E a família,
como vai?
(Paulo Ribeiro - Dirigente Espírita-março-abril/2004)
Faz parte de nossos costumes ao encontrarmos alguém, perguntarmos: "E a família,
como vai?" A resposta, quase sempre é a mesma: "Vai tudo bem, obrigado!"
Entretanto, sabemos que não é bem assim. A família na atualidade vem sofrendo
duros golpes que estão abalando sua estrutura. Assuntos como violência, drogas,
sexo prematuro e irresponsável e tantos outros não estão sendo devidamente
solucionados, pela falta de preparo dos seus integrantes.
Preparamo-nos devidamente para exercer uma série de atividades na vida. No
entanto não nos preparamos para sermos pais conscientes e responsáveis. O casal
assume compromissos perante a Lei maior com relação aos filhos que lhe são
confiados a guarda: de prover-lhes-ão apenas o sustento e proteção física, mas
acima de tudo sua educação e formação moral. Entretanto, envolvidos pela chamada
modernidade, os pais, atualmente se acham confusos e inseguros, desorientados,
com dificuldades de estabelecer autoridade e limites necessários que muito
ajudariam a evitar os altos riscos em relação aos jovens.
Paternidade e maternidade são consideradas como missão, segundo a questão n° 582
de o L.E., em que Deus coloca os filhos sob a tutela dos pais, para que estes os
dirijam no caminho do bem, corrigindo-lhes as más tendências. Mas há aqueles que
se ocupam mais em endireitar as árvores do seu jardim do em que endireitar o
caráter dos filhos. Na questão n° 383 do mesmo Livro dos Espíritos pergunta-se:
"Qual a utilidade de se passar pelo estado de infância?"
Resposta: - O espírito encarnado para se aperfeiçoar, é mais acessível durante
esse período, às impressões que recebe e que podem ajudar ao seu adiantamento,
para o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados de sua educação.
Portanto é na infância que o trabalho dos pais se reveste de capital
importância.
A responsabilidade de transmitir princípios saudáveis para os filhos cabe aos
pais ou responsáveis diretos (na falta dos pais), não pode ser terceirizada. Os
pais devem elaborar um modelo de comportamento que contribua de forma positiva
na maneira de como os filhos devem encarar a vida.
A psicologia e a psiquiatria constataram que as impressões marcadas na infância
constituem o acervo positivo ou negativo que cada um carrega durante toda a sua
existência. "Quantos pais são infelizes em seus filhos, porque não lhes
combateram desde o início as más tendências por fraqueza ou indiferença,
deixando que neles se desenvolvessem os germens do orgulho, do egoísmo e da tola
vaidade que produzem a secura do coração. Depois, mais tarde, quando colhem o
que semearam, admiram-se e se afligem da falta de deferência e gratidão deles."
(O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. V item 4).
Se no passado o autoritarismo bastava para se impor limites, atualmente o
diálogo e o afeto se tornaram indispensáveis. Quantas vezes a falta de diálogo
com os filhos e conseqüentemente o desconhecimento do que lhes vai na alma, tem
feito com que interpretemos mal suas atitudes julgando-as agressivas e
desrespeitosas, quando não passam de apelos dramáticos para que nos apercebamos
que eles existem. Como pretender que eles nos estimem e nos demonstrem gratidão,
se o que recebem de nós são migalhas afetivas, nem sempre dadas de boa vontade,
insuficientes para saciar a fome de carinho que os consome?
"Enfim a atuação dos pais é de vital importância para a construção de uma
família equilibrada e, concluímos que, apesar da concorrência externa, os pais
ainda não foram desbancados e cremos que nunca o serão, do dever de serem os
plasmadores do caráter de seus filhos." (Rodolfo Caligaris - A vida em família)
Pais preparem-se para serem verdadeiramente Pais!
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