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  • Homem negro acusado de triplo assassinato é inocentado e libertado após passar mais de 40 anos preso

Kevin Strickland sempre afirmou que estava em casa assistindo TV quando crimes foram cometidos. Ele foi condenado por júri totalmente branco em 1979 e provas de que única testemunha admitiu ter reconhecido homem errado não foram apresentadas. “Não estou necessariamente com raiva. Isso é muito. Acho que criei emoções que todos vocês ainda não conhecem ”, disse ele aos repórteres ao deixar o Centro Correcional Western Missouri, em Cameron. “Alegria, tristeza, medo. Estou tentando descobrir como colocá-los juntos”. Mabel Velez, comenta.

  • Data :03/01/2023
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Kevin Strickland sempre afirmou que estava em casa assistindo TV quando crimes foram cometidos. Ele foi condenado por júri totalmente branco em 1979 e provas de que única testemunha admitiu ter reconhecido homem errado não foram apresentadas.

Um homem de Kansas City que ficou preso por mais de 40 anos por três assassinatos foi libertado da prisão nesta terça-feira (23), depois que um juiz decidiu que ele foi condenado injustamente em 1979.

Kevin Strickland, de 62 anos, sempre afirmou que estava em casa assistindo à televisão e não teve nada a ver com os assassinatos, que aconteceram quando ele tinha 18 anos.

Ele soube da decisão sobre sua libertação quando a notícia apareceu na televisão enquanto ele assistia a uma novela. Ele disse que os outros presos começaram a gritar.

“Não estou necessariamente com raiva. Isso é muito. Acho que criei emoções que todos vocês ainda não conhecem ”, disse ele aos repórteres ao deixar o Centro Correcional Western Missouri, em Cameron. “Alegria, tristeza, medo. Estou tentando descobrir como colocá-los juntos”.

Ele disse que gostaria de se envolver nos esforços para “evitar que isso aconteça com outra pessoa”, dizendo que o sistema de justiça criminal “precisa ser demolido e refeito”.

O juiz James Welsh, um juiz aposentado do Tribunal de Apelações do Missouri, tomou a decisão depois de uma audiência probatória de três dias solicitada por um promotor do condado de Jackson, que disse que as evidências usadas para condenar Strickland haviam sido retratadas ou refutadas.

Welsh escreveu em seu julgamento que “evidências claras e convincentes” foram apresentadas que “minam a confiança do Tribunal no julgamento da condenação”. Ele observou que nenhuma evidência física ligava Strickland à cena do crime e que uma testemunha-chave se retratou antes de sua morte.

“Nessas circunstâncias únicas, a confiança do Tribunal nas condenações de Strickland é tão prejudicada que não pode ser mantida, e o julgamento da condenação deve ser anulado”, escreveu Welsh ao ordenar a libertação imediata de Strickland.

A promotora do condado de Jackson, Jean Peters Baker, que pressionou pela liberdade de Strickland, agiu rapidamente para rejeitar as acusações criminais para que ele pudesse ser libertado.

“Dizer que estamos extremamente satisfeitos e gratos é um eufemismo”, disse ela em um comunicado. “Isso traz justiça - finalmente - a um homem que tanto sofreu tragicamente como resultado dessa condenação injusta”.

Mas o procurador-geral do Missouri, Eric Schmitt, um republicano que concorre ao Senado dos EUA, disse que Strickland é culpado e lutou para mantê-lo preso.

“Neste caso, defendemos o estado de direito e a decisão que um júri formado pelos pares de Strickland tomou depois de ouvir todos os fatos do caso”, disse o porta-voz de Schmitt, Chris Nuelle, em um breve comunicado. “O Tribunal se pronunciou, nenhuma outra ação será tomada neste assunto”.

O governador Mike Parson, que recusou os pedidos de clemência de Strickland, tuitou simplesmente que: “O Tribunal tomou sua decisão, nós respeitamos a decisão e o Departamento de Correções dará continuidade à libertação do Sr. Strickland imediatamente.”

Crimes

Strickland foi condenado pelas mortes de Larry Ingram, de 21 anos, John Walker, de 20, e Sherrie Black, de 22, em uma casa em Kansas City.

As evidências se concentraram principalmente no testemunho de Cynthia Douglas, a única pessoa a sobreviver aos tiroteios de 25 de abril de 1978. Ela inicialmente identificou Strickland como um dos quatro homens que atiraram nas vítimas e testemunhou isso durante seus dois julgamentos.

Welsh escreveu que teve dúvidas logo após a condenação, mas inicialmente estava “hesitante em agir porque temia enfrentar acusações de perjúrio se retratasse publicamente declarações feitas anteriormente sob juramento”.

Mais tarde, ela disse que foi pressionada pela polícia a escolher Strickland e tentou durante anos alertar especialistas políticos e jurídicos para ajudá-la a provar que ela havia identificado o homem errado, de acordo com depoimentos de sua família, amigos e um colega de trabalho. Douglas morreu em 2015.

Durante a audiência, os advogados do gabinete do procurador-geral do Missouri argumentaram que os defensores de Strickland não forneceram diversos papéis que provavam que Douglas tentou se retratar de sua identificação de Strickland, dizendo que a teoria era baseada em “boatos, boatos e boatos”.

O juiz também observou que dois outros homens condenados pelos assassinatos insistiram posteriormente que Strickland não estava envolvido. Eles citaram dois outros suspeitos que nunca foram acusados.

Durante seu depoimento, Strickland negou sugestões de que ofereceu US$ 300 a Douglas para “manter a boca fechada” e disse que nunca havia visitado a casa onde os assassinatos ocorreram antes.

