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Como iniciativa pessoal de imigrante ajudou Dinamarca a reduzir desperdício de comida em 25% em 5 anos

A incrível redução de 25% em cinco anos no desperdício de comida na Dinamarca se deve, em parte, à iniciativa de uma ativista.

A designer gráfica russa Selina Juul, de 36 anos, se mudou para o país na década de 1990, aos 13 anos, e lembra-se de sua primeira reação ao chegar.

"Eu vim de um país onde havia escassez de alimento", conta Juul. "Quando o comunismo entrou em colapso, houve também o colapso da infraestrutura. Não tínhamos certeza de que teríamos comida na mesa".

"Então cheguei à Dinamarca e vi esta abundância de alimentos, vi os supermercados cheios de comida...", diz.

Anos depois, após trabalhar na padaria de um supermercado, Selina percebeu o quanto era desperdiçado diariamente.

"Fiquei chocada de ver tanta comida sendo jogada fora", afirma.

Campanha nas redes

Em 2008, então, Selina iniciou uma campanha para incentivar dinamarqueses a pararem de desperdiçar alimentos.

Ela inaugurou a página no Facebook Stop Spild Af Mad (Pare de desperdiçar comida), que se tornou tão popular que em menos de duas semanas o assunto ganhou o noticiário nacional.

"Ela era uma russa esquisita que apareceu com uma ideia maluca sobre parar de desperdiçar comida", comenta Maria Noel, relações públicas da Dagrofa, empresa de varejo que controla três marcas de supermercados no país.

"E ela foi muito longe desde então. Ela basicamente mudou toda a mentalidade da Dinamarca."

Após a campanha nas redes, ela foi contratada pela REMA 1000, a maior cadeia de supermercados com descontos massivos do país, para ajudar a encontar formas de impedir o desperdício de alimentos em suas 283 lojas.

Os supermercados pararam a oferecer descontos do tipo "leve 2 ou 3 e pague menos" para alimentos e começaram a focar em descontos para itens unitários.

"Nós desperdiçávamos cerca de 80 ou 100 bananas por dia. Depois que colocamos o desconto em bananas unitárias, com a placa 'Me leve, estou sozinho', conseguimos reduzir o desperdício em 90%", conta Max Skov Hansen, de uma das lojas REMA 1000.

Outros supermercados seguiram esse e outros exemplos - como a ideia de reduzir a produção própria de pães e produtos de confeitaria, que eram desperdiçados às milhares de toneladas no país a cada ano.

Mas para Juul, "os maiores desperdiçadores de comida na Dinamarca são os consumidores", que precisariam ser reeducados.

A ativista lançou um livro de culinária com sobras de comida, criou um programa de educação sobre o assunto em escolas e presta consultoria a três governos regionais.

Vanguarda

No mundo, 1,3 bilhão de toneladas de comida é desperdiçado a cada ano. A Dinamarca está na vanguarda da luta contra o problema, e vem reduzindo seus índices, embora ainda destine 700 mil toneladas de comida ao lixo por ano.

Além de ajudar na campanha de Juul, o governo federal tem investido em medidas que tiveram sucesso, como a criação de uma iniciativa voluntária juntando o setor público e o privado.

Redes de supermercados reduziram a oferta de descontos que animavam pessoas a comprar mais do que precisavam.

Restaurantes passaram a vender, em aplicativos, comida que sobrou. E empresas como a Unilever cedem embalagens para que as sobras de restaurantes e supermercados sejam "recicladas".

"O desperdício é algo desrespeitoso", comenta Juul. "É a falta de respeito com a natureza, com a sociedade, com as pessoas que produzem, com os animais".

"É ainda uma falta de respeito com seu tempo e dinheiro porque você está jogando fora a comida que você comprou", finaliza.

Em outras palavras, Juul está bastante ocupada. "Eu não tenho vida", ela ri. "Não tenho mais finais de semana".

Notícia publicada na BBC Brasil, em 2 de março de 2017.

Cristiano Carvalho Assis* comenta

O desperdício é um tema que deve ser muito debatido, divulgado e solucionado com ideias para melhorar essa situação tão alarmante. Há pesquisas que dizem termos quase 1/3 da alimentação mundial desperdiçada, ou seja, jogada fora.

Sem dúvida a resposta contida na questão 705 de O Livro dos Espíritos mostra o quanto está recente esta imprevidência da humanidade: 705. Por que nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário? “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se. Se o que ela produz não lhe basta a todas as necessidades, é que ela emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Em verdade vos digo, imprevidente não é a Natureza, é o homem, que não sabe regrar o seu viver.”

Nossa imprevidência por vezes nos deixa descrente da humanidade e ficamos na dúvida: Esse desperdício ou imprudência ocorre de forma lúcida? Ou seja, as pessoas fazem porque sabem e não se importam? Provavelmente não, e pela reportagem percebemos que não é bem assim. As pessoas e a sociedade se dispuseram a colaborar na Campanha encabeçada por Selina.

