
A notícia relata o trágico falecimento de uma recém-nascida de apenas um mês em Serra Leoa, após ser submetida à mutilação genital feminina (MGF). A prática, realizada tradicionalmente como um rito de iniciação, causou complicações graves que levaram ao óbito da criança. O ocorrido gerou forte comoção e renovou as pressões de ativistas e organizações internacionais para que o governo local criminalize a prática, que ainda é legal e amplamente disseminada no país sob justificativas culturais.
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https://www.bbc.com/portuguese/articles/c8x5yzjze8do
Comentário:
A notícia da morte de uma bebê de apenas um mês, na Gâmbia, após ser submetida à mutilação genital feminina, abalou consciências e reacendeu o debate sobre práticas culturais que violam a dignidade humana e da discriminação de gênero estrutural. Embora proibida por lei desde 2015, a prática ainda persiste, a mutilação ainda é realizada em nome de tradições e crenças ancestrais. Segundo a UNICEF, em seu informativo anual de 2023 contra essas práticas, estima-se que 76% das mulheres gambianas já tenham sido mutiladas. Ativistas e organizações internacionais alertam que somente a mudança de mentalidade, unida à educação moral e espiritual, poderá erradicar definitivamente essa forma de violência.
Conforme os ensinamentos de Jesus e da Doutrina Espírita, esse episódio nos convida a refletir sobre os limites entre cultura e moral divina, por se tratar de uma grave violação da Lei de Amor e de Justiça, ou seja, as Leis Divinas inscritas na consciência humana.
Jesus viveu em uma sociedade profundamente patriarcal, ainda assim, suas atitudes foram revolucionárias ao valorizar as mulheres. Ele as viu como filhas de Deus, dignas de amor, respeito e liberdade.
O Espiritismo ensina que o progresso moral é inevitável, mas depende do esforço individual e coletivo. Em “O Livro dos Espíritos" (questões 753 e 754), os Espíritos Superiores explicam que a crueldade é resultado “da falta de desenvolvimento do senso moral”. Quando a ignorância domina e “a matéria prepondera sobre o Espírito”, as tradições humanas são mantidas mesmo quando ferem os princípios da lei natural — a Lei de amor e justiça divina.
Jesus, em sua sabedoria eterna, no Evangelho de Mateus (19:14), disse: “Deixai as crianças e não as impeçais de virem a mim, pois delas é o Reino dos Céus.”. Ele afirma que não devemos extirpar a pureza das crianças com atitudes de crueldade.
A criança é um espírito em fase de renovação, entregue aos cuidados dos adultos para ser amparado e educado. Causar-lhe dor é atentar contra a vontade divina. O ato que ceifou a vida dessa bebê simboliza a persistência da cegueira moral, que ainda confunde fé com costume e religião com opressão.
A Doutrina Espírita, em “O Evangelho segundo o Espiritismo" (cap. XI e XII), lembra que a verdadeira religião é a do amor, e que “fora da caridade não há salvação”. Isso significa que toda prática que gera sofrimento, mesmo em nome da tradição, distancia o homem da lei de Deus.
A mutilação genital feminina é, portanto, incompatível com o Evangelho do Cristo, pois fere o corpo, a dignidade e o direito à integridade de menina e mulheres. O Espiritismo também nos ensina que a tradição não justifica violência. Costumes que ferem a dignidade humana precisam ser superados à medida que a humanidade evolui moralmente, substituindo o medo e o fanatismo pela compreensão espiritual e pelo amor ativo.
A morte dessa criança não deve ser apenas lamentada, mas convertida em um chamado à consciência global. A cultura e a fé só têm valor quando promovem a vida, e não quando a destroem. Aprendemos com Jesus e compreendemos com o Espiritismo que não há justificativa espiritual para a violência.
Que esse triste episódio inspire a humanidade a lutar contra toda forma de mutilação física e moral, lembrando que cada ser é um filho de Deus em jornada evolutiva. E que, um dia, possamos viver em um mundo onde nenhuma tradição se sobreponha à lei maior do Cristo: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.” (Mateus 22:37-39)
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net