
Resumo da Notícia:
A classe médica tem demonstrado uma abertura crescente para validar e estudar relatos de pacientes que vivenciaram experiências de quase morte (EQM). Esses relatos, que incluem sensações de paz, percepção de saída do próprio corpo e visões de túneis de luz, deixaram de ser vistos apenas como alucinações cerebrais causadas por falta de oxigênio e passaram a ser objeto de investigações científicas sérias. Profissionais de saúde investigam como a consciência pode operar em momentos de interrupção clínica das funções vitais, analisando as transformações comportamentais positivas que essas vivências geram nos indivíduos.
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Comentário sobre a notícia:
O avanço da medicina, ao considerar a legitimidade das experiências de quase morte, representa um passo importante para o entendimento da natureza humana além da matéria física. O que a ciência atual começa a observar com novos critérios, o Espiritismo já detalha desde a sua codificação, explicando que o espírito não está aprisionado ao corpo de forma absoluta, mas unido a ele por um laço fluídico que se afrouxa em situações críticas ou de repouso. Esse fenômeno é uma manifestação da emancipação da alma, onde o ser humano experimenta lampejos da sua vida real e eterna enquanto o organismo físico atravessa um estado de torpor ou morte aparente.
Allan Kardec, na obra “A Gênese”, capítulo XIV, item 9, esclarece que durante esses momentos o espírito vive a vida espiritual, enquanto o corpo mantém apenas a vida vegetativa. Ele afirma que o espírito se acha, em parte, no estado em que se encontrará após a morte, percorrendo o espaço e conversando com outros espíritos, mantendo-se ligado ao corpo por um laço fluídico que só se rompe definitivamente com a extinção absoluta da atividade vital. Essa explicação fundamenta os relatos de saída do corpo e a percepção de realidades paralelas descritas por tantos pacientes que retornam do estado crítico. O sentimento de paz e a visão de uma luz intensa são, em essência, o contato da alma com a sua pátria de origem, onde as vibrações são mais leves e a percepção é ampliada pela ausência das limitações sensoriais da matéria.
A ciência experimental, ao franquear o limite que separa o mundo visível do invisível, encontra-se diante de um campo vasto e novo. Léon Denis, em “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, na primeira parte, capítulo 7, destaca que a persistência da vida consciente foi estabelecida por inúmeras provas e que os espíritos conservam, no espaço, os traços de caráter e as recordações que constituíam sua personalidade moral. O reconhecimento médico dessas experiências valida a ideia de que a consciência não é um mero efeito bioquímico do cérebro, mas um atributo do espírito imortal que sobrevive à desorganização da matéria. As transformações morais observadas nas pessoas que passam por uma EQM, como a perda do medo da morte e um maior apreço pela vida, mostram que o contato com a realidade espiritual transforma o entendimento sobre o sentido da existência comum.
As sensações experimentadas durante esse desligamento parcial variam conforme o estado evolutivo e as disposições mentais de cada um. André Luiz, no livro “Obreiros da Vida Eterna”, capítulo 13, ensina que o plano de impressões depende da posição espiritual de cada indivíduo, reforçando que não se verificam duas desencarnações ou desprendimentos rigorosamente iguais. Isso explica por que, embora existam pontos comuns como o túnel ou a luz, cada relato traz elementos particulares que dizem respeito à história e aos afetos da pessoa. O fato de médicos agora valorizarem esses depoimentos abre caminho para uma medicina mais humanizada, que compreende o paciente como um ser integral, composto de corpo, perispírito e espírito. Um dos pioneiros nessa linha de pesquisa é o médico e escritor estadunidense Dr. Raymond Moody, conhecido desde a década de 1970 por livros sobre experiências de quase-morte e temas relacionados com a vida depois da morte.
Esse movimento científico auxilia na diminuição do pavor que a ideia da cessação da vida física costuma causar. Ao perceber que o trespasse é uma transição natural e que a individualidade se mantém intacta, a sociedade pode encarar as vicissitudes atuais com mais paciência e serenidade. A morte física deixa de ser o fim para se tornar uma mudança de capítulo no livro da evolução constante. O apoio da ciência a esses fatos apenas confirma as leis naturais que regem a vida e o universo, demonstrando que o amor e os vínculos criados na Terra permanecem vivos e intensos na dimensão espiritual, aguardando o momento do reencontro.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net