
Resumo da Notícia:
A guerra em Gaza tem causado graves danos psicológicos às crianças, levando muitas delas a perderem a capacidade de falar devido ao trauma contínuo. Relatos médicos e de familiares descrevem casos de mutismo seletivo e regressão no desenvolvimento após bombardeios intensos e a perda de parentes. O sofrimento emocional manifesta-se fisicamente, resultando em um silêncio que reflete o impacto devastador do conflito na saúde mental dos mais jovens, que enfrentam medo constante e ausência de ambientes seguros para o crescimento.
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https://www.bbc.com/portuguese/articles/c87q7rn51l7o
Comentário sobre a notícia:
A guerra é uma marca amarga da predominância da natureza animal sobre a espiritual, ocorrendo quando as paixões humanas transbordam sem o controle da razão. O ambiente de conflito gera uma psicosfera saturada por emanações de ódio e pavor, criando um cenário de sofrimento coletivo que atinge a alma de forma intensa. Nas crianças, que são espíritos em recomeço na carne, essa carga de aflição é recebida por um organismo ainda em fase de ajuste e extrema sensibilidade. A infância representa um período em que o ser é mais acessível às impressões do meio, funcionando como um espelho que absorve os reflexos das mentes e dos acontecimentos que o rodeiam.
Quando o trauma da violência silencia a voz de um pequenino, ocorre uma desarmonia no instrumento de manifestação do espírito. O cérebro pode ser comparado a um teclado de sensações e, se as teclas são atingidas por choques violentos, a música da alma não consegue ser expressa de maneira regular. Na questão 375 do “O Livro dos Espíritos”, os Instrutores Espirituais esclarecem que o espírito encarnado encontra-se na contingência de se expressar por órgãos especiais e, se estes são modificados ou atacados, a ação inteligente fica interrompida ou perturbada. O silêncio forçado pelo medo demonstra como a mente, sob o impacto do susto, perde temporariamente o governo da forma física.
As células cerebrais registram a angústia e constrangem a estrutura orgânica a um estado de inibição que afeta os centros da fala. Nesses momentos, a alma assemelha-se a um encarcerado que não encontra os meios necessários para se comunicar com o mundo exterior. Como esclarece o instrutor Calderaro na obra “No Mundo Maior”, pelo espírito André Luiz, não é possível manter um equilíbrio mental sem uma fisiologia harmoniosa, pois o cérebro é o vaso das manifestações espirituais na Terra. A perturbação no campo nervoso, oriunda de cenas de destruição, desarticula a integração entre o ser e a matéria.
Muitas vezes, a dor que atinge as multidões e as crianças em tenra idade encontra explicação na solidariedade entre as existências. As mortes coletivas e os grandes flagelos reúnem espíritos que participaram de compromissos comuns em outras épocas, para que juntos encontrem o caminho da renovação através de provas purificadoras. O sofrimento, embora pesado, funciona como um recurso da vida para que o espírito valorize a paz e a harmonia no futuro. Emmanuel elucida em “Caminho, Verdade e Vida”, capítulo 110, que as dificuldades e lutas são materiais didáticos na escola da existência, desaparecendo assim que a cultura do espírito e a maturidade são alcançadas.
A assistência às vítimas dessas tragédias é um dever de fraternidade e solidariedade humana. O amparo aos pequeninos desprotegidos ajuda a suavizar o peso das provações e demonstra o amor que Jesus ensinou como base para a felicidade real. A dor é uma força capaz de alterar o rumo dos pensamentos, compelindo a alma a buscar novos horizontes de entendimento e paciência. Mesmo no mutismo provocado pelo choque, o espírito continua sua marcha, aguardando o tempo do reajuste e da recuperação das forças.
O lar e a escola deveriam ser santuários onde a infância encontrasse segurança e afeto para florescer com saúde. Quando a sociedade falha em proteger o berço, o ambiente torna-se um campo de provação para todos os envolvidos. A certeza de que a vida é incessante e de que nenhum sofrimento é eterno oferece o bálsamo necessário para os corações que choram. O esforço de cada indivíduo na prática do bem ajuda a neutralizar as causas do mal, construindo aos poucos um mundo onde a guerra deixará de existir pela compreensão da Justiça Divina.
Equipe doutrinária do Espiritismo.net