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    • Humanos são naturalmente violentos? Novo estudo questiona antiga teoria

    Pesquisadores da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, analisaram comportamentos de 100 espécies de primatas e encontraram pouca relação evolutiva entre conflitos rotineiros e agressões letais. O estudo, publicado na revista científica Evolution Letters, sugere que manifestações moderadas de agressividade e comportamentos extremos, como infanticídio ou ataques fatais contra adultos, não devem ser entendidos simplesmente como diferentes graus de uma mesma tendência. Equipe Doutrinária do Espiritismo.net assina o comentário.

    • Data :27/10/2026
    • Categoria :

    Humanos são naturalmente violentos? Novo estudo questiona antiga teoria

    Grupo de pessoas discutem em um parque urbano ao pôr do sol, enquanto um homem mais velho gesticula com as mãos, mediando um diálogo entre um jovem e duas mulheres. Ao fundo, a paisagem urbana iluminada pelo sol. No canto superior direito, destaca-se o logotipo azul 'Espnet'

    Resumo da Notícia:

    Pesquisadores da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, analisaram comportamentos de 100 espécies de primatas e encontraram pouca relação evolutiva entre conflitos rotineiros e agressões letais. O estudo, publicado na revista científica Evolution Letters, sugere que manifestações moderadas de agressividade e comportamentos extremos, como infanticídio ou ataques fatais contra adultos, não devem ser entendidos simplesmente como diferentes graus de uma mesma tendência. Os resultados questionam modelos que tratam a agressividade como uma característica única e linear, indicando que diferentes formas de conflito podem estar relacionadas a pressões sociais e evolutivas distintas.

    Acesse a notícia completa no link:
    https://exame.com/ciencia/humanos-sao-naturalmente-violentos-novo-estudo-questiona-antiga-teoria/

    Comentário sobre a notícia:

    A violência faz parte da natureza humana ou é apenas uma expressão possível de tendências que, ao longo da evolução, podem assumir diferentes formas? A pergunta ganha novos contornos diante de uma pesquisa que analisou 100 espécies de primatas, incluindo a espécie humana, e encontrou pouca relação evolutiva entre agressões moderadas e comportamentos letais. Em outras palavras, conflitos cotidianos e atos de violência extrema não parecem constituir simplesmente diferentes graus de uma mesma característica agressiva.

    O resultado não significa que a evolução tenha deixado de ter influência sobre o comportamento humano, nem que a violência possa ser explicada apenas por fatores sociais ou culturais. A contribuição do estudo está em mostrar que a agressividade é mais complexa do que uma escala única, na qual bastaria aumentar a intensidade dos conflitos para chegar à violência letal.

    Essa distinção oferece um campo fértil para a Doutrina Espírita. Se o Espírito não nasce moralmente pronto, tampouco traz consigo o mal como destino inevitável. Allan Kardec, na questão 115 de “O Livro dos Espíritos”, ensina: “Deus criou todos os Espíritos simples e ignorantes, isto é, sem saber”, destinados a progredir pelo conhecimento e a aproximar-se da perfeição.

    Ao longo dessa trajetória, o ser humano conserva tendências ligadas às etapas primitivas de sua evolução. Kardec observa, em “A Gênese”, capítulo III, item 10, que as raízes das paixões e dos vícios encontram-se no instinto de conservação, especialmente intenso nos seres mais próximos da animalidade, “sem o contrapeso do senso moral”. Não se trata, portanto, de considerar tais impulsos como uma condenação, mas de compreender que aquilo que um dia esteve ligado à preservação e à disputa pode, sob a ação da razão e do sentimento, ser progressivamente educado e transformado.

    É nesse ponto que a visão espírita encontra uma das suas maiores riquezas, pois é capaz de reconhecer os vestígios da animalidade no ser humano sem reduzir o ser humano a eles. A agressividade pode manifestar-se de diferentes maneiras, mas não define, por si só, a natureza espiritual. O progresso está exatamente na capacidade de transformar impulsos, educar desejos e ampliar a consciência para além dos interesses individuais.

    A Mentora Joanna de Ângelis, em “Amor, Imbatível Amor”, sintetiza essa ideia ao afirmar que “o mal, remanescente dos instintos agressivos, predomina enquanto a razão deles não se liberta”. E acrescenta que o ser humano está destinado a superar os condicionamentos do percurso evolutivo, desenvolvendo gradualmente as aptidões que ainda permanecem adormecidas.

    Tal perspectiva também permite olhar para a violência de maneira menos fatalista. Se ela não pode ser reduzida a uma única característica biológica, tampouco precisa ser encarada como sentença sobre o futuro da humanidade. Há tendências que necessitam de educação, experiências que exigem amadurecimento e comportamentos que precisam ser responsabilizados e transformados. Mas há, igualmente, a possibilidade permanente de progresso.

    Assim, a questão mais fecunda não está em perguntar se o ser humano é naturalmente violento, mas no que ele faz com aquilo que ainda traz de primitivo em si. A evolução espiritual começa quando o instinto deixa de ser senhor e passa a ser educado pela razão, pela consciência e pelo amor. E, nessa caminhada, a fraternidade não representa uma ingenuidade diante da personalidade humana, mas uma das expressões mais altas de sua transformação.

    Equipe Doutrinária do Espiritismo.net