
A matéria explora o debate científico e evolutivo sobre a exclusividade nos relacionamentos humanos. Destaca que, embora a monogamia seja rara entre mamíferos, ela se estabeleceu na humanidade como uma estratégia social e de sobrevivência, visando a proteção da prole e a estabilidade das comunidades. A notícia levanta questões sobre se essa prática é uma imposição biológica ou cultural, mencionando que o comportamento humano oscila entre impulsos instintivos e as construções sociais de fidelidade.
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A análise científica sobre a monogamia nos convida a um olhar profundo sobre a nossa própria trajetória como Espíritos em aprendizado na Terra. O Espiritismo nos ensina que a humanidade vive um longo processo de transição, saindo da predominância dos instintos animais para a conquista da razão e, futuramente, da angelitude. A notícia menciona que a monogamia não é a regra absoluta na biologia, mas, sob a óptica espírita, ela representa um marco de evolução moral e espiritual. Como nos esclarece Allan Kardec em “O Livro dos Espíritos”, na questão 701, a poligamia é uma lei humana cuja abolição marca o progresso social, pois o verdadeiro casamento deve se fundar na afeição sincera dos seres que se unem. Assim, o que a ciência chama de “estratégia social”, a Doutrina Espírita identifica como o desabrochar do senso de responsabilidade e do amor sobre o desejo meramente físico.
Faz muito sentido o estabelecimento de laços duradouros quando compreendemos que o sexo não é apenas um fenômeno biológico de reprodução, mas um atributo da alma que exige discernimento. André Luiz, na obra “Evolução em Dois Mundos”, no capítulo 18, explica que “a monogamia é o clima espontâneo do ser humano”, pois permite que, através da alma eleita, a criatura realize a união ideal do raciocínio e do sentimento. Essa união cria um binário de forças capaz de gerar não apenas corpos físicos para novos irmãos que reencarnam, mas também grandes obras de inteligência e bondade que enriquecem o mundo. Ter um parceiro só, portanto, facilita a permuta sublime de energias e o auxílio mútuo, transformando o relacionamento em um campo de sustentação espiritual.
Muitas vezes, as dificuldades que as pessoas enfrentam para manter a fidelidade ou a estabilidade no lar decorrem de reflexos condicionados de existências passadas, nas quais ainda éramos dominados pela poligamia animalizada. O Espiritismo nos ajuda a lidar com esses impulsos contemporâneos ao mostrar que o lar é o laboratório de reajustes emocionais por excelência. A mentora Joanna de Ângelis, em “S.O.S. Família”, no capítulo 4, reforça que “o casamento, mediante o seu programa de ideal cristão, é senda redentora para os desajustados e ponte de união para os cônjuges”. Ao escolhermos a disciplina do afeto e a lealdade, estamos, na verdade, limpando nosso passado e construindo um futuro de paz interior.
No dia a dia, aplicar esses princípios significa ver no companheiro ou companheira não um objeto de satisfação pessoal, mas um irmão de caminhada eterna. A vida em um único parceiro faz sentido porque nos convida a sair do egoísmo do prazer fugaz para a construção da felicidade real, que se baseia no respeito, na renúncia e no sacrifício em favor do outro. Quando o amor espiritualiza a união, a necessidade de sensações brutas diminui, dando lugar a uma amizade profunda que a morte não consegue destruir. Portanto, a monogamia, mais do que uma norma social, é uma conquista da alma que aprendeu que amar é, acima de tudo, servir e compreender.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net