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Adolescente que fugiu de casa diz que quer morar com a amiga

Adolescente que fugiu de casa diz que quer morar com a amiga



O Globo Online, Fantástico


SÃO PAULO - A aventura de Giovanna Maresti, 15 anos, e Anna Lívia Destefani Luciano, 16 anos, duas adolescentes paulistas que, no dia 5 de junho, uma quinta-feira, foram ao cinema assistir a "Um beijo roubado" e não voltaram para casa terminou neste fim de semana. Giovanna, que passou o fim de semana com a mãe em Santa Catarina, desembarcou no aeroporto de Guarulhos à tarde. Em entrevista ao Fantástico, Giovanna afirmou que teve um ato totalmente egoísta, mas disse para a mãe que quer ir embora de casa.


- Quero mostrar que eu não sou só a filha dela. Sou Giovanna, tenho minhas necessidades e o que eu quero nem sempre é o que ela quer. Ela quer que eu vá para uma escola que eu não quero. Ela quer que eu more com ela, eu não quero - afirmou a menina.


- Eu achava que conhecia minha filha 100%. Mas você sempre pode se surpreender. Sempre - afirmou a mãe, Kelly di Bertolli.


Giovanna e Anna Lívia se conheceram este ano no colégio.


- A gente tem uma conexão muito forte. A gente fez a numerologia e descobrimos que somos almas gêmeas. Só estávamos planejando mudar de escola juntas, viajar juntas, morar juntas. De ter uma vida juntas. Tudo junto, como amigas. Em casa, eu sei que eu não fico. Já é uma decisão que a gente tomou juntas - disse Giovanna.


- Eu não tenho o que implicar com a Ana Lívia. Ela é uma menina ótima. Eu amo muito a minha filha, eu não quero ver ela solta. E, ao mesmo tempo, não quero ver ela infeliz - disse Kelly.


Kelly, porém, diz que não acha razoável a filha morar sozinha, por ser menor de idade.


A mãe de Anna Lívia, Maria Valéria Destefani, afirmou que a descoberta da sexualidade motivou a fuga das meninas.


- Até hoje a Lívia só teve namorados. Mas, se ela estiver tendo um ‘lance’ com a Giovanna, não há nenhum problema - admitiu Valéria.


Para a mãe, a filha pode ter fugido de casa por temer encarar os pais.


- Acho que ela está com pudores. Porém, os pais dela são superliberais e só querem a felicidade dela.


Valéria elogiou Giovanna, dizendo que a garota é bonita e inteligente. Também lembrou que a filha e a amiga dormiam na casa uma da outra.


- Pode ter havido uma identificação muito forte entre elas - definiu a corretora.


Já o professor universitário Odilon Luciano, pai de Ana Lívia, disse não saber nada sobre o relacionamento da filha com a amiga. Na opinião dele, as duas descobriram afinidades em questões importantes para a idade delas.


- Acho que tem mais a ver com a identificação das coisas que consideram importantes, como o que pensam sobre pais, família, o mundo, a justiça, as pessoas e coisas - observou.


Notícia publicada em O Globo Online, em 16 de junho de 2008.



Claudia Cardamone* comenta


Jesus nos ensinou que todas as Leis de Deus são resumidas em apenas duas: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Que Deus é Amor e que devemos amar as pessoas ao nosso redor já está bem claro, nós só precisamos aprender como fazer isto.


Giovanna conheceu uma amiga a quem rapidamente se identificou, podem ser espíritos conhecidos de vidas pretéritas ou espíritos simpáticos, isto realmente não importa, o que importa é que estas duas garotas aparentemente se amam. E este amor a que me refiro nada tem a ver com a sexualidade, nós precisamos aprender que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa, como muitos dizem por aí.


Mas o amor a que Jesus se referia não é este, não é um amor que deseja o isolamento. Amar é conspirar para a união de todos. Jesus amando quis dividir esta felicidade com todos que estavam ao seu redor, para que pudessem amar também.


A palavra amor está tão banalizada que seu sentido ficou generalizado. Eu amo você, eu amo meu país, eu amo os animais, eu amo meus pais... Amor é lindo e amar é politicamente correto, como se diz atualmente, então todo mundo ama. Não queria ser estraga prazeres, porém sempre existe um MAS... Mas ao amarmos os animais, nós amamos os pernilongos ou as baratas? Nós amamos aquele que não concorda conosco, ou que não nos permite fazer o que queremos?


Infelizmente, acho que nós ainda amamos o que nos convém, e quando isto não ocorre mais, "nos mudamos".


Há também aquela doce rebeldia da juventude, nós não queremos mais obedecer, queremos possuir toda a liberdade de um adulto. Mas nos esquecemos que liberdade verdadeira e consciente deve ser conquistada, deve ser exercida com responsabilidade. Escolher é uma ação fácil, que nada requer de nós, mas liberdade é saber escolher e isto requer maturidade emocional, conhecimento, virtude e amor.


Amor e liberdade são duas palavras que coexistem. Amar é abdicar da liberdade pessoal, é ser livre para escolher ficar.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.