Nidal al-Mughrabi

Grupos palestinos de defesa de animais estão cuidando de cães e gatos de rua feridos durante o conflito de 11 dias entre militantes do Hamas e Israel, durante o qual Gaza foi atingida por centenas de ataques aéreos israelenses.

Ao menos 253 pessoas foram mortas em Gaza, e mais de 1.900 ficaram feridas, disseram autoridades de saúde palestinas.

Os militares israelenses estimaram em 13 os mortos em seu país, e centenas foram tratados de ferimentos depois que salvas de foguetes do Hamas causaram pânico e fizeram pessoas de locais distantes como Tel Aviv correrem para abrigos.

Saeed El-Aer, proprietário da Sociedade Sulala de Tratamento e Cuidado de Animais, está vasculhando as ruas de Gaza em busca de cães e gatos abandonados e lhes fornecendo medicamentos, alimentos e abrigo.

"Ainda estamos recebendo chamadas sobre gatos e cães feridos na guerra, e ainda estamos tentando encontrá-los para ajudá-los", disse ele.

Assim que foi acertado um cessar-fogo na sexta-feira, após as piores hostilidades entre o Hamas e Israel em anos, Aer correu para seu abrigo de animais, construído em um pedaço de terra que o município lhe deu em Zeitoun, no subúrbio leste da Cidade de Gaza.

"Encontrei todos os cães do lado de fora. Estavam tristes, com medo e aterrorizados", disse ele à Reuters, acrescentando que os bombardeios israelenses destruíram parte da cerca exterior.

"Fiquei surpreso de ver um jumento morto e outro cavalo ferido, que depois morreu. Encontrei cães feridos por estilhaços, e ainda estou tratando-os."

Notícia publicada no portal Terra em 25 de maio de 2021

Alessandra Belo* comenta

A presente notícia evidencia os cuidados dos homens para com os animais feridos em um contexto infeliz trazido pela inferioridade humana : as guerras violentas que ainda assolam a humanidade. No entanto, um feixe de luz parece iluminar àqueles que ao invés de apoiarem a morte sanguinolenta procuram proteger os seres criados por Deus, sejam eles humanos ou animais.

Essas organizações que se prestam a esse trabalho de caridade para com os animais vão ao encontro dos ensinamentos espíritas que os colocam como seres criados pelo amor de Deus, havendo, inclusive, no homem o corpo ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital. O princípio vital, como aprendemos por meio dos ensinamentos dos Espíritos, dá vida à matéria, sem ele, só há matéria inerte. Sem fluido vital a matéria permanece inanimada ou inativa, o que nos leva a crer que os animais também são filhos de Deus.

A doutrina Espírita possui importantes esclarecimentos sobre os atributos desses seres, tanto na vida encarnada como no além-túmulo. De fato, o Livro dos Espíritos dispõe de um item específico sobre os animais denominado “Os animais e o homem”. Nas perguntas que vão de 592 a 610 presentes nessa obra da Codificação Espírita, os espíritos deixam bastante explícito que há nos animais um princípio independente da matéria que sobrevive ao corpo, uma vez que esses seres têm “inteligência, porém limitada. ” Ela é limitada porque diz respeito a uma inteligência da vida material, enquanto no homem, a inteligência proporciona a vida moral”. Todavia, é importante assinalar que a origem da inteligência no homem e no animal é a mesma, o que é denominado pelos espíritos como sendo o “elemento inteligente universal”, sendo que no homem, ela passou por uma elaboração que a coloca acima da que existe no animal”.  

Ainda segundo os espíritos, os animais também possuem uma alma que é, no entanto, inferior à do homem, havendo entre essas duas uma “distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus. ” Com efeito, eles ainda não possuem livre-arbítrio por não terem consciência de seu “eu”, o que seria principal atributo do Espírito inteligente. São os próprios espíritos que cuidam dos animais depois de suas desencarnações, classificando-os e utilizando esses seres rapidamente de acordo com as leis divinas.

Dito isso, é importante assinalar um ensinamento sublime dos espíritos, que consiste no esclarecimento de que nossos bichanos também fazem parte da cadeia de evolução programada pela criação divina. Segundo os espíritos, “tudo em a Natureza se encadeia e tende para a unidade. E nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito. Entra então no período da humanização, começando a ter consciência do seu futuro, capacidade de distinguir o bem do mal e a responsabilidade dos seus atos”.

 Em outras palavras, os animais estão constantemente evoluindo e chegarão ao estado de Espírito (humano) quando for o momento propício, o que nos leva a pensar que os seres humanos tem o dever de colaborar para a evolução de seus irmãos menores. Esses seres são definidos no Livro dos Espíritos, como “servidores inteligentes” do homem, o que nos leva a crer, que devem ser tratados com amor e devotamento pelo homem como vimos no noticiário acerca dos animais feridos na Palestina, que foram atendidos e acolhidos pelos homens que se dedicam a sua proteção. Com bem afirmaram os espíritos, os animais não são simples máquinas, como supondes.  É preciso que reconheçamos “a grandeza de Deus nessa admirável harmonia, mediante a qual tudo é solidário na Natureza. Acreditar que Deus haja feito, seja o que for, sem um fim, e criado seres inteligentes sem futuro, fora blasfemar da sua bondade, que se estende por sobre todas as suas criaturas”.

*Alessandra Belo é colaboradora do Espiritismo.net, pós-graduada e professora de História da Rede Municipal de Praia Grande, em SP.

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