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EUA investigam ‘pacto de gravidez’ em escola

EUA investigam ‘pacto de gravidez’ em escola



Jonathan Beale
Da BBC News em Washington


Autoridades americanas estão investigando a hipótese de que um grupo de garotas adolescentes da mesma escola teria feito um "pacto" para engravidar ao mesmo tempo.


A suspeita foi levantada depois que testes confirmaram a gravidez de 17 adolescentes da Gloucester High School, em Gloucester, no Estado de Massachussetts. O número é quatro vezes mais alto que o registrado no ano anterior na escola.


A polícia está investigando a idade dos pais. Acredita-se que o pacto pode envolver rapazes acima de 20 anos, que estariam sujeitos a responder pela acusação de manter relações sexuais com menores de idade.


Nenhuma das garotas tem mais de 16 anos. As famílias não fizeram nenhum comentário.


A escola de 1,2 mil estudantes realizou, apenas no ano passado, 150 testes de gravidez. Neste ano, segundo o diretor, a instituição teve de realizar múltiplos testes em diversas garotas que expressaram frustração ao descobrir que não estavam grávidas.


A suspeita do pacto foi levantada em uma reportagem da revista Time, publicada no site da revista na terça-feira. O artigo sugere que a rotina tediosa na pequena cidade pesqueira, onde não existem muitas opções de lazer, pode estar relacionada à gravidez simultânea das adolescentes.


Entrevistada na reportagem, uma jovem de 18 anos que recentemente terminou o ensino médio na escola, disse que a idéia de um pacto "faz sentido".


"Elas estão muito entusiasmadas por ter finalmente alguém para amar incondicionalmente", disse à revista Amanda Ireland, que tem procurado alertar as garotas da dificuldade de "se sentir amada com um bebê chorando aos berros para ser amamentado às 3h da manhã".


Notícia publicada na BBC Brasil, em 20 de junho de 2008.



Sergio Rodrigues* comenta


É deveras lamentável que um instituto tão nobre e sagrado como a maternidade tenha sido utilizado por esse grupo de adolescentes com objetivo tão fútil, tal o mencionado na notícia. Os Espíritos ensinam que a paternidade - entendido o termo em seu sentido amplo, que abrange o pai e a mãe - é, sem contestação, uma verdadeira missão. "Deus colocou os filhos sob a tutela dos pais, a fim de que estes o dirijam pela senda do bem... Se este (o filho) vier a sucumbir por culpa deles, suportarão os desgostos resultantes dessa queda e partilharão dos sofrimentos do filho na vida futura, por não terem feito o que lhes estava ao alcance para que ele avançasse na estrada do bem", completam os Espíritos.


Desse modo, fica claro que a missão da paternidade abrange um grandíssimo dever, com conseqüências, mais do que supõe o homem, no seu futuro. Ao receber sob a tutela de pai ou mãe um espírito, Deus lhe confia a tarefa de dirigir à senda do bem o espírito que está retornando para prosseguir sua evolução. A dúvida que fica é se essas jovens estão preparadas para se desincumbirem dos compromissos que estão assumindo, ainda que inconscientemente, como parece estar acontecendo.


Uma das pactuantes declarou que a motivação é encontrarem, "... finalmente, alguém para amar incondicionalmente". Esta revelação é sintomática e pode ser a pista para buscarmos entender a lógica dessas jovens. Ao declarar que busca-se encontrar alguém para "amar incondicionalmente", a jovem deixa patente a carência afetiva que predomina no grupo. São jovens que, certamente, sentem o distanciamento dos pais, que estão mais preocupados com a concorrência que a sociedade impõe na busca do "ter". Podemos interpretar essa atitude também como uma forma de chamar atenção. Numa sociedade tipicamente consumista, que se identifica muito mais com os valores materiais do que com os espirituais, a afetividade e a solidariedade ante as vicissitudes da vida ficam sempre relegadas a um plano secundário. O importante é o "ter" e o "desfrutar do que se tem", desconhecedores de que a verdadeira felicidade somente pode ser encontrada nas conquistas imateriais, nas conquistas do espírito.


Conseguirão essas jovens alcançar o objetivo almejado? Não podemos conscientemente prever, mas o mais provável é que não. O "brinquedinho de estimação" que estão adquirindo para suprir suas necessidades afetivas, provavelmente, é também um espírito que tem as suas dificuldades e está retornando não para servir-lhes de válvula de escape para suas frustrações, mas para educar-se. Cedo ou tarde, os problemas aflorarão e, aí, será tarde para repensarem o desatino em que se envolveram. Somente restará a certeza de que os benfeitores espirituais não os deixarão sós, iluminando a todos - pactuantes e espíritos que estão voltando - para que cresçam com o episódio, apesar da insensatez que o motivou.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.