Autor: 
Juana de Jesús

Espíritas! amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo, assim disse o Espírito de Verdade (João 16:13[1]) em comunicação no ano de 1860, em Paris[2]. O amor do qual falava o venerável Espírito é a caridade sábia, daí a necessidade do segundo ensinamento. A instrução nos levará a saber amar da maneira para a qual fomos criados. Como nos instruir, porém, para a elevação do amor em um mundo onde o mal parece haver corrompido todas as fontes?

É por meio da palavra falada e escrita que as instruções têm sido transmitidas ao longo do tempo, enquanto ainda caminhamos para o ensino pelo próprio exemplo. É, ainda, por esta forma, que o homem recebe o patrimônio de experiências sagradas de quantos o antecederam no mecanismo evolutivo das civilizações[3].

E quem não gostaria de conhecer os gênios do passado? Seus pensamentos mais íntimos? Quem não se jubilaria em ouvir-lhes os ensinamentos acolhedores e a contemplar-lhes as visões? 

Não é, pois, por acaso, que os ensinos do Mestre Jesus foram escritos. Na impossibilidade de pregarmos o Evangelho em nossos sentimentos, pensamentos e atos, o Novo Testamento estava na programação evolutiva do orbe terrestre com o objetivo de assegurar a instrução à Humanidade pelo roteiro certo ao Caminho, à Verdade e à Vida.

Mais tarde, chegaria o Consolador, o Paracleto prometido pelo próprio Cristo Jesus (João 14:26[4]; 15:26[5]), mostrando o conhecimento das coisas, explicando ao homem de onde ele vem e para onde ele vai, elencando com toda clareza as leis divinas que regem o Universo[6]. Consolados, nós, os seres aflitos, tornar-nos-íamos bem-aventurados (Mateus 5:4[7]), destino certo e seguro do Espírito imortal que se encontra em aflição por ajudar o engrandecimento coletivo, por lutar para dominar-se e transformar-se em instrumento fiel de manifestação da Vontade do Senhor da Vida[8].

O Sermão da Montanha (Mateus 5, 6 e 7) já continha toda a doutrina da felicidade. Não poderia, porém, ser facilmente compreendido. Era necessário que alcançássemos a maturidade espiritual para recebermos a chave para decifrá-lo. E os Espíritos vieram e se fizeram ouvir em todos os cantos do mundo, de muitas formas: mesas girantes, pancadas, escrita direta e indireta, psicofonia, materializações, dentre outras (Mateus 16:18)[9].

Era exatamente a missão ao qual estavam encarregados: em primeiro lugar, chamar nossa atenção para os fenômenos que feriam os nossos sentidos e, em segundo lugar, trazer-nos instruções para o futuro certo, das quais, nós, também, somos encarregados de espalhar. Nos dizeres do Espírito Santo Agostinho[10]: Com este objetivo é que ditamos “O Livro dos Espíritos”.

A primeira obra espírita ditaria igualmente o futuro da literatura espírita. Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade[11], disseram os Espíritos a Allan Kardec ao informa-lo sobre a sua destinada missão em relação a escritura de tal livro.

Trazendo os princípios da imortalidade da alma e da reencarnação, da pluralidade dos mundos habitados, da comunicabilidade entre Espíritos, encarnados e desencarnados, e da crença em Deus e na Sua Justiça misericordiosa, a literatura espírita alteraria os entendimentos da população mundial para a construção do Reino de Deus no coração. Graças a ela, sabemos hoje que a nossa salvação depende apenas da caridade que vivenciarmos e que o Céu o e o Inferno são apenas estados interiores, não sendo limitados por espaços físicos. O Céu está em toda parte aonde haja um coração amando.

Por isso, o livro espírita é, para Denis[12], o amigo sincero e, para  Emmanuel, o amigo sempre disponível para dialogar conosco, ensinando-nos o melhor caminho para a aquisição da paz e da felicidade que aspiramos a encontrar.[13] Por ele, colocamo-nos em contato com os sábios, os gênios, e bebemos de sua fonte. Assim sendo, a divulgação da Doutrina Espírita, da água viva, é a maior caridade que podemos fazer por ela[14]. O trabalho de divulgação dos escritos espíritas é um nobre esforço, a benefício da criatura humana e de toda a comunidade, que aprenderá com os Espíritos superiores.[15]

A literatura espírita é, portanto, desde o princípio, essencial para desvendar os véus do Caminho. O Evangelho é o farol; a literatura espírita, o manual de instruções para ensinar a dirigi-la.  É, pois, luz para novos, presentes e antigos tempos!

 

REFERÊNCIAS

DENIS, Léon. Depois da Morte: exposição da Doutrina dos Espíritos: solução científica e racional dos problemas da vida e da morte: natureza e destino do ser humanos; as vidas sucessivas. 28. ed. – 7 imp. Brasília: FEB, 2019.

KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 131. ed. Brasília: FEB, 2013.

______. O Livro dos Espíritos. 93. ed. – 1. imp. Brasília: FEB, 2013b.

XAVIER, Francisco. Entender conversando: entrevistas. Pelo Espírito Emmanuel. IDE, 2005.

______. Não te aflijas. Pelo Espírito Emmanuel. Reformador. Jan 1952. Rio de Janeiro: FEB, 1952.

______. O Consolador. Pelo Espírito Emmanuel. 29. ed. Brasília: FEB, 2016.

XAVIER, Francisco; VIEIRA, Waldo. Estude e viva. Pelo Espírito Emmanuel e André Luiz. 14. ed. – 7. imp. Brasília: FEB, 2020.


[1] “Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.” (João 16:13)

[2] KARDEC, 2013.

[3] XAVIER, 2016. q.124

[4] “Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:26)

[5] “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.” (João 15:26)

[6] KARDEC, 2013.

[7] “Bem-aventurados os aflitos, porque serão consolados.” (Mateus 5:4)

[8] XAVIER, 1952.

[9] “[...] sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”(Mateus 16:18)

[10] KARDEC, 2013b.

[11] Ibid.

[12] DENIS, 2019.

[13] XAVIER, 2005.

[14] XAVIER; VIEIRA, 2020.

[15] XAVIER, 2005.

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