Brasil conta com 89 'gestores executivos da felicidade', ou 'Chief Happiness Officer'. Com chegada da pandemia e aumento de transtornos mentais, ansiedade e depressão nas empresas, procura cresceu 200%, dizem especialistas.

Você já teve ou já pensou em ter um chefe assim: leve, tranquilo, aberto ao diálogo, dinâmico, atencioso e que estimula a equipe? Trabalhar em paz, valorizado, sem estresse e feliz é o sonho de qualquer funcionário.

 É em busca desse bem estar que alguns países, incluindo o Brasil, adotaram o modelo de "Chief Happiness Officer" ou gestor executivo da felicidade. Na Dinamarca, onde o conceito foi desenvolvido primeiro, o modelo existe desde 2003.

No Brasil, desde o ano passado, 89 líderes já possuem capacitação, diz a fundadora do Instituto Feliciência, Carla Furtado. Segundo ela, a pandemia da Covid-19 fez a procura aumentar em 200%, por causa da necessidade de tornar os ambientes corporativos "mais leves", diante do aumento de casos de transtornos mentais, ansiedade e depressão.

"A felicidade do colaborador no ambiente de trabalho é fundamental para o sucesso de uma empresa", diz Carla.

A especialista alerta que muitas empresas são tóxicas para determinadas pessoas. "Tem aquelas com culturas extremamente competitivas, onde nem toda pessoa vai se sentir bem. As empresas também precisam prestar atenção a desvios de conduta instalados e fatores que causam sofrimento. A gente ainda tem assédio moral dentro das organizações e isso tem que ser enfrentado", defende Carla, que também é professora universitária.

Carla avalia que é preciso que a área de Recursos Humanos esteja atenta e ofereça soluções com o apoio da alta gestão. A especialista destaca que cada empresa tem uma cultura diferente em busca de resultados, mas que promover a felicidade no trabalho vai além de ter um "gestor gente boa".

"Não é só promover festinha ou coisa do tipo. Isso é bacana em alguns momentos, mas estamos falando de aprender a liderar para engajar as pessoas de uma forma que elas se sintam bem", diz ela.

 

O método

O método de transformar o ambiente de trabalho por meio da liderança, que garante certificação internacional, o "Chief Happiness Officer", é original da Dinamarca pela Woohoo Partnership, que, atualmente, congrega 40 organizações distribuídas em 30 países como Canadá, Reino Unido, Suíça, Israel, Malásia e Japão.

O trabalho é baseado em programas de felicidade alicerçados na psicologia positiva – "que existe há 21 anos", diz Carla Furtado – e na neurociência. Além dessas áreas de conhecimento científico, também utiliza a tecnologia chamada "Teoria U", de transformação social desenvolvida no Massachusetts Institute of Technology (MIT).

"Tem colaborador que vive dentro de dinâmica de poder adoecedora. O RH [Recursos Humanos] precisa perceber o problema, precisa transformar em números a infelicidade das pessoas para que não haja afastamento e doenças psíquicas dos colaboradores", diz a professora.

"Cada organização enfrenta desafios específicos. A gente tem modalidades de avaliação, como a segurança psicológica, onde o colaborador responde, de forma digital, para termos a leitura de quanto ele pode ser quem ele é, de quanto ele pode aprender com as falhas e quanto pode questionar a forma como a empresa atua", explica Carla.

 

Debate da profissão online e gratuito

Neste domingo (16), o Painel Internacional "Chief Happiness Officer: What's Next?", ou "Diretor de Felicidade. O que vem a seguir?" pretende debater o tema. O evento é gratuito e acontece pelas redes sociais do Instituto Feliciência.

 Além de Carla Furtado, o painel online tema participação de Marta Branquinho Garcia, Chief Happiness Officer portuguesa, e de Sarah Metcalfe, Chief Happiness Officer canadense, que trabalha no Reino Unido.

