Homem que pilotava avião se feriu na queda; aeronave pousou em cima da linha férrea.

Agentes da polícia precisaram correr contra o tempo para realizar um salvamento cinematográfico no domingo (9) na Califórnia, nos Estados Unidos.

Imagens feitas com uma câmera presa no uniforme de um dos policiais mostram o perigoso resgate de um piloto acidentado que pousou numa linha de trem. Veja no VÍDEO clicando aqui.

Toda a ação gravada não durou mais que 20 segundos, tempo em que a locomotiva se aproximava da carcaça da aeronave.

Assim que os agentes retiraram o piloto, visivelmente ferido, dos escombros, o trem destrói a aeronave e arremessa seus destroços.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram o trem se aproximando fazendo sinal para que saiam da frente e pedaços da aeronave sendo projetados para o ar após o impacto.

Além do piloto, não há informações de mais nenhum ferido no incidente.

 

Notícia publicada no G1, em 10 de Janeiro de 2022

 

Elaine Bayma de Moraes* comenta

 

Temos hora certa para desencarnar?

Quem  lê esta notícia  do Portal G1 poderia pensar ou dizer que o piloto acidentado nos EUA “nasceu de novo “ ou “enganou duas vezes  a morte”. Além de ter sobrevivido a uma queda, na linha férrea, com o avião que pilotava, em seguida foi salvo, por ágeis policiais, de ser atingido por um trem que se aproximava.

A partir desse fato, indagamos: já nascemos com data certa para desencarnar? Quando se escapa ou não se escapa de um acidente temos sorte, azar ou os acontecimentos são obra do acaso?

Essas são perguntas recorrentes para as quais nem sempre encontramos respostas convincentes. No entanto, são vários os exemplos de pessoas que desistem na hora H, por algum motivo, de uma viagem, seja de avião, ônibus ou carro e posteriormente ficamos sabendo de um acidente com o veículo em questão. Nesse caso, alguns diriam que são pessoas “com sorte”. Ou seria a “mão” da Providência Divina?

Mas então por que outros não têm a mesma “sorte” e são inexoravelmente alcançados pela morte física? Em relação à pandemia, que já causou mais de 623 mil mortes até agora no Brasil, essas pessoas  teriam realmente que desencarnar nesse período?

Talvez não tenhamos respostas tão precisas a todas essas indagações.  Mas sob a ótica espírita, por um  lado achamos explicação em nosso tempo encarnatório (ou prazo de validade) que não é tão inflexível assim, ou seja,  não há um rigor tão matemático. 

Contudo  é certo que encarnamos com um período de vida estimado, que pode ser para 20,  60, ou 80 anos, por exemplo, variando de indivíduo para indivíduo e considerando-se  as necessidades encarnatórias de cada um. Isso quer dizer que nascemos no mundo material com  determinada quantidade de fluido vital para os anos de vida programados. Já se vamos cumprir  esse tempo, aí é que vários fatores devem ser levados em conta.

Se em alguns casos temos um  potencial genético  no corpo que cuida da nossa longevidade, também  temos o nosso livre-arbítrio, por meio do qual podemos abreviar nosso tempo de vida corporal se nos entregarmos a excessos e vícios que prejudicam bastante nossa saúde. Lembramos do caso de André Luiz que muito se surpreendeu quando, ao chegar ao mundo espiritual, foi tido como suicida involuntário, justamente devido aos abusos cometidos na vida corporal, na área da alimentação.

E o que dizer então daqueles  que amam adrenalina e escolhem viver perigosamente, praticando esportes radicais como alpinismo, paraquedismo, ou rapel, entre outros? São escolhas que muitas vezes acabam em acidentes irreversíveis.

Então, somos espíritos encarnados mas não de modo absoluto sob a ação de um rígido determinismo, pois se assim o fosse não seríamos mais do que meros robôs. Podemos abreviar ou estender, sob certos limites, nosso período na vida física.

Sobre essa questão, Emmanuel nos esclarece  no livro “O Consolador” :

 “Estabelecida a verdade de que o homem é livre na  pauta de sua educação e de seus méritos, na lei das provas, cumpre-nos reconhecer que o próprio homem, à medida que se torna responsável, organiza o determinismo da sua existência, agravando-o ou amenizando-lhe os rigores, até poder elevar-se definitivamente aos planos superiores do Universo.”1

Abreviar ou prolongar sofrimentos, até mesmo estender o tempo de nossa vida corpórea, depende de nossas atitudes e escolhas. Quando se faz, por exemplo, um trabalho dedicado ao bem, é possível se conseguir uma sobrevida ou prolongar mais um pouco o tempo destinado ao espírito encarnado, a que alguns se referem como uma “moratória” de vida.

Assim, modificar nosso planejamento encarnatório depende de nós. Lembramos o conhecido caso de Saturnino Pereira, operário de uma tecelagem, que deveria perder um braço em um acidente na máquina, pela atuação da Lei de Causa e Efeito, mas que acabara perdendo apenas um dedo devido ao excelente trabalho no bem que vinha exercendo.2

 Em nossas encarnações devemos passar por provas, muitas vezes escolhidas por nós mesmos, que podem ou não ser bem-sucedidas. No entanto, achamos mais fácil atribuir à má sorte os insucessos que vivenciamos. E quando algumas pessoas não conseguem “escapar” da morte, de forma inesperada ou em acidente,  em geral dizemos que foi uma fatalidade.

Mas segundo o “Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec (pergunta 853), fatal mesmo só o instante da morte: “Qualquer que seja o perigo que nos ameace, se a hora da morte ainda não chegou, não morreremos?”

—Não.  Não perecerás e tens disso milhares de exemplos. Porém, quando soar a hora da partida, nada poderá impedir que partas.

O “Livro dos Espíritos” esclarece ainda que a fatalidade existe apenas nas funções que o homem desempenha na vida terrestre “em consequência do gênero de vida que o espírito escolheu como  prova, expiação ou missão”. Mas como o homem é dotado  de livre-arbítrio, e pode fazer prevalecer sua vontade, é possível mudar o curso do seu “destino”; assim,  “nunca há fatalidade nos atos da  vida moral”.

Tudo isso nos sinaliza que quer tenhamos encarnado para uma vida breve ou longa, o que importa é aproveitar a oportunidade  da reencarnação para fazermos valer a pena a atual existência. Se estamos vivos, há tempo. Há tempo para adquirir conhecimento, desenvolver habilidades, estudar, aprender,  promover a reforma necessária e trabalhar no bem, pelo próximo e por nós mesmos. Antes que a vida — ou a morte (física) — nos surpreenda.

 

* Elaine Bayma de Moraes, carioca, bacharel em Comunicação/Jornalismo (UFRJ) espírita, trabalhadora da Congregação Espírita Francisco de Paula e colaboradora do site Espiritismo.net no Atendimento Fraterno off line.

 

Referências

 

1 “O Consolador”, espírito Emmanuel, psicografia de Chico Xavier

2  “Aqui se faz, aqui se repara”,  Gerson Simões Monteiro

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