Pandemia limitou deslocamentos, mas revelou chances de colaborar de forma on-line e em curtos espaços de tempo.

 

Por Deslange Paiva, G1

 

Um dos obstáculo para atrair mais pessoas ao trabalho voluntário é assumir um compromisso que vai tomar mais tempo da agenda. Muitos querem ajudar, mas desistem. A pandemia deu visibilidade a uma forma de voluntariado que permite contribuições on-line e realizadas em curto espaço de tempo.

O microvoluntariado ou trabalho voluntário digital pode ir de descrever imagens para cegos, ler notícias boas em um app e ajudar a combater fake news.

 

Pela verdade dos fatos

 

Jhonathan Simionato, de 33 anos, conta que já realizava trabalhos voluntários presencialmente e viu que havia como continuar a colaboração. "Sempre fui ligado em causas humanitárias e já fazia parte dos meus planos continuar realizando trabalhos neste ano, mas fui pego de surpresa pela pandemia".

Desde abril, ele participa de um grupo de mobilizadores digitais do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). O objetivo combater é tirar dúvidas sobre a Covid-19 e assim combater fake news.

"Somos um grupo de 2.000 participantes compartilhando nas redes sociais informações corretas. Também respondemos por WhatsApp todas as dúvidas que as pessoas nos encaminham a cerca do vírus".

"Eu me sinto muito feliz em poder ajudar ao menos um pouco essa geração. Saber que estamos fazendo uma diferença positiva para algumas pessoas faz tudo isso valer a pena".

Doação coletiva

Em 2017, três estudantes da Universidade de Brasília (UnB) criaram um app chamado Ribon, com notícias positivas. Apenas a leitura de uma delas fornece ao usuário 100 moedas virtuais que podem ser investidas em doações para projetos sociais.

O usuário pode doar os seus "ribons" para uma causa da sua escolha dentro da plataforma. A moeda virtual é convertida em dinheiro e ajuda instituições cadastradas.

Segundo Moriah Rickli, produtor de conteúdo da Ribon, o financiamento vem de patrocinadores, entidades filantrópicas e fundações que têm suas doações transformadas em ribons e aparecem no projeto.

Essa moeda virtual é direcionada, diz Rickli, para instituições que tenha um impacto grande mesmo recebendo doações pequenas.

 

Onde procurar

 

A Organização das Nações Unidas (ONU) tem um banco de dados com iniciativas que estão precisando de voluntários on-line. As atividades vão desde tradução de artigos até a organização de eventos. A Online Volunteering recebe inscrições de cerca de 12 mil voluntários por ano.

O aplicativo Be My Eyes conecta deficientes visuais com voluntários por meio de chamadas de vídeo para ajudar em tarefas simples do dia-a-dia, como ler uma receita médica ou até encontrar itens perdidos que caíram no chão. Mais de 1 milhão de voluntários participam da plataforma.

 

Notícia publicada na G1 em 01 de outubro de 2020

 

Renata Federici* comenta

Trabalho Voluntário online:  uma nova perspectiva da Caridade. 

Quantas vezes queremos realizar um trabalho voluntário, mas não sabemos nem onde,  nem como. Porém, apenas sentimos esse desejo interno sem na verdade executar um movimento real, e ao longo da vida encontramos as mais variadas desculpas, como por exemplo: “ não tenho tempo”, “é longe da minha casa” , “vai me custar dinheiro”; e assim seguimos criando uma rede de empecilhos a nós mesmos, que nos paralisa e impede de agirmos.

Com a Pandemia, diversos empregos foram afetados, assim como  o trabalho voluntário.Porém, a nossa capacidade humana de criar é infinita, e como tudo na vida é uma questão de desejo e vontade, superamos as dificuldades. Diversos grupos transformaram seus trabalhos presenciais em trabalhos online, ampliando a capacidade de atendimentos e atendidos nos mais diferentes projetos. 

Na prática, existem campanhas de doações de alimentos, atendimentos psicológico online  gratuito, redes de apoio ao idoso, entre tantos outros, basta uma pequena busca na internet e abundantes projetos saltam à vista. Contudo, o local físico já não faz necessário, porque compreendemos que a Caridade não é só dar e doar bens materiais vai além do tangível, alcança as relações, toca o coração e alma de quem necessita um carinho, um conforto, uma palavra amiga. 

Essa pandemia, nos trouxe tristezas, solidão e isolamento, mas também nos mostrou o que é, e como viver a Caridade. Hoje, estamos passando por uma transformação que nos impulsiona a rever como podemos nos apoiar, nos tornando mais humanos. E assim, através da criatividade, procuramos reinventar nossos trabalhos, o comércio, as escolas, as igrejas para sairmos da inércia momentânea gerada pela situação. 

Na reportagem vemos diferentes exemplos de voluntariado que globalmente podemos contribuir, e nos fará muito bem.  Contudo,  podemos ir além, pensar no nosso próximo mais próximo, os nossos vizinhos, o nosso bairro, a nossa cidade e observarmos o que pode ser feito, criando também uma rede de auxílio. 

Podemos praticar o auxílio não mais importando as distâncias, e para que isso seja concreto, basta estarmos conectados. Quando buscamos pelo meios tecnológicos ajudar o próximo através da união e do Amor, contribuímos para um mundo mais harmônico e Fraterno, criamos uma Rede de conexões com o Bem. Se cada um de nós ampliarmos e inspiramos a criação de uma  "Rede do Bem", caminhamos juntos para transformação do planeta.  

Portanto, a Caridade, o trabalho voluntário e a doação recebem um novo olhar. Transformam-se em um “doar-ação” continuum; dando importância a intenção que damos em ajuda ao próximo, não necessitando de demonstrações, mas dando o significado que a Caridade tem, o Amor.

 

 

* Renata Federici é fonoaudióloga formada pela PUC-SP. É Espírita, Leitora compulsiva, Amante das palavras. Contribui escrevendo em grupos espiritualistas e é colaboradora do Espiritismo.net.

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