A morte da cantora sertaneja Marília Mendonça em um acidente de avião em Minas Gerais foi destaque na capa dos sites de alguns dos principais veículos de imprensa do mundo na sexta-feira e neste sábado, como Guardian, Washington Post, La Repubblica e Spiegel.

 O americano New York Times disse que "suas legiões de fãs foram empoderadas pelas letras de suas canções, que imploravam às mulheres que rejeitassem relacionamentos ruins e abusivos, e contavam histórias de personagens imperfeitos."

"Mendonça foi uma sensação nas redes sociais, com 7,8 milhões de seguidores no Twitter, 22 milhões no YouTube e mais de 38 milhões no Instagram."

O jornal (....) lembrou uma reportagem de 2019 da NPR, a rede de rádios públicas dos Estados Unidos, que falava que "alguns nos círculos cosmopolitas do Brasil desprezam as baladas country de Mendonça e as consideram 'brega', ou 'cafona'".

Naquela reportagem, a NPR falava de Mendonça: "Sentimental ou não, suas canções oferecem uma perspectiva feminina que não é muito ouvida na cultura machista do sertanejo, e isso faz de Mendonça a voz principal de um novo subgênero chamado 'feminejo' — música por e para mulheres".

A NPR também destacou a morte da cantora neste sábado, com a manchete em seu site: "Marília Mendonça, cantora brasileira e ganhadora do Grammy Latino, morre em acidente de avião".

'País em choque'

A CNN destacou: "A notícia da morte da carismática vencedora do Grammy Latino, conhecido como 'A Patroa' por seus milhões de fãs, chocou o país na sexta-feira".

A notícia era uma das mais lidas na manhã deste sábado (6/11) no site em inglês de notícias da BBC.

"Vencedora do Grammy Latino em 2019, Mendonça ficou famosa por focar nas experiências das mulheres com relacionamentos fracassados", escreve a BBC News.

"Um dos maiores nomes da música country brasileira conhecida como sertanejo, Mendonça começou sua carreira ainda adolescente, e se tornou uma estrela nacional em 2016 com um hit sobre infidelidade."

"Ela era conhecida como a 'Rainha do Sofrimento' do país."

A BBC News também destacou a popularidade da cantora na internet.

"No ano passado, como os shows foram cancelados por causa da pandemia, ela se apresentou em uma série de shows online. Um deles estabeleceu o recorde de transmissão ao vivo mais assistida do mundo, com 3,3 milhões de espectadores no YouTube. Em 2020, ela foi a artista mais ouvida no Brasil no Spotify."

A cantora Marília Mendonça, 26 anos, morreu na tarde de sexta-feira em um acidente de avião perto de uma cachoeira na serra da cidade de Piedade de Caratinga, no interior de Minas Gerais.

Mais quatro pessoas que estavam na aeronave morreram, incluindo piloto e copiloto.

Autora de diversos hits sertanejos, Marília estava em uma aeronave de pequeno porte, da fabricante Beechcraft, a caminho de shows que faria neste fim de semana. Uma das apresentações aconteceria na cidade de Caratinga, a poucos quilômetros de Piedade, na noite desta sexta-feira.

Ela deixa um filho de 1 ano e 10 meses de idade. O velório deve acontecer neste sábado (6) de manhã, em Goiânia.

(....) O acidente trouxe à tona novamente a discussão sobre o índice de incidentes envolvendo a aviação particular no país. Aviões particulares — em geral, de menor porte, como o usado pela cantora — estão envolvidos na maior parte dos acidentes de aviação no país.

                                  

Notícia publicada na BBC News Brasil em 06 de Novembro de 2021

 

Suely Marchesi* comenta:

 

 A desencarnação trágica por acidente da jovem cantora Marília Mendonça movimentou as redes sociais, com as pessoas compartilhando sua tristeza pela partida de um nome forte e promissor da música nacional. Marília fazia questão de falar sobre relacionamentos abusivos e de que os mesmos não deveriam ser levados adiante, entre outros assuntos do coração.

Outros talentos foram levados assim, também, no auge de suas carreiras. Quem não se lembra ou ouviu falar dos Mamonas Assassinas, ou do cantor Leandro? Do acidente com o time de futebol do Chapecoense, acompanhado de equipe e de jornalistas? Além destas pessoas mais conhecidas, em outubro houve um desmoronamento em Paraisópolis, e um deslizamento de terra numa gruta onde bombeiros civis faziam treinamento de resgate, em Altinópolis. Neste mês de dezembro, vários talentos promissores nos deixaram... E nem é preciso comentar o incidente de 11 de setembro de 2001.  É recorrente ouvirmos sobre essas situações que levam várias pessoas a desencarne, pessoas boas, pessoas talentosas, pessoas comuns, pessoas unidas por uma boa causa, pessoas que estavam apenas vivendo seus afazeres do dia-a-dia.

