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    • “As culturas em que 'ouvir vozes' é visto como algo bom”

    A reportagem explora como a experiência de “ouvir vozes”, frequentemente diagnosticada no Ocidente como um sintoma de esquizofrenia ou transtorno mental grave, é interpretada de formas distintas em diferentes culturas. Equipe Doutrinária do Espiritismo.net, assina o comentario.

    • Data :03/03/2026
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    “As culturas em que ‘ouvir vozes’ é visto como algo bom”

    A reportagem da BBC explora como a experiência de “ouvir vozes”, frequentemente diagnosticada no Ocidente como um sintoma de esquizofrenia ou transtorno mental grave, é interpretada de formas distintas em diferentes culturas. Enquanto nos Estados Unidos os relatos costumam ser de vozes ameaçadoras e violentas, em países como Gana e Índia, essas vozes são muitas vezes percebidas como a presença de ancestrais ou divindades, trazendo orientações positivas e gerando menos angústia. O estudo sugere que o contexto cultural e a forma como a pessoa se relaciona com essas “vozes” influenciam diretamente se a experiência será vivida como um fardo ou como um auxílio espiritual.

    Acesse a notícia completa no link:
    https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvgqxlj8pjpo  

    Comentário:

    A notícia nos traz um convite carinhoso à reflexão sobre a vastidão da vida e as leis naturais que regem a nossa alma. Sob a luz do Espiritismo, compreendemos que “ouvir vozes” não é necessariamente um sinal de desequilíbrio orgânico, mas um fenômeno perfeitamente natural conhecido como mediunidade audiente ou pneumatofonia. Como nos explica Allan Kardec em “O Livro dos Médiuns”, no capítulo XIV, item 165: “Estes ouvem a voz dos Espíritos. É, como dissemos ao falar da pneumatofonia, algumas vezes uma voz interior, que se faz ouvir no foro íntimo; doutras vezes, é uma voz exterior, clara e distinta, qual a de uma pessoa viva”.

    O fato de a experiência variar de acordo com a cultura revela uma lei profunda: a lei da sintonia e da afinidade. O Espírito não é uma abstração, mas um ser real que se comunica através do pensamento, e a nossa mente funciona como uma antena que capta aquilo que vibra na mesma faixa que os nossos sentimentos e crenças. No Ocidente, onde a morte é cercada de medo e o invisível ainda é visto com desconfiança, é compreensível que as percepções se tornem assustadoras. Já em culturas que cultivam o respeito aos antepassados, cria-se um ambiente de acolhimento que favorece o contato com Espíritos amigos. Como bem destaca Léon Denis, na obra “No Invisível”, no capítulo IV: “A mediunidade é o poder que possuem certos seres de exteriorizar esses sentidos profundos da alma… uma maneira de penetrar, por antecipação, no mundo dos espíritos”.

    Essa percepção mais ampla nos mostra que nunca estamos verdadeiramente sós. Estamos mergulhados em um oceano de vibrações e pensamentos, e a qualidade das “vozes” que chegam ao nosso coração depende muito da “higiene da alma” que praticamos no dia a dia. Se cultivamos o otimismo e a caridade, atraímos influências que nos elevam por simples sintonia. Por outro lado, se nos deixamos levar pela angústia ou pelo orgulho, tornamo-nos vulneráveis a Espíritos que ainda se encontram em sofrimento ou ignorância. A mediunidade, portanto, deve ser vista como uma faculdade de serviço e aprendizado, uma “harpa silenciosa” que, bem afinada, produz harmonias que nos ajudam a caminhar com mais segurança na Terra.

    Para aqueles que vivenciam esse despertar da sensibilidade, o Espiritismo oferece um roteiro seguro de equilíbrio. Não se trata de ignorar a medicina, que desempenha papel essencial no cuidado com o corpo, mas de acrescentar a ela o tratamento da alma. Joanna de Ângelis, no livro “Momentos de Saúde”, no capítulo 12, nos oferece um ensinamento precioso: “És instrumento de intercâmbio psíquico permanente, mesmo sem que te dês conta. Emites e captas vibrações, idéias, energias mentais, sem cessar”. Ao compreendermos que somos esses “instrumentos”, passamos a vigiar melhor o que pensamos e sentimos, transformando a mediunidade em um manancial de paz e auxílio ao próximo.

    No cotidiano, essa compreensão nos ajuda a ser mais compreensivos com as dificuldades alheias e mais vigilantes com o nosso próprio mundo interior. Que possamos aproveitar esse intercâmbio entre os mundos para fortalecer os laços de fraternidade, lembrando que a voz da consciência é sempre o melhor guia quando buscamos a luz. Ao transformarmos o medo em confiança e o preconceito em tolerância, percebemos que o invisível nada mais é do que o prolongamento da nossa própria casa espiritual, onde a bondade divina vela por todos os Seus filhos, oferecendo a cada um a voz de consolo ou a lição de que necessita para evoluir.

    Equipe doutrinária do Espiritismo.net