Caracteres do Espírito em sua nova encarnação
| “Encarnando, com o objetivo de se aperfeiçoar, o Espírito, durante esse período, é mais acessível às impressões que recebe, capazes de lhe auxiliarem o adiantamento, para o que devem contribuir os incumbidos de educá-lo.” (O L. E., item 383) |
Conta-se que, certa vez, uma mãe perguntou a um eminente educador quando deveria começar a educar seu filho, e ele, respondendo, perguntou-lhe a idade da criança.
– Um ano, respondeu-lhe a mãe.
– Então, você já perdeu um ano, sentenciou o educador.
Se esse educador fosse espírita, certamente diria que a mãe já tinha perdido um ano e nove meses, pelo fato de já estar o Espírito reencarnante junto da mãe, desde a concepção, registrando seus pensamentos e estados emocionais, conforme ensinamento dos Espíritos, que é hoje fato comprovado em sessões de terapia em que é praticada a regressão de memória.
O conhecimento da reencarnação muda completamente a perspectiva do educador. A criança, na visão espírita, não é aquele ser “recém-saído das mãos do Criador”, herdeiro das características físicas e morais de seus antepassados, próximos ou remotos. Embora acreditando na herança recebida dos pais, algumas escolas psicológicas do passado viam a criança quase como uma massa amorfa que poderia ser moldada ao gosto do educador.
No Espiritismo aprendemos que a criança é um Espírito imortal, viajor da Eternidade, que retorna às lides terrenas para continuar o seu processo evolutivo, herdando de seus antepassados apenas os traços físicos, conforme se lê em “O Evangelho segundo o Espiritismo”: “O corpo procede do corpo, mas o Espírito não procede do Espírito, porquanto o Espírito já existia antes da formação do corpo. Não é o pai que cria o Espírito de seu filho; ele mais não faz do que lhe fornecer o invólucro corpóreo, cumprindo-lhe, no entanto, auxiliar o desenvolvimento intelectual e moral do filho, para fazê-lo progredir.” (cap XIV, item 8)
Por aí se percebe que a educação espírita tem um enfoque diferente, por reconhecer na criança um Espírito que não está começando a sua jornada de imortalidade, mas que está num trecho do caminho do aperfeiçoamento. Tudo aquilo que pertence ao campo intelecto-moral ele herda de si próprio; é o seu acervo acumulado vagarosamente, ao longo dos milênios sucessivos.
Em sua nova encarnação, o Espírito não perde suas aquisições do passado, nem as do campo moral, nem as do campo intelectual. Sua bagagem permanece encerrada no cofre do esquecimento, em nada, ou em quase nada influindo em suas reações nos primeiros tempos de vida física.
Se observados, os recém-nascidos reagem de maneira uniforme, porque neles prevalece a natureza animal. Mas, à medida que o corpo lhe permite, vai o Espírito, vagarosamente, emergindo do mergulho na matéria, revelando, pouco a pouco, características próprias.
Numa nova etapa da sua caminhada evolutiva, sempre com fins educativos, o Espírito pode encarnar num corpo que não lhe permita acesso a toda a sua bagagem intelectual, o que não significa perda de suas aquisições. Todo o seu acervo intelectual continua com ele, e ele poderá acessá-lo no seu retorno ao Mundo Espiritual, ou numa nova encarnação, desde que cessadas as causas da restrição que sofreu. Entretanto, tudo aquilo que já desenvolveu no campo do sentimento, da moral, da ética – esse acervo, o acompanhará sempre, em qualquer situação em que se encontre. Assim, o Espírito nem sempre revela toda a sua bagagem cultural numa encarnação, mas sempre dará notícia de quanto já percorreu os caminhos apontados pelo Evangelho.
José Passini
passinijose@yahoo.com.br
Contato com a Coordenação Geral no Paltalk:
espiritismo.paltalk@uol.com.br
Site da equipe:
www.espiridigi.net/familia