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'Não nos separem': as órfãs siamesas que querem permanecer juntas

As gêmeas siamesas Consolata e Maria Mwakikuti sonham alto.

Elas têm 19 anos e estão no último ano do colegial em Iringa, na Tanzânia.

Consolata e Maria já sabem o que querem fazer no futuro.

"Nossa expectativa é entrar na universidade e sermos professoras. Vamos dar aulas usando um projetor e computadores", dizem.

Os pais morreram depois de elas nascerem.

Elas foram adotadas pela ONG católica Maria Consolata.

As adolescentes não querem passar pela cirurgia de separação.

E pretendem se casar com um único marido.

Notícia publicada na BBC Brasil, em 11 de maio de 2017.

Sergio Rodrigues* comenta

Trata-se de um caso incomum, que foge aos padrões que estamos acostumados a testemunhar. O mais comum em circunstâncias semelhantes - e são muitos os exemplos conhecidos - é ter-se como meta a cirurgia separatória, que propiciaria a ambas uma vida mais próxima da normalidade. No entanto, fugindo do que se espera e se imagina em tais circunstâncias, Consolata e Maria optaram por permanecerem juntas, unidas corporalmente para sempre, com seus corpos ligados um ao outro por um segmento físico. É uma condição que, mais comumente, traz dor e sofrimento físico e espiritual aos que a vivenciam. Para elas, contudo, a dor e o sofrimento não frequentam o seu cotidiano, pois se mostram felizes e, como se diz popularmente, de bem com a vida.

O Espiritismo nos ensina que situações como essas são consequência da incidência da lei de causa e efeito, pois nada ocorre por acaso no Universo. Conforme ensinou Jesus, "a cada um é dado segundo as suas obras" e, se esses espíritos renasceram na matéria dessa maneira, alguma causa certamente há. Embora não tenhamos ainda capacidade para compreender com exatidão o porquê de todas as coisas, casos semelhantes, via de regra, resultam de desencontros do passado que levam dois espíritos ao reencontro nestas condições, com o objetivo de, unidos pelas dificuldades que se lhes oporão, harmonizarem-se mutuamente. É uma oportunidade de transformarem ódios do passado no mútuo amor que os levará ao progresso.

A maneira resignada e até com uma certa dose de felicidade com que estão se portando diante da expiação, denota que, embora provavelmente endividados perante a Lei, estamos diante de dois espíritos com significativos níveis de adiantamento. Compreenderam e aceitaram a reencarnação expiatória com leveza e até otimismo. Mostra o quanto aprenderam a valorizar a vida e extrair o que ela pode oferecer de bom, ainda que numa existência que foge à normalidade e que traz muitas dificuldades no dia a dia. Exteriorizam a felicidade que sentem e, como dá notícia a matéria comentada, fazem projetos para o futuro, sem se importarem com as restrições que terão que enfrentar para realizá-los, inclusive eventuais atitudes preconceituosas com que se defrontarão.

Sem dúvida, é um exemplo para todos que tendemos a dimensionar nossas dificuldades além do que realmente representam. O vídeo que ilustra a matéria impressiona e chega a emocionar. As duas irmãs aparecem sorrindo, realizando tarefas do dia a dia, como lavar roupa, cada uma utilizando o único braço que possuem, sincronizados, como se fossem dois braços de uma mesma pessoa. Estudam, projetam ingressar na universidade, tornarem-se professoras e, até, casarem-se. Que Deus as abençoe e as fortaleçam para que possam concretizar seus ideais.

*Sergio Rodrigues é espírita e colaborador do Espiritismo.Net.