Deveres dos
pais
(Joanna de Ângelis)
Por impositivo da sabedoria divina, no homem a infância demora maior período do
que em outro animal qualquer.
Isto, porque, enquanto o Espírito assume, a pouco e pouco, o controle da
organização fisiológica de que se serve para o processo evolutivo, mais fácil se
fazem as possibilidades para a fixação da aprendizagem e a aquisição dos hábitos
que o nortearão por toda a existência planetária.
Como decorrência, grande tarefa se reserva aos pais no que tange aos valores da
educação, deveres que não podem ser postergados sob pena de lamentáveis
conseqüências.
Os filhos – esse patrimônio superior que a Divindade concede por empréstimo –,
através dos liames que a consangüinidade enseja, facultam o reajustamento
emocional de Espíritos antipáticos entre si, a sublimação de afeições entre os
que já se amam, o caldeamento de experiências e o delinear de programas de
difícil estruturação evolutiva, pelo que merecem todo um investimento de amor,
de vigilância e de sacrifício por parte dos genitores.
A união conjugal propiciatória da prole edificada em requisitos legais e morais
constitui motivo relevante, que não deve ser confundida com as experiências do
prazer, que se podem abandonar em face de qualquer conjuntura que exige
reflexão, entendimento e renúncia de algum ou de ambos nubentes.
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Os deveres dos pais em
relação aos filhos estão inscritos na consciência.
Evidentemente as técnicas psicológicas e a metodologia da educação tornam-se
fatores nobres para o êxito desse cometimento. Entretanto, o amor – que tem
escasseado nos processos modernos da educação com lamentáveis resultados –
possui os elementos essenciais para o feliz desiderato.
No compromisso do amor, estão evidentes o companheirismo, o diálogo franco, a
solidariedade, a indulgência e a energia moral de que necessitam os filhos, no
longo processo da aquisição dos valores éticos, espirituais, intelectuais e
sociais.
No lar, em consequência, prossegue sendo na atualidade de fundamental
importância no complexo mecanismo da educação.
Nesse sentido, é de essencial relevância a lição dos exemplos, a par da
assistência constante de que necessitam os caracteres em formação, argila
plástica que deve ser bem modelada.
No capítulo da liberdade, esse fator basilar, nunca deixar esquecido o dever da
responsabilidade. Liberdade de ação e responsabilidade dos atos, ajudando no
discernimento desde cedo entre o que se deve, convém e se pode realizar.
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Plasma, na personalidade em
delineamento do filhinho, os hábitos salutares.
Diante dele, frágil de aparência, tem em mente que se trata de um Espírito
comprometido com a retaguarda, que recomeça a experiência a penates, e que muito
depende de ti.
Nem o excesso de severidade para com ele, nem o acúmulo de receios
injustificados, em relação a ele, ou a exagerada soma de aflição por ele.
Fala-lhe de Deus sem cessar e ilumina-lhe a consciência com a flama da fé
rutilante, que lhe deve lucilar no íntimo como farol de bênçãos para todas as
circunstâncias.
Ensina-lhe a humildade ante a grandeza da vida e o respeito a todos, como
valorização preciosa das concessões divinas.
O que lhe não concedas por negligência, ele te cobrará depois...
Se não dispões de maiores ou mais valiosos recursos para dar-lhe, ele saberá
reconhecer, e, por isso, mais te amará.
Todavia, se olvidaste de ofertar-lhe o melhor ao teu alcance também ele
compreenderá e, quiçá, reagirá de forma desagradável.
Os pais educam para a sociedade, quanto para si mesmos.
Examina a tua vida e dela retira as experiências com que possas brindar a tua
prole.
Tens conquistas pessoais, porquanto já trilhaste o caminho da infância, da
adolescência e sabes de motu próprio discernir entre os erros e acertos dos teus
educadores, identificando o que de melhor possuis para dar.
Não te poupes esforços na educação dos filhos.
Os pais assumem desde antes do berço com aqueles que receberão na condição de
filhos compromissos e deveres que devem ser exercidos, desde que serão, também,
por sua vez, meios de redenção pessoal perante a consciência individual e a
Cósmica que rege os fenômenos da vida, nos quais todos estamos mergulhados.
(De “Leis morais da vida”, psicografia de Divaldo Pereira Franco)
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