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Terapia Complementar Espiritual

Autor: 
Raphael Vivacqua Carneiro

O tema “espiritualidade” definitivamente fincou raízes no terreno acadêmico e científico da área da saúde. Vários estudos revelam que a religiosidade ou a espiritualidade, independentemente de qual seja o segmento religioso, exerce um efeito muito positivo na saúde dos enfermos. Por isso, nestes meios o tratamento espiritual é considerado uma terapia complementar, aliada aos processos médicos convencionais.

O psiquiatra norte-americano Harold G. Koenig, pesquisador da Duke University e autor do livro “Medicina, Religião e Saúde”, esteve no Brasil em 2005, a convite da Associação Médico-Espírita (AME-Brasil), para apresentar as suas pesquisas. Segundo afirma, duas em cada três universidades norte-americanas possuem em sua grade curricular uma disciplina formal de “Espiritualidade e Medicina”, dada a relevância do assunto para a área médica. Conforme fundamentam as pesquisas, a prática religiosa dos pacientes tem relação profunda com os reflexos em sua saúde e recuperação. A lista inclui: melhor cicatrização após as cirurgias cardíacas, maior número de linfócitos que atacam o vírus da aids, maior número de células que combatem as cancerígenas, menor perda de memória, melhor nível de reatividade vascular.

No Brasil, isto também se constata. A prática da “Capelania Hospitalar” vem sendo difundida e estimulada nos grandes hospitais. A terapia espiritual de apoio aos pacientes inclui: visitação, cultos, leituras edificantes e outras atividades conduzidas por vários grupos religiosos.

O movimento espírita no Brasil, desde as suas origens, sempre manteve o foco no processo de espiritualização do indivíduo, como forma de aprimoramento do ser, com consequência no seu estado de saúde integral. É conceito comum no corolário espírita que a origem das doenças está nos desequilíbrios da alma. A maioria das instituições espíritas oferece regularmente aos seus frequentadores uma terapia espiritual que inclui: atendimento fraterno por meio de diálogo e palestras edificantes de cunho evangélico, fluidoterapia por meio de passes e água magnetizada, desobsessão espiritual de encarnados e desencarnados. Algumas casas oferecem também “cirurgias espirituais”, embora a prática não seja muito presente.

Pesquisa da psiquiatra Alessandra Lucchetti, apresentada em 2013 na Universidade de São Paulo (USP), mostrou a dimensão do trabalho de terapia complementar espiritual realizado pelas instituições espíritas. Numa amostra de 55 centros espíritas da capital paulista, a pesquisa constatou que cerca de 60 mil atendimentos são realizados por mês. Isto é mais do que a quantidade realizada em grandes hospitais, como a Santa Casa e o Hospital das Clínicas. Levando-se em conta que o número total de instituições espíritas da capital paulista é superior a 500, pode-se ter uma ideia da importância social e da grande contribuição à saúde que estes serviços de terapia espiritual representam.

“Cada árvore é conhecida pelo seu fruto”, ensinava Jesus. O trabalho espírita em favor do indivíduo, espiritualizando e contribuindo para a sua saúde geral, é reconhecido pelo grande público que o desfruta. Em algumas casas espíritas, este público atendido inclui um grande número de profitentes de outras religiões, o que atesta o valor terapêutico de cunho geral.