
Resumo da Notícia:
A reportagem discute a ascensão da chamada “Grief Tech” no Brasil, que utiliza inteligência artificial para criar chatbots e avatares de pessoas falecidas com base em seus dados digitais, como áudios, textos e vídeos. O objetivo dessas ferramentas é oferecer conforto aos enlutados, simulando conversas com o ente querido. A matéria ressalta que, embora a tecnologia possa parecer um alento imediato, ela levanta importantes discussões éticas e psicológicas sobre a necessidade de vivenciar o luto de forma natural e os riscos de manter uma conexão artificial que pode dificultar a aceitação da perda e o desapego necessário.
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https://fastcompanybrasil.com/ia/ia-para-conversar-com-os-mortos-brasileiros-demonstram-interesse-crescente/
Comentário:
Em nossa caminhada terrestre, é profundamente humano o desejo de manter o contato com aqueles que amamos e que já atravessaram a grande fronteira. A tecnologia, em sua constante busca por soluções para os dilemas da alma, agora nos apresenta a inteligência artificial como uma ponte para “conversar” com os que partiram. Sob a luz do Espiritismo, contudo, essa novidade nos convida a uma reflexão que vai além do alívio imediato da saudade. Compreendemos que a morte não é o aniquilamento da vida, mas uma simples mudança de estado, como quem passa do sólido ao gasoso. Mas será que um simulacro digital, construído sobre rastros de dados, pode realmente substituir a vibração de um Espírito vivo, consciente e em plena evolução?
A Doutrina Espírita nos ensina que a verdadeira consolação nasce da compreensão das leis divinas e não apenas da repetição mecânica de frases que lembram o passado. O Espírito Emmanuel, na obra “Caminho, Verdade e Vida”, no capítulo 11, intitulado Conforto, nos traz uma advertência valiosa para os dias atuais: “é imprescindível ponderar que não será justo querer alguém confortar-se, sem se dar ao trabalho necessário”. O luto, embora doloroso, é um processo de amadurecimento e de reajuste espiritual. Tentar cristalizar a presença de quem partiu por meio de uma máquina pode, muitas vezes, adiar a aceitação indispensável para que a alma de quem ficou e a de quem partiu sigam seus roteiros de progresso. O conforto real não é como o pão do mundo, que passa mecanicamente de mão em mão, mas como o Sol, que penetra onde não há redutos fechados para as sombras.
Precisamos considerar que o Espírito desencarnado continua sua jornada de aprendizado e, muitas vezes, necessita de silêncio e preces sinceras para se refazer das impressões da matéria. No livro “Nosso Lar”, aprendemos com André Luiz que o intercâmbio com o plano invisível exige responsabilidade e que a alma, após a morte física, se encontra em fases de recuperação que não devem ser perturbadas por inquietações excessivas da retaguarda terrestre. A inteligência artificial, ao mimetizar a personalidade e os trejeitos de um ente querido, cria uma ilusão que prende o afeto ao que a pessoa foi, e não ao que ela é hoje: um ser redivivo, habitante da realidade maior.
O grande objetivo de nossa existência é o despertamento da consciência para a vida eterna. Como pontua Manoel Philomeno de Miranda em “Nas Fronteiras da Loucura”, ao Espiritismo cabe a grandiosa tarefa de diluir das mentes o pavor da morte, educando os homens sobre a maneira de encará-la, ao mesmo tempo ensinando a valorização da vida. A ferramenta tecnológica procura silenciar a dor da ausência com um pálido reflexo do passado, mas a Doutrina Consoladora nos permite transformar essa dor em sementeira de luz e trabalho. A prece e a prática do Culto do Evangelho no Lar são os verdadeiros recursos de comunicação, pois estabelecem uma ligação de coração para coração, sintonizando mentes em uma faixa de amor puro e recíproco auxílio.
É fundamental lembrar que o pensamento é uma força criativa e que todos vivemos na onda psíquica com a qual nos identificamos. A comunicação com o Além-Túmulo é regida pela lei das afinidades e das vibrações harmônicas. Enquanto a IA opera com códigos eletrônicos, o Espírito responde ao apelo do afeto leal e da oração fervorosa. Cultivar a presença espiritual através do bem praticado em nome de quem partiu é a melhor forma de homenagem, pois cria uma ponte de luz que a morte não consegue destruir.
Assim, ao observarmos o interesse crescente por essas inovações, façamos um chamado à vigilância e ao equilíbrio. Que a saudade não se torne uma algema tecnológica que nos impede de caminhar para o futuro. A vida continua intensa e bela em ambos os planos, e o amor verdadeiro sabe esperar o reencontro nas esferas de luz. Lá, as almas se abraçarão sem a necessidade de intermediários eletrônicos, mas na plenitude da consciência despertada para a imortalidade. Sigamos servindo e amando, na certeza de que Deus nos proporciona todos os meios para a nossa redenção, bastando que saibamos buscar o essencial na simplicidade do Evangelho e na voz da nossa própria consciência.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net