
Resumo da Notícia:
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou dados alarmantes que revelam a profunda conexão entre a vulnerabilidade social e as mudanças climáticas. Segundo o relatório, a grande maioria das pessoas que vivem em situação de pobreza extrema está localizada em áreas geográficas severamente ameaçadas por desastres naturais, como inundações, secas prolongadas e tempestades intensas. Essa realidade cria um ciclo de precariedade, no qual as populações com menos recursos financeiros possuem a menor capacidade de recuperação após eventos climáticos extremos. O estudo reforça a necessidade urgente de políticas públicas globais que integrem a assistência social à preservação ambiental, visando proteger aqueles que mais sofrem com o desequilíbrio do planeta.
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https://www.undp.org/pt/brazil/press-releases/quase-80-dos-pobres-do-mundo-vivem-em-regioes-expostas-riscos-climaticos
Comentário:
Ao abrirmos as páginas dos noticiários e nos depararmos com estatísticas tão graves sobre a dor de nossos semelhantes, o coração muitas vezes se aperta em busca de respostas que a lógica puramente material não consegue oferecer. A notícia de que a imensa maioria dos mais necessitados habita justamente as regiões de maior risco climático chama nossa atenção para uma reflexão profunda sobre a lei de solidariedade e a justiça divina. Esclarece-nos a Doutrina Espírita que a Terra não é apenas um amontoado de rochas e água, mas uma escola abençoada de aprimoramento espiritual, onde nada acontece por mero acaso ou fatalidade cega.
É doloroso perceber que o progresso tecnológico e científico da humanidade, que nos permitiu cruzar oceanos e explorar o espaço, ainda não foi capaz de extinguir a chaga da miséria e da injustiça social. Como bem observa Léon Denis em sua obra “Depois da Morte”, no capítulo 8, os progressos efetuados na ordem física e intelectual são notáveis, mas o adiantamento moral parece, por vezes, estagnado, pois sacrificamos os interesses da alma em favor de um bem-estar material que não alcança a todos. Essa lacuna entre o que sabemos fazer e o que sentimos pelo próximo é a causa real de muitos dos tormentos que afligem o mundo moderno.
Muitos podem questionar por que Deus permitiria que tantas criaturas enfrentassem provações tão rudes em regiões assoladas por flagelos naturais. No entanto, Allan Kardec esclarece no capítulo V de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, ao tratar da justiça das aflições, que as vicissitudes da vida derivam de uma causa e, pois que Deus é justo, justa há de ser essa causa. A desigualdade social e as dificuldades geográficas são, muitas vezes, o cenário de expiações coletivas e provas necessárias para o reajuste de almas que, em passados distantes, abusaram do poder ou da riqueza, e hoje retornam ao seio da Terra para aprender o valor da simplicidade e da dependência mútua.
Ao mesmo tempo, essa situação é um chamado direto para aqueles que detêm mais recursos e segurança. A posse da riqueza ou de uma posição geográfica protegida não é um privilégio para o gozo egoísta, mas uma missão de auxílio. O forte deve ser o apoio do fraco, e o rico o administrador dos bens de Deus em favor dos que nada têm. Se a humanidade soubesse administrar os recursos do planeta segundo as leis de caridade e amor ao próximo, a Terra produziria o suficiente para todos, e o supérfluo de uns supriria a carência de outros.
A crise climática que expõe os mais pobres é também um reflexo da nossa própria desarmonia espiritual. Nossos pensamentos e atos criam atmosferas fluídicas que influenciam o ambiente em que vivemos. Quando a humanidade se eleva moralmente, o planeta também se transforma, caminhando para ser um mundo de regeneração, onde a dor deixará de ser o principal aguilhão do progresso. Emmanuel, na obra “Caminho, Verdade e Vida”, no capítulo 1, nos alerta que a maioria dos homens ainda não percebe os valores infinitos do tempo e não medita na harmonia das circunstâncias em favor do seu aperfeiçoamento espiritual.
Portanto, diante dessa notícia, nossa atitude não deve ser apenas de lamentação, mas de serviço e oração ativa. Cada gesto de fraternidade, cada esforço para diminuir a desigualdade e cada oração pelos que sofrem nas “zonas de sombra” do mundo contribuem para o levantamento moral da humanidade. Lembremo-nos de que somos todos herdeiros da vida eterna e que o nosso verdadeiro tesouro é o bem que fazemos aos outros. Trabalhar para que nossos irmãos tenham um porto seguro contra as tempestades da vida é a forma mais sublime de amar a Deus e construir, desde agora, o Reino de Paz em nossos próprios corações.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net