Autor: 
Nara Coelho

“Crivo da razão! ” é o instrumento que devemos utilizar para selecionar as informações que recebemos, ensina-nos Allan Kardec, o codificador do espiritismo.

Seguindo este alerta, somos poupados de muitos posicionamentos que nos atrasam a caminhada evolutiva. Isto se dá, por exemplo, sobre o há não muito descoberto “Evangelho segundo Judas”.

Com o espiritismo, temos uma visão muito real de Jesus e do por que de sua passagem pela Terra. Ele não é Deus, nem parte d'Ele. Tampouco veio à Terra para salvar-nos dos pecados do mundo, mesmo porque os pecados continuam no mundo e os homens envolvendo-se com eles. Jesus é um espírito altamente iluminado, o maior de todos, segundo, também, o afirmou João Batista, e que veio à Terra para ensinar aos seus irmãos menores as leis divinas que ele dominava e vivenciou.  Sua tarefa é eminentemente educadora, por isto ele aceitou o título de Mestre. Seus ensinos nos libertam dos erros milenares,  para, em conseqüência, conseguirmos construir um mundo melhor pela boa utilização do livre-arbítrio.

Assim, Jesus esperava, e ainda espera, que  conheçamos estas leis, que têm no amor sua base maior, e a partir deste conhecimento nos transformemos para o bem, plantemos a paz e, enfim, estabeleçamos o Reino de Deus em nossos corações, o que, naturalmente, se expandirá por toda a sociedade.

Por isto, Jesus, sabiamente, nos ensinou a amar o próximo como a nós mesmos e a orar pelos que nos perseguem e caluniam. Este ensinamento é plenamente aceito pela razão, pois nos faculta a própria valorização, afastando as culpas destruidoras, conduzindo-nos ao auto-perdão, chancela para a libertação que nos favorece a compreensão dos erros do nosso próximo, seja quem for. A partir de então, nossa consciência, naturalmente, combaterá o egoísmo, abrindo-se para o altruísmo que promove o bem, sempre. Ao orar pelos que nos perseguem e caluniam, Jesus nos ensina a sair da faixa vibratória de quem nos deseja o mal e, desta maneira, não recebê-los. Além do mais, estaremos, ainda, envolvendo nosso inimigo em vibrações de amor, enfraquecendo-o para a realização do mal. Simplesmente pagando o mal com o bem, como o Mestre nos ensinou de outra feita.

Pedro, o seu apóstolo, aprendeu a lição e resumiu: “O amor cobre a multidão dos pecados.”  É  a clara lição de que só o amor neutraliza o mal, que nós  não conseguimos entender. E  por termos essa dificuldade é que, ainda, somos capazes de dar ouvidos a uma apreciação tão absurda quanto a de aceitar que Jesus tenha pedido a Judas que o traísse, para liberta-lo do corpo físico (a história de Judas é outra).

Tal pedido seria um verdadeiro atentado contra toda obra de Jesus. Um contra-senso! Não precisaríamos ir muito longe. Basta imaginarmos, por exemplo, Francisco de Assis: ele jamais pediria a um de seus companheiros que o traísse para conduzi-lo à morte. E Madre Tereza de Calcutá, faria isto? E Chico Xavier? E Gandhi? E tantos outros benfeitores da humanidade, espíritos de escol, mas muito inferiores a Jesus, jamais fariam isto, imaginemos o Mestre!! Simplesmente porque Jesus não envolveria o seu próximo, no caso Judas, em um ato coberto de covardia e de erro, comprometendo-o pela eternidade afora. Tampouco procuraria a própria morte! Ninguém vem ao mundo para errar, para ser assassino, para induzir alguém a qualquer crime. Quem o faz é por puro atraso moral, o que não é, logicamente, o caso de Jesus!

Um outro ponto que podemos abordar, ainda que rapidamente, é que o espiritismo reconhece o Velho e o Novo Testamentos como livros feitos pelo homem e, portanto, passíveis de erros. Aí deverá entrar, de novo, o crivo de nossa razão. O mesmo pensamento vale para esta nova abordagem, segundo Judas, que pode ser a radiografia de um posicionamento contrário a Jesus, por quem escreveu, notadamente porque o manuscrito é considerado como do III século do Cristianismo, época da sua institucionalização, que acabou por transfigurá-lo.

Jesus não precisaria de quem o traísse , especialmente por motivos tão pequenos em relação à grandiosidade de sua obra. A sua força moral dominava a todos e a tudo. Ele teria recursos para fazer o que quisesse tanto para salvar-se como para morrer. Mas preferiu, com o amor e respeito que tem a toda humanidade, deixar que usássemos o livre-arbítrio para decidir o que deveria ser feito, o que denotaria o aprendizado ou não de seus ensinos. E, pelo “rodar da carruagem” parece que estamos muito longe de compreendê-los. Pobres de nós! 

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