A equipe de ginástica artística dos Estados Unidos anunciou neste domingo (1 de agosto) que Simone Biles desistiu de participar da final do solo da modalidade, que será disputada nesta segunda-feira (2). A decisão foi anunciada depois de a atleta também desistir de competir neste domingo no salto e nas barras assimétricas. 

No comunicado, divulgado no perfil da equipe no Twitter, o time americano afirmou que Simone ainda definirá se disputa ou não a final na trave, marcada para terça-feira (3) — a última para a qual se classificou nas Olimpíadas de Tóquio — e que apoia a decisão da estrela do esporte.

Saúde mental

Neste sábado (31), Biles anunciou que desistiu de disputar as provas do salto — na qual a brasileira Rebeca Andrade, que já conquistou uma medalha de prata no individual geral, luta por um lugar no pódio — e das barras assimétricas. 

Foi justamente após a prova do salto durante a disputa das finais por equipes, na terça-feira (27 de julho), que Biles decidiu abandonar disputas da modalidade nesta Olimpíada. 

Durante seu salto na final, Biles disse que não tinha “nenhuma ideia” de como ela caiu em pé. “Se você olhar as fotos e meus olhos, pode ver como estou confusa sobre onde estou no ar”, afirmou a atleta. 

Após um desempenho abaixo do esperado no aparelho, a atleta conversou com os técnicos e preferiu ir para a reserva. Simone Biles é um dos grandes símbolos dos Jogos e talvez a atleta cujo desempenho individual é o mais esperado. Diante de tamanha pressão, ela preferiu se resguardar.

“Temos que proteger nossas mentes e corpos, não é apenas ir lá [competir] e fazer o que o mundo quer que façamos. Nós não somos apenas atletas, no fim do dia nós somos pessoas, e às vezes temos que dar um passo atrás”, afirmou a norte-americana.

Os ‘twisties’ de Simone Biles

Após a final por equipes, a ginasta afirmou estar com “twisties” — uma espécie de bloqueio mental que pode fazer com que as ginastas percam o controle de seus corpos no ar — e desistiu de participar da disputa da prova do individual geral, na qual também era tida como favorita, alegando priorizar sua saúde mental. 

Na quinta-feira (29), em suas redes sociais, a atleta afirmou que ainda tem os bloqueios, que já sofreu com isso antes e que demorou, no passado, cerca de duas ou mais semanas para se livrar do problema. 

 

                                  Notícia publicada na CNN Brasil, em 01 de Agosto de 2021

 

Elaine Bayma de Moraes* comenta

 

Um novo olhar para o ser espiritual

 

"Temos que proteger nossas mentes e corpos, não é apenas ir lá e fazer o que o mundo quer que façamos”, justificou a atleta americana Simone Biles ao anunciar que iria desistir de competir, durante as Olimpíadas de Tóquio, da final do solo da ginástica artística. Os olhos do mundo se voltaram para a ginasta que antes também desistira de participar da disputa no salto e nas barras assimétricas.

Um dos grandes símbolos dos Jogos, mas diante de forte pressão, ela preferiu se resguardar, alegando problemas de saúde mental. Teria sido uma atitude de fraqueza de Simone ou, ao contrário, de coragem? O fato é que a atleta não se intimidou por estar sendo naquele momento o centro das atenções e das expectativas no âmbito das suas modalidades esportivas e ganhou visibilidade mundial ao levantar uma importante questão dos dias atuais — a preservação da saúde, no caso a mental. E a julgar pela recepção que a ginasta teve ao chegar a seu país, tudo indicou que os fãs apoiaram-na em sua decisão.

No panorama da atualidade, a saúde nunca esteve tanto em evidência. Diversas instituições no nosso país e em outros voltam-se agora a pesquisar a relação existente entre a saúde e a espiritualidade, ou seja, o quanto esta última influencia na cura de enfermidades físicas e psíquicas.

As evidências do cenário atual em que estamos inseridos parece confirmarem o que foi  predito no livro Obras Póstumas1 em referência à época de  transição planetária  que já estamos vivenciando: ”E, como se não se operasse com bastante rapidez a destruição, os suicídios se multiplicarão em proporções inauditas, até entre as crianças. A loucura jamais terá atingido tão grande quantidade de homens (...).São esses os verdadeiros sinais dos  tempos e tudo isso se cumprirá pelo encadeamento das circunstâncias (...)”.

