
Resumo da Notícia:
Fotografias tiradas no deserto da Namíbia registram uma fêmea de elefante transportando o corpo de um filhote natimorto pelo leito seco de um rio durante várias horas. Observações de campo indicam que a pequena criação pertence a outra fêmea do grupo e que a elefanta repete esse comportamento anos após perder a própria criação. Especialistas na área de conservação apontam a ocorrência de luto e processamento de traumas emocionais em animais silvestres, situação agravada pelas secas severas e pela disputa por água com populações humanas na região.
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https://www.bbc.com/portuguese/articles/c63r583p3pw4o
Comentário sobre a notícia:
O comportamento observado entre os elefantes na Namíbia chama a atenção para a riqueza da vida emocional presente no reino animal. A atitude da fêmea ao amparar o corpo do filhote por horas seguidas indica afeto, sensibilidade e laços de carinho que vão muito além do simples instinto de sobrevivência. Há algo ali que toca qualquer observador: o silêncio do bando, a lentidão do passo, a recusa em abandonar o pequeno corpo. A Doutrina Espírita traz luz a essas manifestações ao explicar o desenvolvimento gradual das faculdades da alma ao longo das etapas da evolução planetária.
A bagagem afetiva em contínua expansão acompanha as diversas espécies em seu aprendizado terrestre. Os laços de carinho e a capacidade de vivenciar a dor expressam o fortalecimento do princípio inteligente no caminho de crescimento espiritual, e o sentimento desabrocha gradativamente na natureza. Como observa Léon Denis, na obra “Depois da Morte”, na primeira parte, capítulo 24, “como a matéria é incapaz de amar e sentir, forçoso é que se admita neles a existência de uma alma em estado embrionário”.
O empenho da elefanta ao acolher a pequena criação de outra mãe acompanha esse aprendizado contínuo. Há na cena a beleza de um sentimento de solidariedade maternal que prepara o ser para etapas mais adiantadas na ordem universal, fortalecendo os vínculos que unem os membros de uma mesma comunidade. Os Instrutores Espirituais, em “O Livro dos Espíritos”, na questão 607a, esclarecem que “nesses seres, cuja totalidade estais longe de conhecer, é que o princípio inteligente se elabora, se individualiza pouco a pouco e se ensaia para a vida, conforme acabamos de dizer. É, de certo modo, um trabalho preparatório, como o da germinação, por efeito do qual o princípio inteligente sofre uma transformação e se torna Espírito”, entrando na fase da humanização.
O cuidado e o afeto presenciados entre os animais apontam para o parentesco espiritual que une a todos em uma grande família universal, onde cada espécie cumpre seu papel no plano da Criação. O amigo Emmanuel, no livro “O Consolador”, na questão 79, destaca a união existente na natureza ao explicar que “o mineral é atração. O vegetal é sensação. O animal é instinto. O homem é razão. O anjo é divindade”, salientando a necessidade de reconhecer a infinidade de laços que unem a vida nos valores gradativos da evolução.
As dificuldades enfrentadas pelos rebanhos na África, decorrentes do clima adverso e da escassez de água, ressaltam também o dever humano no cuidado com a fauna e com o meio ambiente. O auxílio aos animais integra a conduta moral e fortalece a harmonia entre as diferentes expressões de vida no planeta. As experiências vividas pelas diferentes espécies no mundo físico ajudam na fixação de novos recursos mentais e emocionais que favorecem o progresso continuado. A dor e a dedicação observadas na natureza indicam que todos os seres vivos compartilham a mesma origem divina e o mesmo destino feliz. A compreensão sobre a imortalidade e a evolução contínua ilumina os laços de fraternidade que sustentam a jornada de todos na Criação, oferecendo consolo e esperança diante dos desafios da existência.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net