Strickland é negro, e seu primeiro julgamento terminou com um júri sem unanimidade quando o único jurado negro, uma mulher, pediu a absolvição. Após seu segundo julgamento, em 1979, ele foi condenado por um júri totalmente branco por uma acusação de assassinato capital e duas acusações de assassinato em segundo grau.

Nova lei

Em maio, Peters Baker anunciou que uma revisão do caso a levou a acreditar que Strickland era inocente.

Em junho, a Suprema Corte do Missouri se recusou a ouvir a petição de Strickland.

Em agosto, Peters Baker usou uma nova lei estadual para buscar a audiência probatória no condado de Jackson, onde Strickland foi condenado. A lei permite que os promotores locais contestem as condenações se acreditarem que o réu não cometeu o crime. Foi a primeira vez - e até agora a única - que um promotor usou a lei para combater uma condenação anterior.

“Mesmo com o promotor do seu lado, demorou meses e meses para o Sr. Strickland voltar para casa e ele ainda teve que voltar para um sistema que não fornecerá qualquer compensação pelos 43 anos que perdeu”, disse Tricia Rojo Bushnell, diretora executivo do Midwest Innocence Project, que ficou ao lado de Strickland quando ele foi solto.

O estado só permite pagamentos ilícitos de prisão para pessoas inocentadas por meio de provas de DNA, e por isso Strickland não se qualifica.

“Isso não é justiça”, disse ela. “Acho que estamos esperançosos de que as pessoas estejam prestando tanta atenção e realmente se perguntando ‘como deve ser o nosso sistema de justiça?’”

Notícia publicada no G1 em Novembro de junho de 2022

Mabel Perito Velez*, comenta

O verdadeiro ideal de justiça precisa considerar a vida espiritual e todos os seus matizes, pois as chamadas injustiças não fazem parte dos planos divinos, não existem na sublime roda da vida. Quando passamos por circunstâncias injustas na visão humana, faz-se necessário estender a visão ao infinito e visitar os preceitos da vida imortal para que a concepção de uma Criação perfeita, irremediavelmente justa e solidária, continue presente.

É nas bases da justiça divina, única e perene, que devemos depositar o nosso olhar, ciente de que cada ato do universo obedece a leis sábias, que criam sempre as melhores alternativas para o nosso bem estar real e não aquele que decorre dos momentos fugazes de uma única existência material.

A injustiça deste mundo dói, sem dúvida, e dela recebemos toda a carga de sofrimento que as ocorrências mais difíceis nem sempre podem igualar. Mas vamos repetir que a injustiça que aqui identificamos é sempre aparente e esconde uma causa justa, forjada no passado das vivências e experiências que o Ser espiritual que somos desenvolveu em tempos idos, por imprevidência ou desequilíbrio.

Por essa razão, a necessidade tão premente de nos compreendermos como Espíritos imortais, com uma longa história de inúmeras existências passadas, para percebermos que as nossas escolhas propositais ou inconscientes em dado momento podem resultar hoje nas consequências dolorosas que não são simples punições, mas instrumentos importantes para buscar o alívio e é nessa busca que encontraremos as orientações para reposicionar as nossas ideias e atitudes.

Desacertadamente valorizamos apenas o período do berço ao túmulo, sem concatenar com os conhecimentos morais relacionados com a nossa vida imortal e verdadeira. Vivemos como se as conquistas materiais fossem capazes de conferir paz, serenidade ou felicidade, sendo que os valores mais importantes são os morais e espirituais, os únicos que podem de fato proporcionar equilíbrio e harmonia efetiva e duradoura.

Há uma obra espírita, cuja leitura recomendamos vivamente, que abordou o tema de uma condenação supostamente injusta e nela recolhemos grandes ensinamentos sobre a justiça divina - “Amor e Ódio”, de Yvone A. Pereira, com psicografia de Charles.

Podemos ler no referido livro um diálogo final entre dois personagens:* “Compreendes agora, meu caro doidivanas, a razão por que foste condenado aos trabalhos forçados, como o último celerado da França, e não cerimoniosamente encerrado no segredo de uma prisão como Vincennes, por exemplo?… A Guiana foi a misericórdia do Senhor que te socorreu nas ardências das reparações, Gaston. Preso com as atenções devidas às personagens da tua classe social, sucumbirias revoltado e inútil até para ti mesmo, na solidão de um calabouço ou de uma torre inacessível. Mas, no degredo arbitrário era o Divino Mestre que te acenava para os serviços da sua vinha, reservando-te os tesouros da sua Doutrina de Luz, que hoje enriquece a tua mente, com a Renovação Superior que em ti se opera…”*

É justamente nesse sentido que a reencarnação atua, como mestre educadora dos nossos sentimentos e inspiradora das melhores mudanças. A existência física é um estágio onde desenvolvemos o plano previamente concebido para a nossa própria iluminação pessoal, em que nada fica relegado ao acaso e tudo obedece a uma linha traçada para que as nossas conquistas possam se realizar. Esse exílio temporário pode parecer muito rude e inóspito, mas creiamos, é a medida exata para a nossa própria evolução.

Para finalizar, guardemos também a certeza de que os atuais instrumentos da dor, nossos irmãos, que por ignorância ou descaso, se fazem os veículos dos obstáculos e vicissitudes que venhamos a experimentar, também eles estão sob o olhar compassivo de Deus e aguardam o próprio despertar, sem que precisemos lhes direcionar mágoa, ódio ou rancor. Que possamos ser o elo mais esclarecido da corrente e quebrar o ciclo do sofrimento pela via do amor.

*Mabel Perito Velez é formada em administração e colabora com o Espiritismo.net