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    • “As religiões são machistas?”

    A reportagem aborda a histórica exclusão das mulheres dos espaços de poder e liderança nas principais tradições religiosas do mundo. Analisa como interpretações de textos sagrados, muitas vezes influenciadas por contextos culturais patriarcais, serviram para justificar a submissão feminina e o monopólio masculino no sacerdócio. Equipe Doutrinária do Espiritismo.net, assina o comentario.

    • Data :10/02/2026
    • Categoria :

    “As religiões são machistas?”

    Resumo da Notícia

    A reportagem aborda a histórica exclusão das mulheres dos espaços de poder e liderança nas principais tradições religiosas do mundo. Analisa como interpretações de textos sagrados, muitas vezes influenciadas por contextos culturais patriarcais, serviram para justificar a submissão feminina e o monopólio masculino no sacerdócio. A notícia destaca, porém, o surgimento de movimentos contemporâneos em diversas denominações, como o Cristianismo, o Judaísmo e o Islã, que buscam uma releitura das escrituras sob a ótica da igualdade de gênero, reivindicando que a fé seja um espaço de inclusão e valorização plena da mulher em todas as esferas institucionais.

    Acesse a notícia completa no link:
    https://www.bbc.com/portuguese/articles/cvg91ykz4ero

    Comentário:

    O debate proposto pela notícia toca em feridas históricas que a Humanidade, em seu processo de amadurecimento, começa finalmente a encarar. A desigualdade de gênero nas religiões não é compreendida como um desígnio divino, mas como reflexo do estágio evolutivo dos próprios homens que, por séculos, interpretaram as leis de Deus através do prisma de seus preconceitos e limitações. O chamado “machismo” religioso é, portanto, uma construção humana, fruto de um período de verdadeira infância espiritual, em que a força física e o domínio exterior se sobrepunham à sensibilidade e à autoridade moral.

    A Doutrina Espírita é clara ao afirmar a igualdade fundamental entre os seres. Allan Kardec, em “O Livro dos Espíritos”, na questão 817, pergunta diretamente: “São iguais perante Deus o homem e a mulher e têm os mesmos direitos?”. A resposta dos instrutores espirituais é objetiva: “Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?”. Aqui repousa o alicerce de uma nova compreensão social: se a capacidade de aprender, amar e evoluir é a mesma, qualquer barreira imposta ao Espírito com base no sexo biológico configura uma violação da Lei Natural.

    Para compreender essa lógica no cotidiano, é indispensável considerar a lei da reencarnação. Os Instrutores Espirituais esclarecem que o sexo não pertence à essência do Espírito, mas ao corpo físico, funcionando como uma veste temporária, necessária a determinadas provas ou missões. O “Eu” profundo é assexuado e acumula experiências tanto na condição masculina quanto na feminina ao longo das eras. Assim, o homem que hoje despreza a mulher pode, em uma existência futura, retornar no gênero feminino para aprender, na própria vivência, o valor da dignidade e do respeito que antes negou.

    A figura de Jesus representa a mais profunda ruptura com esse machismo estrutural. Em uma época em que a mulher era vista quase como propriedade, o Mestre a elevou, acolhendo Madalena, Joana de Cusa e tantas outras como discípulas dedicadas. Com isso, demonstrou que a grandeza da alma se mede pela capacidade de amar e servir, e não por sua constituição hormonal. Como bem pontua a Mentora Joanna de Ângelis, na obra “Encontro com a Paz e a Saúde”, capítulo 4: “A igualdade dos direitos para ambos os sexos significa progresso moral e social da humanidade, que lentamente deixa as condutas primitivas para ascender na escala do progresso”.

    Por sua vez, Léon Denis reforça essa compreensão em “O Caminho Reto”, capítulo 14, ao afirmar que a filosofia espírita “estabelece a igualdade absoluta entre o homem e a mulher, sob o ponto de vista dos méritos”. Ele recorda que a alma não possui sexo e que as distinções sociais baseadas nisso são transitórias e desnecessárias àqueles que já compreendem a vida espiritual.

    Essa reflexão nos convida a agir com mais empatia e justiça em nossa vida cotidiana, seja no ambiente familiar, seja nos espaços de trabalho ou convivência religiosa. Aplicar os ensinamentos espíritas é reconhecer em cada mulher uma companheira de jornada, com os mesmos direitos de crescimento e serviço. Quando uma instituição religiosa exclui a mulher, priva-se de uma força preciosa de sensibilidade, intuição e cuidado, capaz de acelerar o progresso coletivo. Que possamos, portanto, colaborar na construção de uma fé que, em vez de segregar, una as mãos de homens e mulheres, conscientes de que somos uma única família espiritual em marcha para a luz.

    Assim como o Sol não escolhe onde brilhar, a sabedoria divina se derrama sobre todos os corações. Cabe a nós, como sociedade, derrubar as paredes que erguemos, para que essa luz possa, enfim, nos iluminar por igual.

    Equipe Doutrinária do Espiritismo.net