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MP proíbe comercialização de game Bully no Brasil

MP proíbe comercialização de game Bully no Brasil



O Globo Online e ClicRBS


RIO e PORTO ALEGRE - Uma ação movida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP-RS) decretou a proibição das vendas do jogo eletrônico "Bully" no Brasil. Segundo a instituição, o game, oferecido em versões para consoles Playstation, Xbox e Wii, é considerado nocivo por retratar "ambiente de violência e corrupção" tendo como cenários salas e corredores de uma escola de ensino médio.


A decisão, válida para todo o país, foi divulgada no site do Ministério Público gaúcho (http://www.mp.rs.gov.br). Pela liminar, o juiz Flávio Rabello, da 16ª Vara Cível de Porto Alegre, determina que a empresa JPF Maggazine LTDA, responsável pela distribuição do título desde 2006, está proibida de importar, distribuir e comercializar o game no país, sob pena de receber multas diárias de R$ 1 mil, em valores atualizados pelo IGP-M.


A decisão prevê ainda que, em um prazo de 30 dias, sejam suspensas as vendas do game em sites e lojas especializadas de todo o país.


A medida liminar é o resultado de uma ação coletiva ajuizada pelo Centro Integrado de Apoio Operacional e Promotoria de Justiça Especializada de Defesa do Consumidor (Cidecon) a partir de uma acusação feita pelo Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude.


Em comunicado publicado em seu site, o MP relata que Bully "retrata, fundamentalmente, situações ditadas pela violência, provocação, corrupção, humilhação e professores inescrupulosos, nocivo à formação de crianças e adolescentes e ao público em geral".


Bully, criado pela editora americana RockStar (http://www.rockstargames.com/bully), é ambientado na escola integral Bullworth Academy. O jogador assume o papel de um aluno que, além de freqüentar aulas de diversas disciplinas, comanda brigas no pátio do colégio com a missão de se tornar líder e disputar popularidade com outros alunos mais rebeldes.


A empresa é conhecida pela criação de games polêmicos, como os jogos da série "GTA: Grand Theft Auto", em que o jogador é um ladrão de carros perseguido.


A decisão acontece meses após a Justiça determinar a proibição da venda no Brasil do jogo Counter Strike, em ação movida em Minas Gerais. Pela mesma decisão também foi suspensa a venda no país do game EverQuest.


Notícia publicada em O Globo Online, em 9 de abril de 2008.



Claudia Cardamone* comenta


Este é um assunto que vem sendo discutido há muito tempo. Iniciou com os filmes de ação e policiais, que estimulariam a violência e a vingança, depois vieram as críticas a alguns desenhos animados, considerados violentos e agressivos. Os games também sempre forma criticados, principalmente os de ação, guerra e lutas. Mas será que um simples jogo eletrônico pode alterar o caráter de um Espírito que progride há centenas de anos?


Precisamos pensar o inverso: Porque este tipo de game faz tanto sucesso? Muitos defendem estes jogos dizendo: "Esses juízes não entendem que estes jogos não só não fomentam atitudes agressivas, mas são como escape! Quantas vezes você está muito revoltado com algo e não jogava Counter Strike, ou GTA 3/vice city? Ou pra quem pratica esportes, dar um treino?"


Sempre ouvimos e falamos que somos espíritos imperfeitos. E como a Doutrina Espírita os define? Espíritos imperfeitos - Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão ao mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as más paixões conseqüentes. Têm a intuição de Deus, mas não o compreendem. Nem todos são essencialmente maus; em alguns, há mais leviandade. Uns não fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples fato de não fazerem o bem, revelam a sua inferioridade. Outros, pelo contrário, se comprazem no mal e ficam satisfeitos quando encontram ocasião de praticá-lo. (O Livro dos Espíritos, livro segundo, cap. I).


Veja bem, nós ainda sentimos satisfação no mal, porém sabemos que há punição, e algumas são severas. Mas queremos satisfazer estes instintos primitivos, queremos praticar o mal, porém sem que sejamos punidos e criamos o vídeo game. Que coisa maravilhosa! Passamos o dia, batendo no outro, matando pessoas, animais, alienígenas, destruindo, roubando, corrompendo, e não somos punidos, ao contrário, ganhamos pontos e somos idolatrados pelos Espíritos simpáticos.


Mas como somos tolos e ingênuos, pois os Espíritos nos mostram que a realidade é bem diferente.


"641. O desejo do mal é tão repreensível quanto o mal? - Conforme: há virtude em resistir voluntariamente ao mal que se sente desejo de praticar, sobretudo quando se tem a possibilidade de satisfazer esse desejo; mas se o que faltou foi apenas a ocasião, o homem é culpável". (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec). Então vamos raciocinar. Se estes jovens, na vida real, não fossem punidos, fariam estes males?


"746. O assassínio é um crime aos olhos de Deus? - Sim, um grande crime, pois aquele que tira a vida a um semelhante interrompe uma vida de expiação ou de missão, e nisso está o mal". (O Livro dos Espíritos, Allan Kardec). Os jovens sabem disso, mas não estão matando pessoas, é só um vídeo game, não é real. Quanta ilusão numa só afirmação! O prazer que eles sentem no jogo por acaso não é real? O desejo de matar não é real? O pensamento, que elabora estratégias para aniquilar o inimigo, não é real?


Este tipo de jogo, existe há muito tempo. Quem nunca foi a um parque de diversões e numa barraquinha, ganhava um prêmio quando acertava uma figura de um patinho. Como o ser humano progrediu espantosamente quanto ao intelecto, os jogos evoluíram assustadoramente. Já não basta matar o patinho, tem que ter sangue, cadáver, som, gritos... Mas todos nós ainda atiramos no patinho, para ganharmos um prêmio.


* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.