
Resumo da Notícia:
Um estudo publicado pela revista Lancet Countdown aponta o agravamento dos impactos das alterações no clima sobre a saúde humana em todo o mundo. Em 2023, a exposição ao calor extremo esteve associada a cerca de 710 mil mortes globais, sendo mais de 70% atribuídas ao aquecimento provocado pela ação humana. O relatório destaca a aceleração de secas severas, chuvas intensas e ondas de calor entre 2016 e 2025, com ritmo superior ao da década anterior. No Brasil, episódios como a seca na Amazônia e as enchentes no Rio Grande do Sul mostram desdobramentos diretos na saúde coletiva, gerando surtos infecciosos, agravamento de enfermidades crônicas e contaminação de recursos essenciais. Diante desse cenário, cientistas e a Organização Mundial da Saúde defendem o reconhecimento formal de uma emergência sanitária global, ressaltando que mais de 80% do consumo energético mundial ainda provém de combustíveis fósseis, responsáveis por elevada poluição atmosférica e mortes prematuras.
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https://g1.globo.com/meio-ambiente/noticia/2026/10/28/crise-climatica-causa-danos-cada-vez-maiores-a-saude-e-exige-emergencia-sanitaria-global-apontam-cientistas.ghtml
Comentário sobre a notícia:
O calor extremo esteve associado a cerca de 710 mil mortes em 2023, e mais de 70% delas foram atribuídas ao aquecimento provocado pela ação humana. Secas prolongadas, ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos atingem a vida das populações de diferentes maneiras e deixam claro que as escolhas coletivas repercutem sobre o equilíbrio do ambiente. Essa realidade já não pode ser vista como distante ou restrita a determinadas regiões.
Esclarece a Doutrina Espírita que a Terra é uma escola de aprendizado e progresso, confiada ao ser humano como espaço de experiência e responsabilidade. Os recursos naturais não foram colocados à disposição para o uso inconsequente, mas constituem parte das condições necessárias à vida. Quando interesses imediatos, orgulho ou egoísmo prevalecem sobre o respeito ao bem comum, surgem consequências que alcançam não apenas quem age, mas também a coletividade.
Sobre essa relação entre a conduta humana e as consequências de seus atos, o Espírito Vianna de Carvalho, na obra “Atualidade do Pensamento Espírita”, questão 56, elucida: “A toda agressão corresponde uma reação equivalente, e o mau uso que os homens têm feito dos recursos naturais, o desrespeito pela vida em todas as suas expressões têm gerado consequências desastrosas…”. A observação permanece atual diante dos desafios ambientais que se apresentam e recorda que o progresso material precisa ser acompanhado de responsabilidade diante da vida.
A inteligência, recurso valioso concedido ao ser humano, permite não apenas criar e transformar, mas também prever consequências, corrigir caminhos e encontrar soluções para os problemas que surgem. O desenvolvimento científico e tecnológico já oferece importantes instrumentos para a prevenção de doenças, a proteção das populações e a redução dos danos provocados por eventos extremos. Cabe à sociedade utilizar esses conhecimentos de maneira responsável, colocando-os a serviço da vida e do bem coletivo.
Os Instrutores Espirituais, em “O Livro dos Espíritos”, questão 741, orientam que “Muitos flagelos resultam da imprevidência do homem. À medida que adquire conhecimentos e experiência, ele os vai podendo conjurar, isto é, prevenir, se lhes sabe pesquisar as causas.” A passagem ressalta um aspecto particularmente importante diante da realidade apresentada pela notícia, pois conhecer as causas também agrava a responsabilidade diante das possibilidades de prevenção.
Essa atenção precisa alcançar especialmente aqueles que se encontram em situação de maior vulnerabilidade, uma vez que os efeitos das alterações climáticas não são sentidos de maneira igual por todos. Proteger a qualidade da água, do ar e dos alimentos, preservar as florestas, utilizar os recursos naturais com equilíbrio e preparar as cidades para enfrentar situações extremas são atitudes que superam a dimensão ambiental. São também formas concretas de respeito à vida e de solidariedade.
O benfeitor Emmanuel, na obra “O Consolador”, questão 27, ensina: “A Natureza é sempre o livro divino, onde as mãos de Deus escrevem a história de sua sabedoria, livro da vida que constitui a escola de progresso espiritual do homem…”. Um dos maiores aprendizados diante dos acontecimentos atuais é compreender que cuidar desse “livro” também faz parte da tarefa humana.
O progresso não precisa ser interrompido, mas orientado. Ciência, tecnologia, consciência ambiental e fraternidade podem caminhar juntas, permitindo que os conhecimentos adquiridos pela humanidade sejam empregados não apenas para remediar os danos, mas para preveni-los e proteger a vida. Nesse caminho, cuidar da Terra deixa de ser apenas uma questão ambiental e passa a expressar, igualmente, o compromisso moral de cada um com o presente e com as gerações que virão.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net