Autor: 
André Henrique de Siqueira

Não desfaleças!

 

 

 

- A vida é dura, viu amigo!... - dizia Antenório em tom reflexivo, dirigindo-se ao amigo Augusto.

 -  Mas Antenório, é preciso manter-se firme, sem jamais desfalecer!

 - Como isso é possível, Augusto? Parece que você não vive no mesmo mundo que eu... Em todo lado só se vê desgraças. Você liga a TV, é notícia de desgraça; você abre o jornal, é briga e violência; acessa as redes sociais, é conflito. Cultura superficial, excentricidades de conduta impostas como salutares e completo desrespeito a tudo o que nos parece diferente... Parece que a humanidade enlouqueceu!

 - Amigo, amigo!... É preciso cultivar a paz em si, antes de esperá-la no mundo! Pense comigo: como é que vamos ter uma sociedade educada, quando damos tão pouca atenção à educação? Como viveremos um ambiente de paz, se somos os primeiros a provocar conflitos, tanto nas ideias quanto nas ações? Antenório, Antenório... esperar que o mundo resolva nossos problemas íntimos é o mesmo que desejar colher onde não se plantou.

 - Mas Augusto, você não vê que o mal tem prevalecido em tudo?

 - O que você chama de mal, Antenório, a mim parece a mudança em trânsito...

 - Você é um otimista, Augusto! Olhe a violência em que vivemos! Em torno de nós os conflitos continuam... trocamos os tacapes antigos por bombas sofisticadas na Segunda Guerra Mundial e na atualidade fizemos as guerras tecnológicas e econômicas para submeter povos e nações... Mas continuamos violentos!

 - E você não vê aí o progresso intelectual, que projetou armas nucleares, transformando-se em desenvolvimento moral? Afinal a sociedade está horrorizada com a guerra desde a Primeira Grande Guerra de 1914 e terminamos por construir outras formas de conflito para tentar ações de Paz em toda a humanidade... Dos conflitos têm surgido a necessidade e o entendimento da Paz. Não parece um progresso para você?

 - Augusto, mas a guerra tem crescido! E com ela a violência!

 - Antenório, a violência tem diminuído proporcionalmente. Numericamente ele tem crescido porque a população tem crescido, mas proporcionalmente - quando comparado ao passado - estamos mais pacíficos! E isso é resultado da educação que tem apaziguado os ânimos! Mas precisamos reconhecer que ainda há muito por fazer! Prevalecem as violências na injustiça social, na desatenção aos desvalidos, na falta de cuidado moral com os inteligentes, na ausência de limites para as autoridades, na prevalência da indiferença ao mal etc. Mas é forçoso reconhecer o progresso humano que está em andamento.

 - Mas Augusto, você não vê que no mundo são os violentos que vencem?

 - E onde eles estão? Alexandre, o grande rei macedônio, conquistou o mundo inteiro e entregou seus espólios de guerra à morte inexorável! Bin Laden curvou de medo a civilização contemporânea e deixou o mundo para ser esquecido pelo tempo... Onde a vitória? Antenório, vencer na vida é construir a felicidade em si! Vencer é alcançar a paz! Os vitoriosos da vida estão trabalhando pelo bem comum, inúmeros de maneira silenciosa e de forma invisível! e será das mãos deles que emergirá o nosso futuro. No mais os violentos farão apenas barulho transitório para ausentar-se, vazios do mundo que não souberam dignificar!

 - Você já vem apelando para esses negócios da morte!... - disse Antenório, meio precavido.

 Ao que Augusto arrematou:

 - É que morrer faz parte da vida! E importa saber o que fazemos enquanto estamos na Escola da Terra. Aqui somos trazidos para fazer o nosso melhor! Para construir a nossa própria felicidade apesar das circunstâncias que nos cercam. Buscar a felicidade nas coisas passageiras é garantia de fracasso! Então meu amigo, permaneçamos em atitude construtiva centralizando os nossos esforços na prática do bem comum e precavendo-nos dos acidentes da marcha cultivando a paz e a alegria dentro de nós mesmos, sem desfalecer!

 E seguiram os dois amigos em silêncio, compartilhando no íntimo sinceras reflexões.

andrehsiqueira@espiritismo.net

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