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Mais médicos no divã

Mais médicos no divã



Transtornos psicológicos atingem 44%. Estudo do Conselho Federal de Medicina foi realizado com 7.700 profissionais em todo o País. Além da saúde mental, as estatísticas dos problemas físicos também são alarmantes: um em cada cinco sofre de doenças cardíacas


Fernanda Aranda,
fernanda.aranda@grupoestado.com.br


Os médicos precisam ficar em dia com a própria saúde. Pesquisa do Conselho Federal de Medicina (CFM), realizada com 7.700 profissionais, revela que quase metade deles apresenta quadro preocupante de transtornos psicológicos. Quarenta e quatro por cento sofrem de depressão ou ansiedade. E a grande maioria, 57%, tem estafa e desânimo com o emprego.


O estudo, divulgado no final de 2007 entre médicos, foi feito em todo o País. No recorte regional não houve diferença - as mesmas alterações psicológicas foram encontradas nos profissionais paulistas. A prevalência de distúrbios psíquicos nos médicos, inclusive, supera em quase 11 pontos a incidência na população. Os índices de depressão nos não médicos são de 33,4%, mostra a pesquisa internacional utilizada como referência pelo CFM.


O contra-senso - mais médicos doentes do que os próprios pacientes - já faz o autor da pesquisa, Genário Barbosa, pedir políticas públicas. “Podemos firmar parcerias com os ministérios da Saúde e Previdência. Exigir que profissionais, anualmente, realizem baterias de exames”, afirma Barbosa, ao ressaltar que 3,3% têm indícios suicidas. “Garantir a saúde do médico é garantir a saúde da população. É importante ser tratado por alguém em perfeitas condições psicológicas.”


Além da saúde mental, os problemas físicos também são alarmantes. Um em cada cinco médicos sofre de doenças cardíacas. A mesma parcela (20%) apresenta alterações no sistema circulatório e 21,8% convivem com o mau funcionamento do aparelho digestivo. Nessa gama de deficiências, os índices encontrados não diferem do resto da população, fato que não é considerado positivo para Renato Azevedo Júnior, secretário do Conselho de Medicina de São Paulo.


“É esperado indicadores de saúde melhores em quem tem conhecimento sobre a prevenção de doenças”, diz. “Mas é preciso levar em conta qual é a condição efetiva que o médico tem para cuidar de si.”



Falta de tempo


Os especialistas falam que uma das origens da medicina doente é a falta de tempo. O Sindicato dos Médicos de SP chama atenção para o dado atual que 82% atuam em três ou mais empregos, devido aos baixos salários. Em 2006, a parcela com mais de três vínculos empregatícios era de 78,5%.


O presidente do Comitê de Saúde do Médico do Conselho do Paraná, Marco Antônio Bessa, porém, encontra na sabedoria popular mais uma explicação para esse índice. “Sabe o ditado: na casa de ferreiro, o espeto é de pau? Cai como uma luva para os meus colegas”, brinca. “Na realidade, é muito difícil para o médico se colocar na posição de paciente. O exercício da profissão faz com que se sintam imunes às doenças. Sem contar que muitos interferem no tratamento”.


Profissional renomada na área de cardiologia, Lilia Negrão Maia é uma das que já cometeu deslizes. A recomendação repetida aos seus pacientes de fazer exames do colesterol a partir dos 10 anos, só foi seguida por ela própria aos 36. “O resultado foi que enquanto o índice aceitável de LDL (colesterol ruim) é de 130, o meu estava em 260.” A cardiologista também costumava desfilar com o cigarro, vício que só abandonou há 14 anos, quando engravidou. Hoje, Lilia abandonou o sedentarismo e faz 30 minutos de atividades físicas diárias. “Briga” com a balança para manter o peso ideal e adotou um cardápio saudável. Ela não quer mais fazer parte da turma do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço.”



BURNOUT


A SÍNDROME


Existe uma doença, recorrente em médicos e profissionais da saúde, chamada síndrome de Burnout (em inglês significa combustão completa). Aparece em pessoas com jornada de trabalho exaustiva, com intervalos pequenos entre um trabalho e outro.


SINTOMAS


Os principais sinais dos portadores da síndrome são exaustão, desânimo com o emprego, estafa emocional, mudanças bruscas de humor e insatisfação extrema com a vida, avaliação negativa da vida, depressão e instabilidade.


CAUSAS


A síndrome é desencadeada pela rotina de trabalho. Apesar de ter sido mais estudada entre os médicos, já existem dados sobre Burnout em professores, taxistas, bancários e estudantes.


Matéria publicada no Jornal da Tarde, em 21 de maio de 2008.



Sergio Rodrigues* comenta


A matéria chama a atenção por envolver profissionais da área de saúde, que, por dever de formação, certamente conhecem os malefícios ocasionados por esse modo de vida. É claro que o trabalho é uma necessidade, uma lei da Natureza, ensinam os Espíritos, necessidade que a civilização obriga ao homem cada vez mais, na medida em que lhe aumenta os gozos e as exigências para obtê-los. No entanto, é preciso não esquecer que, ao mesmo tempo, os Espíritos esclarecem que há um limite para o trabalho e que o repouso é também uma lei da Natureza. E qual seria esse limite? Prosseguem as Entidades  Codificadoras explicando que é o das forças do homem, que tem o livre-arbítrio para estabelecê-lo.


Sendo a necessidade o móvel que impulsiona o homem ao trabalho, é preciso saber distinguí-la, não confundindo o necessário com o supérfluo, ou seja, o de que realmente precisamos daquilo que podemos dispensar sem qualquer prejuízo à nossa existência. E para fazer esta distinção Deus nos dotou de uma organização física que, por si só, traça os limites das nossas necessidades. Se o homem as aumenta, é porque ainda se entrega a vícios que lhe alteram a constituição física. A vida moderna, resultado do processo civilizatório escolhido pelo homem, cria a cada momento necessidades que o homem primitivo desconhecia.


O resultado dessa busca incessante pela satisfação dos gozos é a aceleração da deterioração do nosso corpo físico. Sendo o nosso corpo uma dádiva divina recebida por empréstimo para realizarmos o progresso que aqui viemos buscar, temos o dever de tratá-lo com os mesmos cuidados que empregamos quando tomamos algo emprestado. E não apenas do corpo físico temos o dever de cuidar. A matéria aponta a ocorrência de transtornos psicológicos, vale dizer, espirituais, de que são acometidos aqueles profissionais. Cuidar do espírito é também um dever, conforme esclarece a instrução contida em "O Evangelho segundo o Espiritismo", em mensagem do espírito Jorge, que se identificou como um Espírito Protetor.


No ítem 11, do capítulo XVII, de "O Evangelho segundo o Espiritismo", Kardec nos traz uma mensagem. Nesta mensagem, o Espírito orientador fala da necessidade de se cuidar do corpo e do espírito, para se atingir a perfeição moral, esclarecendo que o estado do corpo físico influi sobre a alma, que precisa de um corpo são para poder realizar suas conquistas. Ambos, espírito e corpo físico, são mutuamente dependentes, importando que se dedique aos dois os mesmos cuidados. Desatender às necessidades de um deles é contrariar as leis naturais. Como ocorre quando, apesar de cuidarmos dos valores espirituais, depreciamos o corpo que habitamos com o trabalho além das nossas forças.


Para atingir a perfeição moral possível ao espírito imortal, há que se cuidar do corpo físico e do espírito, como ensina o citado protetor espiritual.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.