"Será um painel em inglês, com tradução simultânea para os participantes, no qual vamos debater a evolução do CHO em diferentes países, seus desafios e perspectivas", diz Carla Furtado.

 

Matéria publicada no G1, em 15 de Maio de 2021.

 

Mabel Perito Velez*, comenta

Léon Denis afiança, no livro “O Progresso”, que o mesmo “é a aspiração pelo melhor, pelo belo, pelo bem; é a prova da existência em nós de um princípio superior, de alguma coisa grandiosa, quase divina, que nos encaminha para destinos mais altos, que nos lança sempre para frente, nos domínios do pensamento e da consciência.”

O tema desenvolvido pelo artigo demonstra que o progresso, cingido na evolução dos costumes, já se faz sentir também no meio corporativo. Não apenas o lucro a todo o custo, mas também os cuidados com a felicidade de todos, nos âmbitos pessoal e coletivo.

Isso significa que as dificuldades e as diferenças não são mais equivocadamente consideradas como meros problemas, pontos indesejados a serem evitados, mas oportunidades de efetuar melhorias nos relacionamentos e nas técnicas de gestão do negócio. Sendo devidamente trabalhadas, podem representar importantes avanços nos métodos vigentes e uma aproximação entre a realidade vivenciada e os objetivos propostos.

Do ponto de vista comportamental, é uma característica natural ao homem buscar sempre o seu bem-estar em qualquer situação. Nesse caso, unir esforços em prol de um bem comum, a saúde da empresa, pode garantir o consequente equilíbrio físico, mental e psicológico dos seus colaboradores.

O conceito popular de felicidade costuma envolver a posse de bens materiais, a ausência de dores, vicissitudes e de todos os dilemas, contudo, fica muito aquém do verdadeiro sentido de ser feliz. 

Falta-lhe o entendimento da nossa natureza ainda imperfeita, cujas oscilações em termos de felicidade trazem o elemento educativo de aprendizado, para que esses momentos mesclados de alegria e tristeza, bem-estar e sofrimento assumam os seus papéis na nossa jornada evolutiva.

Em “O Livro dos Espíritos”, na questão 920, Allan Kardec pergunta aos Espíritos se “pode o homem gozar de completa felicidade na Terra?” A resposta afirma que “não, pois a vida lhe foi dada como prova ou expiação. Dele, porém, depende a suavização de seus males e o ser tão feliz quanto possível na Terra.”

Logo, ser realmente feliz implica assumir a compreensão de que as dificuldades promovem crescimento e a verdadeira felicidade vem do dever retamente cumprido, das corretas intenções colocadas em benefício de todos, tanto na vida pessoal quanto na profissional. 

Um dos caminhos para tal se encontra no diálogo ameno e franco, que visa a solução dos problemas e a superação das diferenças. O ideal é que seja realizado com respeito, expondo de forma sincera as insatisfações e os sentimentos presentes, assim como, as ideias para as mudanças necessárias.

O principal componente da verdadeira felicidade é o estado de espírito com que as adversidades são enfrentadas. O chamado estado mental de felicidade pode ser alcançado quando considerado o caráter transitório das dores e a presença constante do amor divino em toda a parte. A felicidade, então, passa a pertencer a cada indivíduo intimamente e independe das circunstâncias. 

Segundo Joanna de Ângelis, no livro “Mensagens de Esperança”, psicografia de Divaldo Franco, “a felicidade plena e compensadora não é deste mundo. No entanto, germina e se desenvolve enquanto o Espírito avança pela estrada reencarnacionista, graças às ações desenvolvidas e ao comportamento mantido.”

 

*Mabel Perito Velez é formada em administração e colabora com o espiritismo.net.

Você está precisando de ajuda? Clique no banner e fale com a gente.

Atendimento Fraterno via chat. De domingo a sexta-feira, das 20h às 22h; quinta-feira, das 08h15 às 11h15; e em dias e horários alternativos.