No texto citado, podemos entender loucura de modo relacionado ao  que estamos testemunhando nestes últimos tempos, que são os mais variados transtornos psicológicos sofridos pelo ser humano, como, para citar alguns, síndrome do pânico, transtorno obsessivo compulsivo (TOC) ou  transtorno bipolar, entre outros, sem falar na depressão, para alguns “o mal do século XXI”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define saúde como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social”. Num mundo tão competitivo como o de hoje, que sempre valorizou vencedores, demonstrações de força, recordes de resistência e  superação, será que o ser humano encarnado neste planeta de expiações e provas consegue alcançar o estado completo de bem-estar? Como se sente o homem em meio a  todos esses sintomas definidos como “sinais dos tempos”? Como fica o homem moderno frente a esse turbilhão de emoções, sentimentos e desafios? 

Por  outro lado, atualmente vemos as organizações corporativas voltarem o olhar à importância da saúde. Hoje já valorizam o bem-estar físico e mental dos trabalhadores, inclusive para que estes consigam  impulsionar satisfatoriamente a produtividade  nas empresas.

Sob a ótica do espiritismo, sabe-se que o corpo é a vestimenta do espírito, no entanto se este não o comandar pela vontade, o corpo material não irá responder adequadamente aos estímulos. Pode ser que tenha sido isso que ocorreu com a atleta Simone Biles e ela percebeu a tempo, preferindo desistir da competição a fim de priorizar sua saúde mental.

E para a benfeitora espiritual Joanna de Ângelis, “a saúde integral, a paz, a alegria interior resultam da lucidez mental que elege os atos corretos para a existência modeladora da ascensão. Enquanto não se convençam as criaturas de realizar o equilíbrio, a homeostase ideal entre o psiquismo e o corpo físico, debater-se-ão nas malhas de qualquer tipo de sofrimento”.2

A questão é o que o homem pode fazer para promover a saúde mental e alcançar o equilíbrio ideal mencionado por Joanna no texto citado? A ciência já admite o papel da espiritualidade como facilitadora da cura ou da sua significativa atuação  na manutenção.de uma vida saudável. Cabe então  a cada um descobrir os caminhos que levam à proximidade com o divino, ou seja, desenvolver seus próprios meios de conexão com Deus.

“Conhece-te a ti mesmo”, diz a frase atribuída ao grande sábio  da Antiguidade Sócrates. A visão acerca do homem integral hoje incorporou mais um elemento, o espiritual. No processo doença-saúde, o indivíduo é visto por uma abordagem biopsicossocioespiritual e, nesse contexto atual, a atitude de Simone Biles de ir na contramão da expectativa de todos durante os Jogos Olímpicos parece ressaltar esse novo valor que desponta: o  que de fato tem importância para o ser enquanto espírito.   

No entanto, há mais de 2000 anos Jesus já mostrava os indícios de que havia um mundo espiritual, algo além de apenas um corpo material. Mas também sugeria que nossa jornada na Terra não seria isenta de dores e tribulações: “Não espereis por triunfos, que não os teremos sobre a Terra de agora.” 

Foi nos últimos momentos, próximos a sua crucificação, que o Cristo  disse aos apóstolos: ”Nos derradeiros e mais difíceis testemunhos terei meu espírito voltado para o seu amor [do Pai] e conquistarei com o sofrimento vitória sagrada, porque ensinarei aos menos fortes a passagem pela porta estreita da redenção, revelando a cada criatura que sofre o que é preciso fazer, a fim de atravessar as sendas do mundo, demandando as claridades eternas do plano espiritual.” 3

Em todas as circunstâncias de nossa caminhada evolutiva, sigamos o sublime Mestre. Que possamos desenvolver dentro de nós pensamentos positivos,  força, coragem, esperança, fé e nossos próprios meios de nos conectarmos com o divino, o transcendente,  e por que não dizer também demonstrar atitude, como não se furtou a ginasta Simone Biles, ensaiando os principais passos nos caminhos do autoamor  e na prevenção da saúde, paz e  equilíbrio.

 

* Elaine Bayma de Moraes, carioca, bacharel em Comunicação/Jornalismo (UFRJ) espírita, trabalhadora da Congregação Espírita Francisco de Paula e colaboradora do site Espiritismo.net no Atendimento Fraterno off line.

1 Regeneração da Humanidade. Obras Póstumas, Allan Kardec.

2 Livro Plenitude,pelo espírito Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Franco

3 Capítulo 21, livro Boa Nova, espírito Humberto de Campos, psicografia de Chico Xavier

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