Possibilitar o suicídio assistido é um ato de humanidade

Resumo da Notícia:
A reportagem apresenta uma análise sobre o debate ético e jurídico em torno do suicídio assistido, defendendo-o como um gesto de compaixão e respeito à dignidade humana. O texto explora o argumento de que indivíduos em situações de sofrimento extremo ou doenças terminais irreversíveis deveriam ter o direito garantido por lei de encerrar a própria vida com auxílio médico. A discussão foca na autonomia pessoal e na humanização do processo de morrer, sugerindo que a permissão legal para tal ato evita a prolongação de dores insuportáveis e respeita a vontade soberana do paciente sobre seu destino final.
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Comentário sobre a notícia:
O tema levantado pela reportagem nos faz repensar sobre o que realmente significa a dignidade e a compaixão diante das provas mais acerbas da jornada humana. O conceito de humanidade é percebido e expandido pelo Espiritismo para além dos limites da biologia, alcançando a dimensão do Espírito imortal. Quando a sociedade discute a possibilidade de abreviar a vida para cessar o sofrimento, ela o faz, muitas vezes, sob o prisma do materialismo, que enxerga na morte o fim absoluto das sensações. No entanto, o conhecimento das leis espirituais nos revela que a vida prossegue ininterrupta e que o corpo físico é apenas o instrumento temporário para o progresso da alma.
A ideia de que o suicídio assistido seja um ato de humanidade baseia-se na vontade de aliviar a dor do próximo, o que é um sentimento nobre. Contudo, essa visão ignora a finalidade pedagógica das dificuldades que enfrentamos. Compreendemos que o sofrimento não é um castigo arbitrário, conforme trazem os Instrutores Espirituais, mas uma ferramenta de reajuste e burilamento moral. Como nos esclarece Emmanuel, na obra “O Consolador”, questão 106, o homem não possui o direito de praticar a eutanásia ou auxiliar no suicídio em caso algum, mesmo que pareça uma medida benfazeja. Ele reforça que a agonia prolongada pode ter uma finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito para a vida imortal. A interrupção deliberada desse processo pode privar o ser de reflexões e quitações indispensáveis, retardando sua verdadeira libertação espiritual.
A questão do livre-arbítrio também é central nesta discussão. Temos a liberdade de agir, mas estamos irremediavelmente vinculados à lei de causa e efeito. O desrespeito ao tempo natural da vida física gera repercussões dolorosas na consciência que desperta no plano espiritual. Em “O Evangelho segundo o Espiritismo’, capítulo V, item 28, o Espírito São Luís traz uma advertência contundente ao afirmar que ninguém pode estar certo de que o termo de uma existência chegou, malgrado as aparências, e exorta-nos a minorar os sofrimentos quanto possível, mas guardando-nos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro. Esse minuto final, que aos olhos humanos parece inútil, pode representar o instante do arrependimento ou da compreensão que altera todo o destino de uma alma na eternidade.
Também, a solidariedade e a convivência social são postas à prova nesses momentos. A verdadeira humanidade manifesta-se no amparo incessante, no desenvolvimento dos cuidados paliativos e na presença afetuosa que sustenta a esperança. Quando a ciência e a sociedade se unem para oferecer a morte, elas podem estar se esquecendo de oferecer os recursos da alma que tornariam a vida suportável até o seu desenlace natural. Conforme as lições contidas em “Memórias de um Suicida”, psicografia da saudosa Yvonne do Amaral Pereira, obra que detalha as graves consequências da morte voluntária, aprendemos que o suicídio não traz o esquecimento ou o aniquilamento, pois não atinge o Espírito, mas agrava as sensações de angústia de quem pretendia fugir delas. O Espírito, ao despertar do outro lado, percebe que a morte foi uma quimera e que as responsabilidades negligenciadas tornam-se fardos ainda mais pesados.
Portanto, o posicionamento espírita diante dessa notícia é de vigilância e amorosa fraternidade. A autonomia individual deve ser respeitada, mas a educação para a imortalidade nos mostra que o maior ato de liberdade é a aceitação resignada das leis divinas, que buscam sempre o nosso bem maior. Como coletividade, é preciso investir em uma medicina que console e em uma espiritualidade que esclareça, lembrando-nos de que cada existência é um patrimônio sagrado e que o verdadeiro ato de humanidade consiste em ajudar o próximo a vencer suas provas com dignidade, paciência e a certeza de que a Luz de Deus jamais nos abandona, mesmo nas sombras da enfermidade mais profunda. Somente compreendendo a vida como um aprendizado contínuo é que daremos ao fim da jornada terrena o caráter de um regresso triunfal à pátria espiritual.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net