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  • Mr. Sunshine, o ex-milionário que hoje trabalha como engraxate

Enquanto trabalha, Woods entretém seus clientes com seu jeito alegre e extrovertido e sua habilidade especial para despertar sorrisos. ‘As pessoas me dizem: ‘Você fez o meu dia’’, conta ele com satisfação. Jorge Hessen comenta.

  • Data :02/05/2018
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Sentado em um banco na rua Queen, uma das principais avenidas comerciais de Auckland, na Nova Zelândia, Larry Woods passa suas tardes engraxando sapatos. Vestido de forma impecável, o americano de 60 anos se oferece para lustrar os calçados de seus clientes sem cobrar nada por isso.

Mas este nem sempre foi o ofício de Woods, que nasceu em Los Angeles e foi criado em San Francisco e a quem todos na cidade neozelandesa conhecem como “Mr. Sunshine”. Nos anos 1980, ele sequer precisava lustrar seus próprios sapatos, porque era milionário.

Tudo começou quando ainda morava nos Estados Unidos, onde conheceu uma neozelandesa que se tornou sua primeira mulher. Quando os pais dela ficaram doentes, o casal se mudou para a Nova Zelândia e Woods passou a trabalhar na empresa da família, um negócio bem-sucedido de venda de vitaminas.

A companhia foi vendida, e Woods foi recompensado com US$ 3,6 milhões (R$ 12 milhões em valores atuais). Ele conta à BBC que isso mudou sua vida radicalmente. “Comprei um Rolls-Royce, tinha dois motoristas, ia a festas, bebia. O dinheiro me transformou em um cara molenga e fraco, porque podia ter tudo o que queria”, diz.

Ele se recorda que, a partir daquele momento, passou a não respeitar as outras pessoas. “Quando você tem tanto dinheiro, você acha que todos têm de fazer tudo o que você diz. É algo que o dinheiro pode fazer: tornar você arrogante. Faz você acreditar que é melhor do que os outros, porque tem mais bens materiais.”

A humildade de um vendedor chinês

Mas, em um encontro fortuito com um senhor chinês em uma quitanda, Woods se deu conta da pessoa na qual havia se tornado.

Ele costumava ir todos os dias à loja, onde era atendido por uma mulher chinesa e sua mãe. Um dia, quem estava lá, em vez das mulheres, era um homem de 85 anos. Woods o tratou muito mal. Cada vez que colocava sobre o balcão, de forma grosseira, um produto que queria comprar, o homem chinês respondia: “Obrigado”.

“Quando estava indo embora, me senti muito estúpido. Pedi desculpas e decidi que isso nunca mais voltaria a ocorrer”, lembra-se.

Ele se divorciou, sua fortuna foi minguando e foi obrigado a mudar de vida, chegando até mesmo a ser stripper . Angustiado após alguns reveses e sem um centavo no bolso, ele fez um desabafo durante uma consulta médica.

Foi o próprio médico que o ajudou a refletir e a buscar um novo caminho, diz Woods. “Ele me disse: ‘Sabe, Larry, há três formas de fazer as coisas. Você pode falar sobre elas, pensar sobre elas ou fazer algo sobre isso’.” Foi assim que começou, há 13 anos, a engraxar sapatos.

Mais feliz do que antes

Woods faz o serviço de graça. O que dá dinheiro é uma cera para lustrar calçados e outros objetos de couro, que vende a US$ 14 por pote. Assim, consegue o suficiente para viver. Enquanto trabalha, Woods entretém seus clientes com seu jeito alegre e extrovertido e sua habilidade especial para despertar sorrisos. “As pessoas me dizem: ‘Você fez o meu dia’”, conta ele com satisfação.

“Esse homem é uma lenda”, diz à BBC um rapaz que visita Woods regularmente. “Veja o que ele fez com meus sapatos. Imagina então o que ele pode fazer pela sua alma.”

Para muitas pessoas, deixar de viver em uma mansão para se mudar para um apartamento de dois quartos cedido pela Assistência Social pode parecer uma decadência. Mas Woods não enxerga dessa forma. Ele diz que é muito mais feliz hoje do que quando era milionário.

“Não me faz falta o Rolls-Royce, posso pegar ônibus. Não preciso ser alguém, só me preocupo em ser uma pessoa boa. Isso é tudo”, afirma.

“Quando me levanto, me olho no espelho e não fico deprimido. Como posso me sentir triste quando tenho tantas outras coisas? Há muitas coisas que podem te fazer feliz.”

Notícia publicada na BBC Brasil , em 4 de abril de 2018.

Jorge Hessen* comenta

Como vimos na reportagem, foi o próprio médico de Larry que o ajudou a refletir e a buscar um novo caminho, quando disse que há três contornos de realização pessoal, sendo que você pode falar sobre eles, pensar sobre eles ou fazer algo sobre como contornar situações. A partir daí o ex-milionário Woods começou, há 13 anos, a engraxar sapatos.

Os preceitos espíritas nos remetem a entender que somos sempre herdeiros de nós mesmos, motivo pelo qual é importante que nos esforcemos, a fim de crescermos emocionalmente, amadurecendo conceitos e reflexões, aspirações e programas reencarnatórios, cuja materialização nos submetemos.

É importante reconhecermos as próprias dificuldades e esforçar-nos para vencê-las, evitando a queixa a fim de não deprimir o entusiasmo de viver, levando-nos a estados depressivos. Não devemos nos deter na autocompaixão piegas e inútil, precisamos nos motivar para crescer e alcançarmos os patamares psicológicos mais elevados de autossuperação.

É bem verdade que há dolorosas reencarnações que significam tremenda luta expiatória para as almas necrosadas no vício. As vicissitudes da vida corpórea constituem reflexos dos deslizes do passado e, simultaneamente, provas com relação ao futuro a fim de depurar-nos e elevar-nos, se as suportamos resignados e sem autopiedades.

Nossas experiências de vida significam sanções instituídas pelo Criador da vida, portas a dentro da Justiça Universal, atendendo-nos aos próprios pedidos, para que não venhamos a perder as glórias eternas do espírito a troco de lamentáveis ilusões humanas.

Diante dos desafios do viver na Terra, devemos trilhar pelo caminho da autossuperação sob os influxos tenazes da autoconfiança. Esse estado de espírito resulta das conquistas contínuas que demonstram o valor de que se é portador, produzindo imensa alegria íntima, e esta se transforma em saúde emocional, com a subsequente superação dos conflitos remanescentes das experiências de vidas presentes e pregressas.

  • Jorge Hessen é natural do Rio de Janeiro, nascido em 18/08/1951. Servidor público federal aposentado do INMETRO. Licenciado em Estudos Sociais e Bacharel em História. Escritor (dois livros publicados), Jornalista e Articulista com vários artigos publicados.