REFLEXÃO II

Exercícios diversos:

Objetivo: além dos da reflexão I proposta. Descobrirmos em nós nossa criança ferida e a partir daí “re” descobrir a essência divina e a beleza dentro de nós.

Finalidade: Autoconhecimento; crescimento pessoal de cada um, educação dos sentimentos. Possibilitar o exercício efetivo do papel de colaboradores na prevenção do uso indevido de drogas e/ou momento de lidar com o uso indevido de drogas.

Alguns poucos trechos para algumas das muitas reflexões propostas:

“ Como reação ao sofrimento, buscam-se anestésicos emocionais, e resposta com referências exteriores para calar as dores da alma.”

“Compreendendo que a educação espírita não é ensinar espiritismo, porém, ensinar através do espiritismo, de sua filosofia e princípios.”

“Estamos dependente, não sonos dependentes”

“Ninguém muda por decreto ou vendo seus erros apontados como meio de instrução”

“A revolução pelo amor. Ele substitui o julgamento pela compreensão; repreende a atitude mal direcionada, mas propõe a recuperação do homem.”

“talvez nossa grande tarefa íntima seja nos desculparmos por nossos atos equivocados para podermos seguir o novo caminho com responsabilidade.”

“A dor passa... Ela tem o seu tempo, mas passa... Minhas experiências pessoais têm me revelado que o sofrimento é gerado justamente por empenharmos esforços para não reconhecermos a dor.”

“O que seremos se não tivermos mais problemas?”

ð Ciclo do empobrecimento emocional da família: Amor condicional >> empobrecimento emocional da família >> educação deficiente >> Amor condicional

ð Período da infância + pais emocionalmente imaturos = criança ferida

ð O medo da dependência

ð O modo como nos comportamos e sentimos depende da maneira como interpretamos as situações que vivemos

ð A questão e importância da auto-estima.

“vemos famílias preocupadas com o desempenho intelectual de seus filhos, preparando-os para vencer; raros são aqueles que preparam seus filhos para a possibilidade de perder. Acabamos criando outros analfabetos emocionais, inábeis para lidar com a vida e suas vicissitudes, por falta de prática.”

ð Bagagem espiritual (menosprezo por si mesmo) >> educação deficiente (Abuso infantil) >> pensamento negativo automático.


ü Exercício 01: verificação reflexiva. não automática

Você tem dificuldade para pedir ajuda? Você tem dificuldade para receber ajuda? Busque em sua história de vida os motivos que considere tê-lo(a) levado a essas dificuldades.

Faça uma lista de pessoas que você confia e ouse pedir ajuda quando necessário.

ü Exercício 02: diga você: Quem é o príncipe? Quem é o sapo? Quem é a bruxa? Qual é o feitiço?

“O educador Rubem Alves, num conto intitulado O Sapo(...)” (Texto integral, abaixo).

(...) a sensível escritora Rita Foelker, em O Espaço do Educador, (...) :

“(...) que este texto seja uma homenagem a todos os sapos da natureza e a todos os sapos que foram transformados por feitiços de crença, ilusão e medo, mas que podem SE transformar no que quiserem, quando descobrirem QUEM realmente são (príncipes, aventureiros, atletas, escritores, artistas...)”


O SAPO
Rubem Alves

Era uma vez um lindo príncipe por quem todas as moças se apaixonavam. Por ele também se apaixonou uma bruxa horrenda que o pediu em casamento.

O príncipe nem ligou e a bruxa ficou muito brava. “Se não vai casar contigo não vai se casar com ninguém mais!” Olhou fundo nos olhos dele e disse: “Você vai virar um sapo!” Ao ouvir esta palavra o príncipe sentiu uma estremeção. Teve medo. Acreditou. E ele virou aquilo que a palavra de feitiço tinha dito. Sapo. Virou um sapo.

Bastou que virasse sapo para que se esquecesse de que era príncipe. Viu-se refletido no espelho real e se espantou: «Sou um sapo. Que é que estou fazendo no palácio do príncipe? Casa de sapo é charco.” E com essas palavras pôs-se a pular na direção do charco. Sentiu-se feliz ao ver lama.

Pulou e mergulhou. Finalmente de novo em casa.

Como era sapo, entrou na escola de sapos para aprender as coisas próprias de sapo. Aprendeu a coaxar com voz grossa. Aprendeu a jogar a língua pra fora para apanhar moscas distraídas. Aprendeu a gostar do lodo. Aprendeu que as sapas eram as mais lindas criaturas do universo. Foi aluno bom e aplicado. Memória excelente. Não se esquecia de nada. Daí suas notas boas. Até foi o primeiro colocado nos exames finais, o que provocou a admiração de todos os outros sapos, seus colegas, aparecendo até nos jornais. Quanto mais aprendia as coisas de sapo, mais sapo ficava. E quanto mais aprendia a ser sapo, mais se esquecia de que um dia fora príncipe. A aprendizagem é assim: para se aprender de um lado há que se esquecer do outro. Toda aprendizagem produz o esquecimento.

O príncipe ficou enfeitiçado. Mas feitiço — assim nos ensinaram na escola — é coisa que não existe. Só acontece nas estórias de carochinha.
Engano. Feitiço acontece sim. A estória diz a verdade.

Feitiço: o que é? Feitiço é quando uma palavra entra no corpo e o transforma. O príncipe ficou possuído pela palavra que a bruxa falou. Seu corpo ficou igual à palavra.
A estória do príncipe que virou sapo é a nossa própria estória. Desde que nascemos, continuamente, palavras nos vão sendo ditas. Elas entram no nosso corpo, e ele vai se transformando. Virando uma outra coisa, diferente da que era. Educação é isto: o processo pelo qual os nossos corpos vão ficando iguais às palavras que nos ensinam. Eu não sou eu: eu sou as palavras que os outros plantaram em mim.

Como o disse Fernando Pessoa: “Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim”. Meu corpo e resultado de um enorme feitiço. E os feiticeiros foram muitos: pais, mães, professores, padres, pastores, gurus, líderes políticos, livros, lv. Meu corpo é um corpo enfeitiçado: porque o meu corpo aprendeu as palavras que lhe foram ditas, ele se esqueceu de outras que, agora permanecem mal...ditas...

A psicanálise acredita nisso. Ela vê cada corpo como um sapo dentro do qual está um príncipe esquecido. Seu objetivo não é ensinar nada. Seu objetivo é o contrário: des-ensinar ao sapo sua realidade sapal. Fazê-lo esquecer-se do que aprendeu, para que ele possa lembrar-se do que esqueceu. Quebrar o feitiço. Coisa que até mesmo certos filósofos (poucos) percebem. A maioria se dedica ao refinamento da realidade sapal. