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Mais de 80% das empresas evitam contratar trabalhadores fumantes

Mais de 80% das empresas evitam contratar trabalhadores fumantes



Diário de SP


SÃO PAULO - Depois da restrição nos aviões e restaurantes, agora é a vez das empresas olharem meio torto para quem fuma. Segundo pesquisa da Catho Online, mais de 81% dos empregadores consultados declararam ter alguma restrição à contratação de fumantes. O índice de rejeição foi ainda maior entre os presidentes e diretores das companhias, com aproximadamente 48,35%.


Segundo Camila Mariano, consultora de recursos humanos da Catho, a restrição à contratação de profissionais fumantes pelas empresas vem crescendo.


- Entre 2000 e 2005, o índice de rejeição era de 77%. Hoje, supera os 80%.


As causas, na opinião da especialista, estão principalmente na saúde do fumante e das pessoas que convivem com ele, além da produtividade no trabalho, que é prejudicada.


- Todo fumante consome, em média, nove cigarros por dia e isso representa um tempo de ociosidade. O cigarro carrega ainda uma imagem negativa que as empresas querem evitar.


Para a consultora, ao fazer uma entrevista para um novo emprego o fumante jamais deve fumar.


- Se fizer isso, estará perdendo pontos - alerta.


Outra dica é nunca mentir.


- Se o candidato fuma, não deve negar. Mas precisa deixar claro sua intenção de abandonar o hábito - explica.


Notícia publicada em O Globo Online, em 16 de junho de 2008.



Jorge Hessen* comenta


CONSEQÜÊNCIAS DO FUMO


Atualmente é fato consumado que "mais de 80% das empresas evitam contratar trabalhadores tabagistas.(1) Consoante pesquisa da Catho Online, "mais de 81% dos empregadores consultados declararam ter alguma restrição à contratação de fumantes. Entre 2000 e 2005, o índice de rejeição era de 77%; hoje supera os 80%". Isso tem uma explicação cristalina. As causas estão principalmente na saúde do fumante e das pessoas que convivem com ele. Ressalte-se que além da produtividade no trabalho, que é prejudicada, os pulmões dos fumantes e de quem está próximo de fumantes ficam expostos a pelo menos 43 substâncias comprovadamente cancerígenas. Confirmam estudos recentes realizados pelo Inca (Instituto Nacional de Câncer), que aponta pelo menos 2.655 não-fumantes que morrem a cada ano no Brasil por doenças provocadas pelo tabagismo passivo. Isto corresponde a sete mortes por dia, o que equivale afirmar que o tabagismo passivo mata mesmo!!


Na contramão desses argumentos, das campanhas do Ministério da Saúde e das decisões de diversas prefeituras e governos estaduais, restringindo o fumo em lugares públicos, o presidente Luiz Inácio da Silva [recentemente] fez apologia do uso do cigarro em qualquer lugar.(2) Ao ser questionado por jornalistas sobre outro decreto, que proíbe o fumo no Palácio do Planalto, o presidente lançou a pérola: "Menos na minha sala"(!?).(3) De fato, as normas legais [lei 9.294, de 15 de julho de 1996, e o decreto n.º 2.018, de 1996] proíbem o uso de cigarro ou qualquer outro produto do gênero em recinto coletivo, privado ou público, salvo em área destinada exclusivamente a esse fim, "devidamente isolada ou com arejamento conveniente". Na prática, como observamos, não é cumprida no Palácio do Planalto.


O coordenador do ambulatório de tabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo, Montezuma Pereira, identificou dois equívocos no tresloucado arroubo presidencial. O médico disse que é uma desconsideração do perigo do fumo passivo e o outro a desobediência à lei.(4) É uma brutal impiedade às vítimas do tabagismo um chefe de estado defender o hábito de fumar em qualquer lugar, segundo cremos.


Todo fumante (seja servidor público ou trabalhador da iniciativa privada) consome, em média, dez cigarros por dia e isso representa um tempo desperdiçado, um ato de ociosidade (em que são jogados no ralo o dinheiro público e privado). O cigarro carrega ainda uma imagem negativa que as empresas e os órgãos públicos precisam evitar. Não sem razão, os fumantes estão sendo submetidos a restrições cada vez mais intensas, e que tendem a aumentar, no futuro. Aliás, não poderia ser de outra maneira. Devemos pautar as nossas atitudes e as nossas regras de conduta, na sociedade, pelos resultados de pesquisas científicas bem conduzidas. Gostem ou não os fumantes, o século XX testemunhou as importantes descobertas sobre os malefícios do fumo para a saúde. Graças ao aprimoramento das técnicas de investigação epidemiológica que fez com que muito se soubesse sobre o assunto. Há sete anos (em 2000) um Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) considerou o tabagismo a maior pandemia de todos os tempos.


