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Menina de 8 anos pede o divórcio do marido de 30

Menina de 8 anos pede o divórcio do marido de 30



Uma menina de 8 anos fez um pedido desesperado de ajuda a um tribunal de Saná, no Iêmen. A menina quer o divórcio do homem de 30 anos com quem foi obrigada a se casar pelo pai, há dois meses, segundo informa a agência Efe.


De acordo com o site do jornal Yemem Times, Nayud Mohamad Naser fugiu da casa do marido há uma semana e conseguiu chegar ao tribunal da capital onde foi buscar ajuda. A menina afirmou ao juiz que era maltratada, agredida e obrigada a dormir com o marido.


"Eu tentava fugir, mas ele me perseguia, me pegava e fazia comigo o que desejava sem que eu entendesse o que acontecia (...) Quando me via brincando, também me agredia e me levava para o quarto", disse Nayud no tribunal, segundo o jornal.


"Chorava muito, mas ninguém me ajudava, até que consegui fugir e chegar até o tribunal", completou. O juiz ordenou a prisão do marido e do pai da menina, que posteriormente foi solto por problemas de saúde.


Os casamentos de crianças são freqüentes no Iêmen, assim como em algumas áreas beduínas da Arábia Saudita, onde não há legislação que proíba a união de menores de 18 anos. Um estudo feito pela Universidade de Saná mostra que a pobreza, principalmente em áreas rurais, leva muitas famílias a casarem suas filhas ainda crianças.


O estudo, divulgado em agosto de 2007, mostra que 52% das iemenitas das zonas rurais se casam antes de chegar a maioridade, em muitos casos entre 7 e 10 anos de idade.


Notícia publicada no Portal Terra, em 14 de abril de 2008.



Nara Coelho* comenta


Este título sugere um filme de Fellini, quando situações grotescas e inusitadas, feias e nauseativas eram infiltradas em meio às naturais.


As leis de um povo refletem o caráter deste povo. Leis imorais e injustas são feitas por homens imorais e injustos, até que, açodados pelo sofrimento, promovam a própria transformação moral que nelas irá se refletir.


Lembro-me bem de que, quando eu tinha uns 9 anos, conheci uma senhora, já bem velhinha, que havia se casado aos doze anos. Dizia-me ela que quando seu marido chegava em casa para almoçar, “e ele já era um professor”, ela estava sempre em cima das árvores, comendo frutas, agarrada em suas bonecas. Não eram incomuns, no Brasil, casamentos assim, resquícios do século XIX... Eram “arranjados”, frutos de negociatas que revelavam a predominância dos interesses materiais sobre a felicidade e liberdade do próximo; mesmo que filhos. E isto continua acontecendo, não apenas em países como o Iêmen, mas também em muitos arredores do nosso Brasil, onde as crianças são levadas à prostituição por seus próprios pais, em troca de dinheiro, de alimento, de proteção.


As leis modernas consideram criminoso o adulto que mantém relações íntimas ou sexuais com crianças, conhecido popularmente como pedófilo. O que não era crime ontem já o é hoje, pois a lei é a consciência do delito.


Com o Espiritismo, temos chance de nos aprimorar. É que aprendemos a nos reconhecer como artífices do nosso futuro, sabendo que nossos atos são sempre presididos pela Lei de Causa e Efeito. Daí a razão do magnífico ensinamento de Jesus que nos impele a amar o próximo como a nós mesmos. O amor é, pois, o antídoto das atitudes infelizes; as mesmas que nos têm mantido cristalizados no orgulho e no egoísmo, acrisolando-nos nas dores de tantos milênios. O ato de maltratar uma criança para satisfazer instintos inferiores e criminosos pode até ficar impune pelas leis atrasadas do homem imoral, mas jamais pelas leis morais da vida, que Jesus veio exemplificar. Eis que, por isto, o sofrimento tem se perpetuado na Terra. Sem amor, o bem não vinga. Sem estruturação no bem, a sociedade murcha sob a lama dos terremotos morais, das hecatombes da dor e epidemias de maldade.


Crianças de hoje são espíritos adultos e experientes do passado que reencarnam sob a aparência frágil e dependente para receber dos adultos, a quem Deus delegou-lhes o cuidado, todos os ensinos capazes de aprimorá-las moralmente, desenvolvendo-lhe os talentos superiores para melhor se coadunarem às leis de Deus, evitando recalcitrarem nos mesmos erros...


Queridos leitores, Jesus veio à Terra há mais de 2000 anos para nos ensinar a entender o amor como lei moral da vida, que resume “todas as leis e os profetas”, como Ele mesmo nos disse. E para quê? Simplesmente para que sejamos felizes! Inseguros de como viver este amor, basta que nos coloquemos no lugar do próximo, objeto do amor, e saberemos o que fazer. Em assim agindo, estaremos nos libertando das misérias morais que tanto nos fazem sofrer, além de cooperar na “obra de Deus,” como nos ensina "O Livro dos Espíritos", auxiliando a instituir um mundo mais feliz, onde estivermos. Eis que, então, não haverá mais espaço para as dores e aflições. Nem para as crianças, nem para os adultos. Tampouco, as leis serão injustas, porque tudo refletirá o amor, que, enfim, estará presente na edificação do Reino dos Céus... na Terra, porque em nós mesmos.


* Nara Coelho, mineira de Juiz de Fora, formada em Direito pela Faculdade de Direito da UFJF, é expositora espírita nos Estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, articulista em vários jornais, revistas e site de diversas regiões do país.