Buscando saber porque isso ocorre, lembramos deste trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Cada época é marcada, assim, com o cunho da virtude ou do vício que a tem de salvar ou perder. A virtude da vossa geração é a atividade intelectual; seu vício é a indiferença moral.” Realmente estamos pensando muito, sem parar, não conseguindo um instante para meditações, preces ou leitura. Estamos com excesso de informação, mas baixa qualidade e profundidade em nossos pensamentos mais íntimos e a ansiedade aumentando cada vez mais. Tudo isso nos faz direcionar nossa mente e olhares diretamente para nós mesmos, gerando o egoísmo.

Não temos tempo para perceber se nosso irmão está com o olhar triste, se a comunidade ao nosso redor está necessitada ou se no caminho do meu trabalho aconteceu algo que poderia ajudar. Nosso exercício de inteligência só tem um foco, no eu. Essa conduta, na atualidade, gera uma incrível indiferença por tudo que não penetra o nosso universo. A gasolina aumentou!! não tenho carro, não me importo. As pessoas estão deitadas no chão em hospitais públicos! não me atinge, tenho plano de saúde. Cinquenta pessoas morreram em um tiroteio em um país distante, não nos comove. Mas quando compro um carro, tenho que usar o SUS ou recebo uma violência, toda a indiferença modifica, pois os acontecimentos penetraram nosso universo íntimo.

Uma banana tirada do cacho, uma luz deixada acessa, um pão que mofa no armário ou as sobras de uma refeição que fazemos são muito pequenos para atingir nosso mundo de indiferença íntima. Há necessidade de despertarmos, pois como nos lembra Joanna de Ângelis: “Muitos cristãos distraídos desperdiçam alimentos em banquetes, recepções, festas extravagantes com que disputam vaidades; desperdiçam medicamentos em prateleiras empoeiradas, aguardando, no lar, doenças que não chegarão, ou, em se apresentando encontram-nos ultrapassados; desperdiçam trajes e agasalhos em armários fechados, que não voltarão a usar.”

Foi preciso o despertar de uma única pessoa para influenciar uma comunidade e fazê-los acordar para esta situação temerária. Para isso, a vida fez Selina despertar quando a colocou em um local de escassez de alimentos, para mais tarde incluí-la em outro extremo de fartura e desperdício, podendo assim ter base para sua missão.

Não podemos ainda tirar o mérito da população da Dinamarca. Para que a ideia se desenvolvesse com tanta rapidez é porque o terreno nos corações dos dinamarqueses já estava preparado, apenas faltando alguém para despertá-los.

A maioria das vezes nos centralizamos em ver a influência do mal sobre as pessoas, mas esquecemos que a mesma regra de influência se dá para o bem. É isso que vemos neste trecho da resposta 917 de O Livro dos Espíritos: “Todos experimentarão a influência moralizadora do exemplo e do contato. Em face do atual extravasamento de egoísmo, grande virtude é verdadeiramente necessária, para que alguém renuncie à sua personalidade em proveito dos outros.” Este é o mérito de Selina que ninguém poderá tirar, o do exemplo e do polo de influência positiva que ela gerou na Dinarmarca.

A Terra está cada vez mais carente de pessoas que busquem influenciar para o bem, pois o egoísmo está cada vez mais arraigado em nós e sem que percebamos estamos estimulando o desequilíbrio ao nosso redor. Este é um trabalho para todos nós, mas bem poucos o executam, porque a verdadeira influência cristã para o bem está na renúncia da personalidade. Tarefa bem complicada para nós, pois para que isso ocorra é necessário realizarmos renúncias e sacrifícios para o bem comum. Não apenas nos conhecimentos intelectuais ou de educação, mas além disso, e principalmente, de ações.

E então ficam as perguntas para todos nós: E você? É Indiferente ou já influencia o meio onde vive? Sua influência é positiva ou negativa?

Independente de sua resposta, é sempre bom lembrarmos que o desperdício, tanto o físico (banana, luz, sacolas, etc.) quanto o moral (tempo, saúde, conhecimentos, etc.) precisam ser equilibrados e bem direcionados para influenciar positivamente a sociedade. Caso contrário, é sempre bom lembrar do aviso de Joanna de Ângelis: “O que desperdiçais hoje, faltar-te-á amanhã, não o duvides. Sê pródigo sem ser perdulário, generoso sem ser desperdiçador e o que conseguires será crédito ou débito na contabilidade da tua vida perene.”

* Cristiano Carvalho Assis é formado em Odontologia. Nasceu em Brasília/DF e reside atualmente em São Luís/MA. Na área espírita, é trabalhador do Centro Espírita Maranhense e colaborador do Serviço de Atendimento Fraterno do Espiritismo.net.