
Resumo da Notícia:
Pesquisadores de uma empresa ligada à Universidade Yale desenvolveram uma tecnologia capaz de manter cérebros de doadores recém-falecidos em atividade celular fora do corpo físico. O sistema bombeia sangue sintético, oxigênio e nutrientes pela rede vascular do órgão, preservando o metabolismo e reações fisiológicas por até vinte e quatro horas. A finalidade do procedimento é testar novos medicamentos voltados ao tratamento de enfermidades neurais complexas, como as síndromes de Parkinson e Alzheimer. Para evitar qualquer possibilidade de sensibilidade ou consciência residual, a atividade elétrica coordenada do tecido é mantida em níveis mínimos por meio da aplicação de anestésicos. O avanço técnico gera discussões sobre os limites éticos do uso de órgãos doados, o consentimento das famílias e as definições biológicas relativas ao término da vida terrestre.
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https://www.science.org/content/article/not-alive-not-dead-disembodied-human-brains-used-drug-testing
Comentário sobre a notícia:
O avanço das pesquisas científicas no campo da neurobiologia traz à tona questionamentos valiosos a respeito da verdadeira constituição da vida humana. A experiência de manter a estrutura cerebral irrigada e funcional em ambiente de laboratório evidencia a nítida fronteira entre a vida orgânica dos tecidos e a vida espiritual do indivíduo. Enquanto as células respondem mecanicamente a estímulos químicos sob o suporte de equipamentos modernos, a essência consciente, que dá sentido à existência, depende de laços muito mais elevados do que as simples reações da matéria.
A filosofia espírita lança luz sobre o tema ao explicar a relação entre o pensamento e os instrumentos físicos. Os Espíritos instrutores, na obra “O Livro dos Espíritos”, na questão 71, ensinam que a inteligência e a matéria são princípios distintos, salientando que a vida orgânica pode existir sem a manifestação do pensamento e que o espírito utiliza o corpo físico apenas como recurso temporário de expressão. Desta forma, a atividade metabólica observada em um órgão preservado artificialmente representa tão somente a reatividade celular da matéria, incapaz de gerar ou reter a vida consciente, que se liberta com a morte biológica.
O pensamento não é o resultado ou uma secreção do tecido cerebral. O cérebro funciona como um complexo teclado mediante o qual o ser imortal manifesta suas faculdades ao longo da experiência terrena. O amigo espiritual Emmanuel, na obra “O Consolador”, na questão 227, esclarece que o cérebro físico representa um instrumento passivo e frágil, utilizado pela alma para o trabalho e o aprendizado no mundo. Quando o laço fluídico que une a alma ao corpo se desfaz no momento da desencarnação, a individualidade prossegue sua jornada no plano espiritual, sem qualquer dependência do destino reservado aos tecidos que ficaram para trás.
Essa compreensão traz tranquilidade e afasta receios infundados em relação a um suposto aprisionamento do ser em órgãos mantidos por aparelhos. A mentora Joanna de Ângelis, na obra “Dias Gloriosos”, no capítulo 8, afirma que a mente pensa sem o cérebro e comunica-se após a morte do corpo físico, sendo o conjunto neuronal incapaz de produzir o pensamento por si mesmo. O cérebro isolado, ainda que mantido em funcionamento mecânico, não abriga a presença do espírito, o qual já seguiu o seu curso nas esferas da imortalidade.
A emulação da ciência para encontrar recursos que diminuam os sofrimentos causados por enfermidades degenerativas é um trabalho digno de respeito. Todavia, o progresso científico ganha real valor quando caminha lado a lado com a responsabilidade moral. Tratar o corpo humano com respeito, mesmo após a cessação da vida física, e preservar os valores éticos na utilização de órgãos doados garante que o conhecimento permaneça a serviço do bem. O entendimento da imortalidade da alma e da autonomia do espírito ilumina os caminhos da pesquisa, demonstrando que a vida verdadeira transcende o laboratório e se realiza na harmonia das leis divinas.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net