seu reverso, que é a solidão. E é preciso, antes de tudo, preparar o espaço e o espírito. "Não pode haver amizade onde há desconfiança, deslealdade, injustiça. Entre os maus, quando se reúnem, é um complô e não companhia. Eles não se entretêm, entretemem-se. Não são amigos, mas cúmplices", pregava Étienne de La Boétie, no século XVI, em seu Discurso da Servidão Voluntária.


Sócrates, um dos mais expressivos filósofos gregos, declara no Lísis, de Platão, que em toda a sua vida, sempre teve um ardente desejo de amizade, mais que qualquer outra coisa no mundo. Talvez lá, já vislumbrasse o que os cientistas constatam agora. A tese de que ter bons amigos pode prolongar a vida.


Para avaliar os fatores sociais, físicos e psicológicos que afetam a longevidade, o Estudo Longitudinal do Envelhecimento na Austrália - ALSA, em inglês - acompanhou, desde 1992, cerca de 1,5 mil pessoas com mais de 70 anos em Adelaide. Trata-se de uma das mais longas pesquisas já realizadas. No decorrer dos anos, os participantes responderam a questões sobre o tempo que passavam com filhos, netos e parentes, o número de amigos e o tipo de atividade social que exerciam. No final, as estatísticas apontaram que os que dispunham de uma rede de amigos mais firme sobreviveram mais.


Como uma das principais características da amizade é que se trata de uma escolha voluntária, o que elimina a obrigatoriedade do encontro, fortalecer os laços é uma via para uma existência mais solidária. E a amizade, constatam as pesquisas, ajuda não apenas a viver mais, como a viver melhor. Quanto mais amigos, mais chances de chegarmos à velhice sem problemas físicos e com maior capacidade de adaptação e aceitação das dificuldades inerentes ao envelhecer. Do contrário, pessoas que não têm amigos são mais vulneráveis a doenças.


Para o gerontólogo João Batista Alves de Oliveira, ter o bom amigo não significa, no entanto, esquecer de si mesmo. "É preciso buscar um significado para a própria vida e a partir daí, reconhecendo seus valores pessoais, buscar o que há em volta. Deve haver uma busca ativa. Aceitar a solidão ou esperar que os outros a resolvam é negar o valor de si mesmo", afirma.


Matéria publicada no Portal Mais de 50, em 3 de agosto de 2007.



Claudia Cardamone* comenta


Um amigo é alguém com quem nos sintonizamos, alguém que nos compreende e que compreendemos, somos simpáticos um com o outro. Há algo no texto que é interessante, que os maus não tem amigos. A amizade é doar-se espontaneamente a alguém por afinidades, ela nos fortalece as virtudes como tolerância, indulgência e paciência.


O ser humano é um ser sociável, ele necessita do outro para evoluir e para ser feliz. Não é que a felicidade esteja no outro, mas ela pode brotar da relação com o outro. Sempre ouvimos dizer que somos todos irmãos, somos filhos de Deus, mas nunca ouvimos dizer que somos todos amigos. A amizade nos é preciosa, não sabemos dizer porque, como ela nasce, porque ela não tem uma regra aparente. Podemos conhecer duas pessoas, mas uma delas se torna nossa melhor amiga, por quê? Os Espíritos nos dizem, em "O Livro dos Espíritos", na questão 387, que dois espíritos que tenham afinidades podem se procurar naturalmente, sem que hajam conhecido como encarnados.


O tempo de vida não depende diretamente do número de amigos, pois, sendo a vida eterna, estas amizades irão permanecer, e nós não reencarnamos aqui somente para fazer amigos, mas fazendo amigos podemos desenvolver e fortalecer virtudes. Os amigos nos auxiliam a passar pelas provas e expiações com coragem e esperança. Estamos mais felizes e desejamos saúde, cuidamos melhor do corpo e da mente, nos sentimos vivos e somos úteis, e isto pode nos proporcionar um grande bem estar. Pode não alongar a vida, mas com certeza pode influir na sua melhora.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.