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    • ONU diz que países devem reparar danos causados pela escravidão e pelo tráfico transatlântico

    A Organização das Nações Unidas declarou que os países e governos envolvidos historicamente na escravidão e no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas devem promover ações de reparação pelos danos causados. Equipe Doutrinária do Espiritismo.net assina o comentário.

    • Data :22/09/2026
    • Categoria :

    ONU diz que países devem reparar danos causados pela escravidão e pelo tráfico transatlântico

    Ilustração histórica de pessoas negras escravizadas sendo transportadas em pequenas embarcações até navios maiores em um porto, com uma cidade litorânea e montanhas ao fundo. No canto superior esquerdo, destaca-se o logotipo azul 'Espnet'

    Resumo da Notícia:

    A Organização das Nações Unidas declarou que os países e governos envolvidos historicamente na escravidão e no tráfico transatlântico de pessoas escravizadas devem promover ações de reparação pelos danos causados. O comitê especializado da instituição ressaltou a necessidade de implementar políticas públicas de justiça reparatória e de combate aos impactos sociais, econômicos e estruturais da discriminação racial oriunda desses eventos históricos.

    Acesse a notícia completa no link:
    https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2026/08/31/onu-diz-que-paises-devem-reparar-danos-causados-pela-escravidao-e-pelo-trafico-transatlantico.ghtml

    Comentário sobre a notícia:

    A recomendação feita por órgãos internacionais para que nações reparem os danos decorrentes do tráfico de seres humanos e da escravização assinala uma importante tomada de consciência na sociedade humana. O reconhecimento dos equívocos do passado representa um passo indispensável no caminho do progresso, demonstrando como as instituições terrenas se movimentam em direção ao respeito à dignidade humana e à fraternidade universal.

    A Doutrina Espírita ensina que a lei natural de liberdade é patrimônio outorgado por Deus a todas as criaturas e que a subjugação de um ser por outro constitui uma grave violação dessa ordem soberana. Allan Kardec, na obra “O Livro dos Espíritos”, na questão 829, ao tratar do cativeiro e da dominação, declara expressamente que: “É contrária à Lei de Deus toda sujeição absoluta de um homem a outro homem. A escravidão é um abuso da força. Desaparece com o progresso, como gradativamente desaparecerão todos os abusos.” Fica evidente que qualquer sistema calcado no cativeiro decorre do orgulho e do egoísmo ainda dominantes nas fases iniciais da marcha planetária. Em complemento, André Luiz, na obra “Missionários da Luz”, no capítulo 4, afirma com clareza que: “a lei divina jamais endossou o cativeiro e nunca sancionou a escravidão!”

    A perpetuação de desigualdades sociais e o preconceito de raça encontram explicação e solução no entendimento da reencarnação. O Espírito imortal renasce sucessivas vezes em diferentes etnias, posições sociais, culturas e sexos para adquirir as experiências necessárias ao seu aprimoramento. Essa alternância demonstra que as diferenças físicas e sociais são meras vestimentas temporárias, sem poder de alterar a essência espiritual que é idêntica para todos os filhos de Deus. Allan Kardec, no capítulo I, item 36 da obra “A Gênese”, esclarece a importância desse princípio ao registrar que: “com a reencarnação, desaparecem os preconceitos de raças e de castas, pois o mesmo espírito pode tornar a nascer rico ou pobre, capitalista ou proletário, chefe ou subordinado, livre ou escravo, homem ou mulher. De todos os argumentos invocados contra a injustiça da servidão e da escravidão, contra a sujeição da mulher à lei do mais forte, nenhum há que prime, em lógica, ao fato material da reencarnação.” Por consequência dessa lei natural, a fraternidade universal se estabelece como realidade decorrente da própria estrutura do universo.

    Além do aspecto individual, a Justiça Divina opera por meio da lei de causa e efeito, alcançando também os agrupamentos coletivos, como famílias, cidades e nações. Os abusos praticados no passado por um povo geram compromissos morais que solicitam reajuste e reparação ao longo dos séculos. A reparação histórica solicitada pelas diretrizes internacionais traduz o imperativo espiritual de restaurar o equilíbrio e proporcionar igualdade de oportunidades. Allan Kardec, na primeira parte da obra “Obras Póstumas”, ao examinar as faltas coletivas, elucida que: “As faltas dos indivíduos, as da família, as da nação, e cada uma, qualquer que seja o seu caráter, se expiam em virtude da mesma lei.” As reparações promovidas pelos governos constituem recursos de fraternidade e justiça distributiva que auxiliam a amenizar os prejuízos acumulados e a construir uma sociedade justa.

    A perspectiva espiritual amplia a compreensão sobre a solidariedade entre todos os membros da família humana. Aqueles que no passado atuaram como opressores frequentemente retornam em condições modestas ou no seio das populações desfavorecidas, experimentando as consequências da escassez e da discriminação, ao mesmo tempo em que vítimas do passado renascem para liderar movimentos de elevação moral. Essa constante permuta de papéis aproxima as almas e desfaz as ilusões de superioridade. A verdadeira reparação se realiza quando a sociedade adota a educação moral, a solidariedade ativa e o amor ao próximo como norteadores de suas ações. Na medida em que o entendimento espiritual se difunde, os preconceitos se dissolvem, o egoísmo cede lugar à cooperação e a humanidade avança unida em direção a tempos de paz.

    Equipe Doutrinária do Espiritismo.net