Ironia divina? Incompetência dos protetores espirituais?

Sempre ouvi que “Deus escreve certo por linhas tortas”... O que eu traduzia na minha cabeça como “Não somos capazes de entender os motivos de Deus”. Isso até conhecer a Doutrina Espírita. Ela nos ensina que as Leis de Deus são perfeitas, e que não há erros, descuidos, motivos ocultos e incompreensíveis ou ironias. E que há a questão do uso do livre arbítrio, que todos possuímos; nossa consciência, na verdade, é nosso pior e mais cruel juiz, e muitas vezes não nos dá trégua até que reparemos o mal que fizemos um dia.

Mas do que estou falando? Essas pessoas morreram por culpa delas mesmas? Por “karma”? E as pessoas que as amam e estão sofrendo? Não interessa? E a dor e aflição dessas mortes? E o (possível) abandono de seus familiares?

Não é isso. A Dor é uma professora muito, muito dura, mas justa. A espiritualidade, em “O Livro dos Espíritos” e em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, dá muitas explicações. Da mesma forma, em “Céu e Inferno” e, mais tarde, na “Revista Espírita”, vários espíritos contam suas histórias e o quanto sofrem por arrependimentos que sentem de ações passadas, e do quanto desejam redimir-se de alguma maneira. Os livros de André Luiz, psicografados por Chico Xavier, detalham com minúcias os planos reencarnatórios de pessoas que voltam ao corpo físico para “resgatar” faltas de outras vidas, que escolhem até defeitos físicos nos corpos que terão, para que não errem novamente. Os mentores e responsáveis tentam amenizar os problemas que a pessoa terá na reencarnação em questão, mas às vezes ela mesma não quer, preferindo “resolver logo”.

Tudo isso para que entendamos algumas coisas a respeito das Leis de Deus... e do quanto elas são realmente perfeitas.

Somos criados “em branco”, e com permissão de fazermos tudo que quisermos, até mesmo o mal. Afinal, nossos corpos são mortais, mas nosso Espírito não. Ele segue aprendendo, por milênios, utilizando outros corpos, em outros lugares e com outras pessoas como companheiras de viagem (ou não), até aprendermos o que é o mal, e porque ele não é desejável. E que não basta não fazer o mal, mas que devemos fazer o bem... sem motivo, só porque podemos fazê-lo. E que o que sofremos no processo de aprendizado (por mais cruel que pareça) não é castigo ou compensação, pois Deus não exige isso de nós. Nossa consciência é que planeja e define o que nos acontecerá para que consigamos ficar em paz com nossos erros e deixar essa falha para trás, que é o objetivo. As famílias também concordam, lá no plano espiritual, na fase de planejamento, com sua participação nisso, de acordo com seus próprios planos. Às vezes, concordam em participar apenas para que a pessoa tenha a oportunidade de passar por aquela experiência, já que é preciso um corpo físico para esses resgates, mesmo sabendo da dor que sofrerão.

Nosso sentimento pelos envolvidos, de tristeza e de lamento por suas vidas e planos de futuro, por seus familiares enlutados, é sincero e válido. A maioria de nós conhece a dor da separação de uma pessoa querida, e pode se solidarizar com estas famílias. O que não podemos é nos deixar levar pelo interesse mórbido (fotos dos acidentes, por exemplo, sempre veiculados na internet) e pela falta de caridade com os envolvidos. Uma prece sincera em sua intenção pode fazer muita diferença, já que o pensamento é veículo de muitas benesses. Uma ação mais direta pode ser possível no caso de proximidade com as famílias, mas nunca pode ser invasiva.

“Resgates coletivos”, como são conhecidos, são planejados com muito cuidado e dificuldade pelos mentores espirituais de todos, pois precisam sincronizar os que devem desencarnar e afastar os que não devem: quem nunca ouviu uma história de alguém que “escapou” de um incidente desses por muito pouco?

Não é fácil aceitar que esses eventos são, na verdade, parte da bondade de Deus para com estas pessoas, que a partir de agora estarão livres de sentimentos ruins com relação a seus passados espirituais e poderão seguir evoluindo sem esse peso. Mas firmar o pensamento em seu bem-estar e enviar-lhes vibrações de carinho é exercício de caridade que todos podemos fazer, sem embaraço.

 

Referências:

“O Livro dos Espíritos”, “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, “Céu e Inferno” e “Revista Espírita”, de Allan Kardec

“Missionários da Luz”, pelo Espírito André Luiz, psicografia de Chico Xavier

 

* Suely Marchesi é Arquiteto Urbanista pelo Mackenzie, Pós graduada em Pedagogia Espírita pela ABPE/Unisanta. É Artesã e Professora de Desenho Técnico e de Computação Gráfica. Estudante da Doutrina Espírita desde 1995, é colaboradora do espiritismo.net.

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