
Resumo da Notícia:
No Japão, o mercado imobiliário tem utilizado serviços de investigadores para lidar com as propriedades conhecidas como estigmatizadas, onde ocorreram eventos trágicos. Profissionais são contratados para analisar e atestar a ausência de presenças invisíveis em residências, tentando remover o receio de futuros moradores. A iniciativa é focada em recuperar o valor comercial de imóveis que, por crenças populares e temores, permanecem desocupados ou com preços reduzidos.
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Comentário sobre a notícia:
A existência de moradias onde fenômenos estranhos ocorrem é um tema que atravessa tempos e fronteiras. No Japão, a organização de empresas para lidar com essas ocorrências demonstra o impacto que a sobrevivência da alma causa nas atividades humanas. De acordo com os ensinos contidos em O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, no Capítulo IX, existem Espíritos que podem permanecer ligados a certos lugares por simpatia ou pela lembrança de interesses que ainda os prendem à existência material. Essas entidades, por vezes pouco adiantadas, conservam os hábitos que possuíam quando encarnadas, circulando nos ambientes que lhes foram familiares e, ocasionalmente, manifestando sua presença por meio de ruídos ou outros efeitos que assustam os moradores.
A ideia de contratar caçadores de fantasmas para “limpar” uma residência baseia-se no entendimento de que ritos externos podem afastar seres invisíveis. No entanto, Kardec, agora no O Livro dos Espíritos, especificamente na Questão 477, esclarece que as fórmulas de exorcismo não possuem qualquer eficácia real sobre os Espíritos imperfeitos, que muitas vezes chegam a rir dessas tentativas de domínio. A presença espiritual em um lar não se resolve com atitudes teatrais ou palavras decoradas, mas sim através da mudança de vibrações dos próprios habitantes e da prática constante da caridade e da benevolência.
Muitas pessoas experimentam pavor diante do que não veem, ignorando que o Mundo Invisível nos rodeia constantemente. Como explica León Denis na obra No Invisível, no Capítulo XVI, as relações entre os homens e as almas desencarnadas são regidas pela lei das afinidades. Atraímos para junto de nós inteligências que se harmonizam com nossos próprios estados mentais e intenções. Uma residência onde impera a harmonia, a bondade e a oração torna-se uma fortaleza espiritual, mantendo à distância as entidades infelizes ou perturbadoras que se comprazem no desequilíbrio alheio.
Transformar a paz de um lar em mercadoria é um esforço que ignora as leis da alma. O verdadeiro saneamento de um ambiente doméstico ocorre de dentro para fora. Quando os moradores cultivam pensamentos elevados e ações dignas, criam uma atmosfera psíquica saudável que atrai a proteção de amigos espirituais dedicados ao progresso. O medo da morte e dos que já partiram decorre da falta de conhecimento sobre a realidade da vida eterna, que nos mostra que os chamados fantasmas são apenas pessoas que aguardam o ensejo de avançar em sua caminhada evolutiva.
Em vez de tentar encontrar soluções mágicas ou profissionais para o que é de ordem espiritual, cabe a cada indivíduo trabalhar no próprio caráter. O estudo das leis que regem o intercâmbio entre os planos da vida ensina que a serenidade é conquistada pelo cumprimento do dever e pelo amor ao próximo. Quem vive retamente e confia na Justiça Divina não precisa temer visitas de além-túmulo, pois sua própria luz atua como um repulsor natural para as sombras. A cada jornada, temos a chance de construir o paraíso ou o inferno em nosso interior, e essa construção é que determina quem serão nossos companheiros, visíveis ou não.
Ao ponderarmos sobre a situação dessas casas no Japão, notamos que a tranquilidade dos moradores não depende de um laudo técnico de investigadores, mas da qualidade da convivência e do respeito mútuo que se estabelece sob o teto doméstico. A prece sincera, feita com o coração, tem mais poder para pacificar uma alma sofredora do que qualquer equipamento eletrônico de detecção. Auxiliar os que sofrem nas regiões invisíveis com compaixão e esclarecimento é o caminho indicado para que a paz retorne aos lares e os corações encontrem o repouso necessário. Dessa forma, as velhas superstições dão lugar a uma compreensão mais elevada sobre a finalidade da vida e a solidariedade que une todos os seres da criação, independentemente da veste que utilizem.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net