A nicotina, de alguma forma ainda não compreendida pela medicina, abre certas "portas" no sistema nervoso, que ficam escancaradas para sempre. Um pouco de droga que volte a passar por elas e a dependência se reinstala. "Só não provoca mais liberação de dopamina que a cocaína e as anfetaminas. O uso dessas drogas deixa a pessoa feliz e a torna escrava do prazer."(5) A explicação corrente é que a nicotina, para agir no cérebro e provocar sensação de "bem-estar", imita a ação da acetilcolina. Como moléculas usurpadoras, a nicotina se encaixa nos receptores cerebrais que, estimulados, produzem mais neurotransmissores (dopamina) que regulam a sensação de prazer. Quando o estímulo de produção dopamínica é interrompido por alguns instantes, o sistema nervoso central se desequilibra e o fumante acende o próximo cigarro e a nicotina se encaixa novamente nos receptores cerebrais, recomeçando o ciclo.


Ante a lupa espírita, descobrimos que o médium que fuma está inevitavelmente sob uma influência obsessiva (transforma-se numa piteira humana dos fumantes desencarnados que a cada tragada sorvem suas baforadas quentinhas). "Não se sabe o que tem causado maior dano aos espíritas: se as obsessões espetaculares, individuais e coletivas, que todos percebem e ajudam a desfazer ou isolar, ou se essas "meio-obsessões" de "quase-obsidiados", despercebidas, contudo bem mais freqüentes, "que minam as energias não só de uma criatura incauta, mas influenciam o roteiro de legiões de outras."(6)


O tabagismo atormenta os desencarnados viciados que se angustiam ante a vontade de fumar irresistivelmente potencializada. O grave da situação é a inexistência de indústrias de tabacos e cigarros na erraticidade para "abastecer" desencarnados fumantes. "Em face disso, estes tabagistas do Além, para materializarem suas tragadinhas, tornam-se protagonistas da subjugação, transformando-se em artífices da vampirização sobre os encarnados tíbios de vontade, que ainda se locupletam nas deletérias baforadas do malcheiroso cigarro."(7) Como citamos acima.


O tabagista recebe da Doutrina Espírita, além de informações fornecidas pela medicina tradicional quanto aos males provocados pelo fumo, o alerta contra as obsessões e as desastrosas conseqüências na estrutura sutil do perispírito, fator este a exigir atenções especiais e procedimentos profundos na mentalização do fumante. Os Espíritos Superiores também classificam o tabagismo como um grande obstáculos para as tarefas mediúnicas. Sendo um gerador de patologias graves e de dependências, merece do médium uma batalha sem trégua. Porém, a tarefa de descontaminação nicotínica deverá ocorrer sem violentação da consciência, lembrando que somente se ajudando com firmeza que o médium tabagista se livrará do vício, lembrando, porém, que a solução não "cairá do céu".


Como se observa, para abandonar o vício de fumar é preciso o médium readquirir o poder da vontade que se estiolou diante da prepotência, do autoritarismo da nicotina e seus sequazes. O médium viciado é aquele que perde o comando da própria vontade. Considerando que as mentes no além-túmulo não se desvinculam com facilidade deste foco que alimenta seus desregramentos de fumante terreno é mister que o esforço para a libertação do vício comece por aqui na atual reencarnação, e o quanto mais cedo melhor!


Diante do exposto, compete-nos ajudar os nossos irmãos a irmãs (sobretudo médiuns) que se encontram sob o jugo do vício do tabaco a se livrarem desta forma sutil de mergulhar num tipo de suicídio inconsciente.



Fontes:


(1) Segundo dados colhidos num trabalho sobre saúde, da jornalista Magaly Sônia Gonzales, publicado na revista "Isto É", de julho de 2000, "o vício do fumo foi adquirido pelos espanhóis, junto aos índios da América Central, que o encontraram nas adjacências de Tobaco, província de Yucatán. Um dos primeiros a cultivar o tabaco na Europa foi o Monsenhor Nicot, embaixador da França, em Portugal, de onde se derivou o nome nicotina, dado à principal toxina nele contida;


(2) Disponível em http://amp746.wordpress.com/2008/09/10/mau-exemplo-de-cima-lula-diz-que-defende-o-uso-do-fumo-em-qualquer-lugar/>, acessado em 11/09/2008;


(3) Um estudo realizado em 1993 pela Agência para Proteção do Meio ambiente (EPA, em inglês) concluiu que a fumaça de cigarro no ambiente é um carcinógeno do Grupo A, o mais perigoso. A EPA ainda afirma que a inalação passiva da fumaça de cigarro é responsável pelo câncer de pulmão que mata 3.000 pessoas todo o ano nos Estados Unidos;


(4) Disponível em http://amp746.wordpress.com/2008/09/10/mau-exemplo-de-cima-lula-diz-que-defende-o-uso-do-fumo-em-qualquer-lugar/>, acessado em 11/09/2008;


(5) Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u444735.shtml>, acessado em 10/09/2008;


(6) Xavier, Francisco Cândido e Vieira, Waldo. Estude E Viva, Ditado pelo Espírito André Luiz, RJ: ed. FEB, 2001;


(7) Disponível em http://www.ger.org.br/artigosjorgehessen/artigo73.htm>, acessado em 11/09/2008.


* Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal lotado no INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.