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Piercings: uso pode ser perigoso para os jovens

Piercings: uso pode ser perigoso para os jovens



Uma pesquisa do Hospital das Clínicas, em São Paulo, mostra que 80% dos jovens que tiveram problemas com piercing precisaram passar por cirurgia. Mas quem usa parece não se dar conta do perigo.


Os metais são pequenos, parecem inofensivos, mas tem material de peso: titânio, ouro e aço cirúrgico. O nome não é a toa, colocar um piercing é quase uma cirurgia. “Para fazer dói, mas depois cicatriza”, diz o colocador de piercing Djalma Conceição Júnior. Djalma sabe do que está falando, além de colocar o piercing nos outros ele tem os seus próprios.


Leonardo Kaus tem muita coisa em comum com Djalma, os dois tem a mesma profissão e metal pelo corpo. “Tenho sete. No mamilo, nariz, língua e no genital”, conta. E as mães? “Minha mãe estava viajando e quando ela voltou a gente estava com o piercing. Ela não gostou no começo, mas agora ela já se acostumou”, conta uma jovem.


Mas o que pode uma mãe fazer quando o filho resolve pendurar um copo na orelha? “Aquilo é uma mutilação, é um peso que você está carregando a mais, só vai poder corrigir aquilo de forma cirúrgica, tudo que é excesso é nocivo a saúde”, explica uma médica.


Ariana de Oliveira há um ano e meio freqüenta o Hospital das Clínicas. Passou por duas cirurgias e já fez 18 infiltrações. Tudo por ter colocado o mais simples piercing da praça na orelha. “Entrei em depressão, não queria mais sair de casa, eu só ficava dentro de casa com vergonha de sair de casa porque todo mundo ficava perguntando achando estranho aquele negócio da minha orelha. Foram praticamente cinco anos da minha vida perdidos, sem trabalhar”, conta.


“Se for feito com muito cuidado e limpeza ele tá lá com o piercing e não teve problema. Mas a qualquer hora ele pode ter um trauma qualquer em uma danceteria, no esporte ou travesseiro e aí traumatizou, o germe entrou e tem o problema do mesmo jeito”, explica o médico do Hospital das Clínicas, Perboyre Lacerda Sampaio.


A maioria das cirurgias reparadoras é feita no nariz e na orelha. Mas, o maior perigo é o piercing colocado na língua. Ela pode inchar e provocar sufocamento. As informações são do Jornal Hoje.


Notícia publicada em A Tribuna On-line, em 2 de janeiro de 2008.



André Luiz Rodrigues dos Santos* comenta


Diante dos modismos da sociedade, dificilmente alguém consegue resistir ao impulso das massas. Atualmente, o adereço mais atrativo é este, o piercing, fascinando milhões de pessoas que, inicialmente, buscavam um diferencial, a originalidade perante o mundo. Hoje, pela difusão desse modismo, percebe-se a grande necessidade de não mais diferenciar-se, mas de ser aceito nos grupos sociais (ou “tribos”), destacando apenas a originalidade do objeto e da geografia corpórea, não mais o ato.


Embora não mais restringindo-se a um ou outro grupo, esse comportamento é observado muito mais em adolescentes que em adultos, devido à busca de identidade em que aqueles se encontram, busca de uma visão mais subjetiva de si mesmos, visão esta que vai além dos traços anatômicos, como altura, peso, mudanças da puberdade, etc. Vêem, também, a importância de manifestarem sua personalidade através de sinais materiais como sendo um complemento da linguagem pessoal – roupas, tatuagens, piercings, entre outros. Em termos de comportamentos, apresentam-se geralmente inquietos, irreverentes, irresponsáveis, inconseqüentes e quase indomáveis. Essas são suas características, e desde os tempos mais remotos tem-se estudado a personalidade dos jovens. Setores das ciências humanas e biológicas debruçam-se sobre os temas juvenis deparando-se com os mais desafiadores enigmas da psicologia humana.


Especificamente no que diz respeito à adesão do citado modismo, questões como “quais os motivos”, “até quando”, “quais os benefícios”, “quais os malefícios”, todas essas são indagações absolutamente relevantes para a reflexão antes de se tomar a decisão para incorporar esse “corpo estranho”. O que se percebe, porém, é que os jovens desfrutam de uma liberdade nunca antes vivida para decidirem-se sobre o uso (e o abuso) desses objetos, inclusive tendo o estímulo dos pais ou responsáveis, que ressaltam a beleza do novo visual. Externamente, pela mera aparência e pelo seu significado subliminar, não se tem idéia dos prejuízos orgânicos causados, assim como os sociais, influenciando negativamente na inserção desse jovem na sociedade, onde será apontado, criticado e até rejeitado nos casos mais extremos.


Dentro do contexto espiritual, a relação entre o jovem, o mundo e a família tem sua complexidade; vivem uma profunda interdependência onde todos dependem de todos para evoluir. Entretanto, é na família, célula social fundamental, que tudo se inicia com a educação, diálogo, orientação, referência, apoio e amparo. O Espírito já traz em si sua própria bagagem de valores, mas, sem direcionamento, perde-se na construção de si mesmo, expondo-se a todos os riscos inerentes a essa etapa do seu desenvolvimento, inclusive comprometendo a própria saúde por um simples capricho social.


*André Luiz Rodrigues dos Santos é paulista, espírita desde 1991, militar e professor. É membro da Equipe Espiritismo.net, atuando nas áreas de Atendimento Fraterno, divulgação e estudos doutrinários no meio virtual.