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Papa insiste proibir para católicos os anticoncepcionais

Papa insiste na proibição de anticoncepcionais para os católicos



Miguel Mora/ em Roma
Jornal El País


"Os anticoncepcionais que impedem a procriação desvirtuam o sentido último do casamento" - foi o que lembrou ontem o papa Bento 16 em uma mensagem enviada a um congresso sobre o 40º aniversário da Humanae Vitae, encíclica em que Paulo 6º proibiu o uso da pílula para os católicos. Com pouco sucesso, porque, como assume Bento 16, "o mundo e também muitos fiéis têm dificuldades" para compreender a mensagem da Igreja, "que ilustra e defende a beleza do amor conjugal em sua manifestação natural". Esse amor entre os esposos, explicou o papa, tem um modo próprio de se comunicar: "gerar filhos". E "excluir essa dimensão comunicativa mediante uma ação que tente impedir a procriação significa negar (...) a verdade íntima desse amor".


Bento 16 admite, porém, que no "caminho do casal podem ocorrer circunstâncias graves que tornem prudente distanciar os nascimentos de filhos ou mesmo suspendê-los". Assim, salienta o papa, "o conhecimento dos ritmos naturais da fertilidade da mulher se transforma em fato importante para a vida dos cônjuges". Em outras palavras, o único anticoncepcional autorizado pela Igreja é o popularmente conhecido como "folhinha", que o papa define, de maneira muito mais culta, como "métodos de observação". De cada cem mulheres que o utilizam, entre 14 e 24 ficam grávidas.


"É verdade", reflete Bento 16, "que a solução técnica aparece muitas vezes como a mais fácil também nas grandes questões humanas, mas na realidade esconde a questão de fundo, que tem a ver com o sentido da sexualidade humana e com a paternidade responsável, para que seu exercício possa ser a expressão do amor pessoal". E conclui: "A técnica não pode substituir o amadurecimento da liberdade, quando está em jogo o amor". Para terminar, o papa exorta os sacerdotes a pregar para os casais uma mensagem "que os oriente a entender com o coração o maravilhoso projeto que Deus inscreveu no corpo humano".


As palavras do papa são um aperitivo para o 12º Sínodo da Igreja Católica, que começa neste sábado (4) na igreja de São Paulo Extra-Muros em Roma. A assembléia dos bispos, que serve como "banco de cérebros" de caráter consultivo para debater as questões prementes da Igreja, reunirá até o dia 26 em Roma 253 padres sinódicos e uma centena de especialistas e auditores para discutir o tema "A palavra de Deus na vida e a missão da Igreja".


A ausência mais destacada será a dos bispos da China continental (virão somente os de Hong Kong e Macau), porque o regime desse país não permitiu sua participação, segundo confirmou ontem o secretário-geral do sínodo, Nikola Eterovi. A representação da Conferência Episcopal Espanhola sofreu uma mudança imprevista. Não irá Fernando Sebastián, arcebispo de Pamplona, sendo substituído por Antonio Cañizares, que foi eleito primeiro suplente pela CEE. A razão dessa ausência é dupla. O Vaticano não gostou que Sebastián, já aposentado, participasse da reunião como emérito, porque isso teria aberto um precedente no sínodo, mesmo tendo sido o bispo mais votado por seus colegas, à frente de Ricardo Blázquez, o segundo, e do próprio presidente, Antonio María Rouco Varela, que ficou em terceiro. A segunda razão é que Sebastián recebeu em maio um encargo do Vaticano que o mantém muito ocupado: ele é o comissário pontifício que deve resolver o espinhoso caso da associação Lumen Dei.


A Unión Lumen Dei é uma sociedade privada de fiéis que foi fundada em 1967 em Cuzco (Peru) por Rodrigo Molina, um sacerdote jesuíta espanhol (1920-1982), e pela freira Josefina Serrano (1948-1999). Hoje a Lumen tem 6 mil alunos e 20 centros escolares na América Latina e na Espanha. Sebastián está investigando as supostas irregularidades cometidas na administração de um colégio da Lumen em Hortaleza (Madri), o Santa María de la Asunción. Segundo a associação, Sebastián apoiou a direção que se apossou do colégio ilegalmente e demitiu injustamente e deixou sem casa três freiras da Lumen que lecionavam no colégio. Algumas famílias de alunos denunciaram que o objetivo do Vaticano e da Conferência Episcopal é assumir a administração do patrimônio da Lumen Dei.


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves


Notícia publicada no Portal UOL, em 4 de outubro de 2008.



José Antonio M. Pereira* comenta


A filosofia de Jesus, não apenas verbalizada, mas praticada em sua vida, representa uma grande evolução em relação ao estado de coisas que vigorava anteriormente. Antes, para manter a dominação e o controle, o poder de governo que se confundia com a religião, precisava da proibição como instrumento de sua ação. E Jesus dizia que não tinha vindo destruir a Lei, porque a essência da mensagem trazida por Moisés milênios antes era a mesma que ele pregava. Contudo, trouxe nova luz à essa mensagem, mostrando que o Deus único não era o Deus do castigo, mas sim um Deus de amor. No seu discurso, não iremos encontrar a proibição, nem a punição como recurso educativo. A humanidade já estava pronta para caminhar com seus próprios pés e assumir as conseqüências de seus atos.


Por isso, respeitamos a Igreja como instituição Cristã que é, mas entendemos que é mais eficaz educar do que proibir, compreendendo que somos nós mesmos os mais necessitados da edução Divina. Foi pensando desta forma, que Chico Xavier, no programa de televisão Pinga Fogo de 1971, disse sobre os anticoncepcionais, quando ainda eram uma novidade: “Nós estamos – vamos dizer – espantados e esperando alguma providência que nos tranqüilize os corações, mas o mundo espiritual tem dito que essas pílulas conquanto seja um mal menor, constituem uma dádiva da divina providência para que a mulher e o homem fiquem isentos do delito do aborto, porque o aborto complica a nossa situação nas leis cármicas.”(1)


Os recursos que a ciência nos proporciona hoje, podem ser todos considerados uma dádiva, se usados com sabedoria. Cirurgias plásticas, novos exames e técnicas, aviões, TVs, computadores, celulares, Internet; tecnologias que avançam cada vez mais rápido. O que nos cabe é avaliar sempre se estamos fazendo o uso mais adequado dos novos instrumentos que estão à nossa disposição. E isso é uma responsabilidade de cada um, ao lado do livre-arbítrio que Deus nos deu.



Referência:


1) Pinga Fogo com Chico Xavier – Ed. Edicel, 4ª edição, p. 69.


* José Antonio M. Pereira trabalhou principalmente na área de evangelização espírita juvenil e atualmente é médium da Casa de Emmanuel e integrante da Caravana Fraterna Irmã Scheilla, no Rio de Janeiro. Também é colaborador da equipe do Serviço de Perguntas e Respostas do Espiritismo.net.