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Para delegado, ambulante viveu "um dia de fúria" no trânsito

Para delegado, ambulante viveu "um dia de fúria" no trânsito



Depois de acidente, homem foi preso ao matar e ferir ocupantes do outro veículo. Arma utilizada no crime estava com a numeração raspada, segundo delegado.


MARCELO MORA
Do G1, em São Paulo


A comparação com o filme "Um Dia de Fúria", protagonizado pelo galã americano Michael Douglas, foi inevitável. No drama, um homem de meia idade tem uma crise de nervos no meio de um congestionamento gigantesco, bem parecido com os que São Paulo vem vivenciando nos últimos dias, e decide largar o carro e sair andando pelas ruas de Los Angeles. Pelo caminho, protagoniza uma série de atos violentos contra quem encontra pela frente. O desfecho, claro, é trágico.


Para o delegado Eduardo Luiz Ferreira, do 80º Distrito Policial, da Vila Joaniza, na Zona Sul, o vendedor ambulante que, depois de se envolver em um acidente de trânsito seguido de uma discussão na manhã desta terça-feira (11), na Avenida Interlagos, atirou e matou um dos ocupantes e feriu o outro viveu literalmente um dia de fúria nas ruas da capital.


“Em 15 minutos, fez tudo o que ele fez. Foi mesmo um dia de fúria”, disse. Segundo o delegado, o acusado não tinha passagem pela polícia. Por isso, a surpresa com a reação do ambulante.


Pelos crimes cometidos, ele responderá por homicídio qualificado, tentativa de homicídio, porte de arma de fogo e roubo de veículo. “Foi um verdadeiro passeio pelo código penal. Com o agravante que a arma estava com a numeração raspada”, disse o delegado, sobre o revólver calibre 38 utilizado no crime.


A família do outro homem baleado na briga de trânsito na manhã desta terça-feira (11) pediu para que não fossem divulgadas informações sobre o seu estado de saúde. Ele foi ferido na boca e segue internado no Hospital Alvorada, em Moema, na Zona Sul.



Briga de trânsito


O acidente ocorreu no sentido bairro da Avenida Interlagos, por volta das 6h10. Dois veículos colidiram após um deles supostamente atravessar a avenida no farol vermelho. Em um dos veículos havia dois ocupantes que, segundo a Polícia Militar, já tinham assumido os prejuízos com a batida. O outro carro era ocupado apenas por um homem.


No momento em que um dos carros era guinchado, houve nova discussão e o motorista que estava sozinho no veículo teria sacado uma arma e disparado contra os dois ocupantes do outro automóvel. Um deles foi atingido no pescoço e morreu. O segundo ferido foi atingido na boca e levado para o Hospital Pedreira.


Policiais que passavam pelo local ouviram os tiros e perseguiram o atirador. Ele foi preso, segundo a PM, quando tentava roubar um outro veículo para fugir.


Notícia publicada no Portal G1, em 11 de março de 2008.



Sergio Rodrigues* comenta


Em "O Evangelho segundo o Espiritismo", Allan Kardec traz a mensagem de Um Espírito protetor, recebida em Bordéus, no ano de 1.863, na qual identifica a origem de semelhantes atos de cólera no orgulho, ainda fortemente presente no psiquismo do homem, e que o faz se assemelhar ao bruto. "... Pesquisai e, quase sempre, deparareis com o orgulho ferido", ensina o Espírito. A cólera, que muitas das vezes se manifesta em circunstâncias irrelevantes, como no caso em questão, que envolvia apenas interesse material, decorre da importância que o homem atribui a si próprio, ou seja, do orgulho. Acresce-se que, no caso em questão, as vítimas do tresloucado ato já haviam assumido a reparação do dano, reconhecendo o veículo em que se encontravam como o causador do acidente. No entanto, surpreendentemente e de modo inopinado, o criminoso perdeu o equilíbrio emocional   e não conseguiu conter o que a autoridade policial chamou de "ataque de fúria".


É claro que enquanto tivermos que vivenciar experiências no mundo corporal como único caminho para chegarmos à nossa destinação final, que é a condição de seres angelicais, os bens terrenos são importantes e até necessários à nossa existência. Entretanto, não podemos colocá-los em patamar de importância acima dos valores espirituais, como o amor ao próximo, a benevolência, a paciência, etc, que tanto faltaram no episódio. Estes sim, conquistas definitivas, que devemos aprender a valorizar, pois nos conduzirão à perfeição e, com ela, à felicidade verdadeira, que ainda não conhecemos.


Não foi por outra a razão que Jesus afirmou que "Bem-aventurados os que são brandos, porque possuirão a Terra" e "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus" (Mateus, cap. V, v. 4 e 9, respectivamente). Conhecesse esses ensinamentos e, principalmente, neles cresse, o causador da tragédia poderia ter controlado sua cólera. Não o fazendo, ver-se-á, agora, diante não somente da lei dos homens, mas, também, das Leis de Deus, invioláveis, às quais ninguém pode enganar. Conhecesse a lei de causa e efeito, que o Espiritismo explica e demonstra tão claramente os seus mecanismos, e aproveitaria aquela oportunidade para exercitar a indulgência e o perdão, componentes da verdadeira caridade, sem a qual ninguém conhecerá o reino do Deus.


* Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.