
Resumo da Notícia:
A reportagem aborda dados de um levantamento nacional que aponta que cerca de 20% dos brasileiros afirmam já ter vivenciado a experiência de se sentirem fora de seus próprios corpos, fenômeno frequentemente chamado de viagem astral ou projeção da consciência. A pesquisa investiga experiências que fogem ao padrão habitual da percepção sensorial e como esses episódios impactam a compreensão individual sobre a mente e a realidade. Especialistas citados no texto discutem as possíveis interpretações para o fato, que variam entre explicações puramente biológicas e visões ligadas à espiritualidade, ressaltando que tal sensação é mais comum do que se imaginava e desperta curiosidade sobre a autonomia da consciência em relação ao organismo físico.
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https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/05/24/sensacao-de-sair-do-proprio-corpo-viagem-astral-e-relatada-por-1-em-cada-5-brasileiros-em-pesquisa-sobre-experiencias-incomuns.ghtml
Comentário sobre a notícia:
A significativa estatística de que um em cada cinco brasileiros já sentiu a alma se desprender do envoltório carnal não constitui, para o pensamento espírita, uma anomalia ou mistério insondável, mas sim a confirmação de um fenômeno natural inerente à nossa própria constituição espiritual. O que a pesquisa classifica como uma experiência incomum é compreendido pela Doutrina Espírita como a emancipação da alma, um processo contínuo de libertação temporária que ocorre sempre que os laços que unem o Espírito ao corpo físico se afrouxam. Longe de ser um evento acidental, essa percepção de lucidez fora da matéria revela a autonomia do ser imortal, que utiliza o corpo como instrumento, mas não se confina inteiramente a ele.
Consideramos que o sono é a oportunidade diária para esse exercício de liberdade. Allan Kardec, na obra “A Gênese”, no capítulo 14, item 23, esclarece com profundidade que de todas as vezes que o corpo repousa, que os sentidos ficam inativos, o espírito se desprende, vivendo nesses instantes da vida espiritual, enquanto o corpo vive apenas da vida vegetativa. Portanto, a sensação relatada por tantos brasileiros é o registro consciente dessa atividade independente. Se para alguns a experiência é fugaz ou gera estranheza, é porque a lembrança desses instantes ao despertar depende do grau de desmaterialização e da capacidade de o cérebro físico registrar impressões que pertencem, originalmente, ao campo extrafísico.
A mecânica desse desprendimento está vinculada ao perispírito, o corpo fluídico que serve de traço de união entre a alma e a matéria. Quando ocorre a emancipação, as percepções do Espírito se expandem consideravelmente, pois deixam de estar filtradas pelos limitados órgãos dos sentidos. Léon Denis, em sua obra “No Invisível”, na Segunda Parte, capítulo 18, observa que no estado de desprendimento, os sentidos materiais vêm a ser pouco a pouco substituídos pelos sentidos psíquicos, os meios de percepção e de atividade aumentam em proporções tanto mais consideráveis quanto mais completo é o desprendimento. Essa ampliação da consciência permite que a criatura se desloque no espaço, visite entes queridos e receba instruções em esferas superiores, confirmando que a vida é um fluxo ininterrupto de experiências.
Embora o sono seja o momento mais habitual para esse desprendimento, a Doutrina Espírita esclarece que a alma pode recobrar sua independência, em graus variados, mesmo durante o estado de vigília. Esse desligamento parcial ocorre sempre que os laços fluídicos que prendem o Espírito à matéria se desapertam, permitindo que a percepção espiritual se sobreponha aos sentidos físicos. Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, na questão 447, assevera que o fenômeno conhecido como dupla vista ou segunda vista é, em essência, a própria vista da alma, que permite ao indivíduo ver, ouvir e sentir além dos limites dos sentidos humanos, sem que o corpo esteja adormecido.
Além da dupla vista, encontramos manifestações de independência espiritual no sonambulismo (natural ou provocado) e no êxtase, estados nos quais a alma, mais livre da pressão carnal, pode percorrer distâncias, observar acontecimentos remotos e entrar em comunhão com o mundo invisível. Em casos mais raros e acentuados de emancipação, ocorre a bicorporeidade, onde o Espírito de uma pessoa viva pode se tornar visível e até tangível em um local diferente de onde se encontra o seu corpo físico. Conforme explica o Codificador em “Obras Póstumas”, essa separação não exige necessariamente o sono profundo, podendo verificar-se sempre que houver uma certa absorção ou desligamento das coisas terrenas, ainda que a criatura esteja em atividade aparente.
Consideramos, portanto, que a sensação de “sair do corpo” relatada por tantos brasileiros pode ocorrer espontaneamente em momentos de profunda meditação, prece ou mesmo por efeito de crises físicas e emocionais que alteram o equilíbrio entre o Espírito e o corpo. Novamente, Denis, em “No Invisível", observa que nessas circunstâncias os sentidos materiais são gradualmente substituídos pelos sentidos psíquicos, ampliando a consciência para além do invólucro material. Essas experiências, independentemente de ocorrerem durante o sono ou na vigília, servem como provas irrecusáveis da existência e da imortalidade da alma, demonstrando que somos seres imateriais temporariamente vinculados a um corpo, mas jamais escravizados por ele.
Essa compreensão mais ampla nos leva a manter a vigilância mental constante, pois nossa alma está em contínuo intercâmbio com a vida espiritual, participando de uma realidade muito mais vasta do que a percebida pelos nossos olhos materiais.
É por essa razão que esse conhecimento nos impõe uma importante responsabilidade moral e o exercício pleno do livre-arbítrio. Para onde nos dirigimos quando estamos desprendidos do corpo? A resposta reside na lei de afinidade. Nossas escolhas, pensamentos e sentimentos durante o estado de vigília funcionam como um ímã que determina a natureza de nossas excursões espirituais durante o repouso. Kardec reforça em O Livro dos Espíritos, na questão 407, que o Espírito recobra a sua liberdade quando os sentidos se entorpecem e aproveita para se emancipar em todos os instantes de descanso que o corpo lhe oferece. Assim, se cultivamos ideais de fraternidade e buscamos o progresso moral enquanto acordados, nossa alma buscará companhias e ambientes condizentes com esses propósitos durante o sono.
Diante desses fatos, percebemos que a ciência caminha para reconhecer que o homem é muito mais que um conjunto de reações bioquímicas. A convivência social e o progresso espiritual da sociedade terrestre dependem desse despertar para a realidade invisível. Reconhecer a imortalidade da alma e sua independência em relação à carne auxilia na superação do medo da morte e no fortalecimento da solidariedade, pois compreendemos que fazemos parte de uma família universal cujos laços transcendem as fronteiras físicas. Estas estatísticas servem como um pedido à vigilância mental e ao cultivo da prece antes do descanso, transformando o período de repouso em uma escola de futuro e um laboratório de renovação, onde aprendemos a viver, progressivamente, a vida livre do Espírito que nos aguarda em plenitude.
Equipe doutrinária do Espiritismo.net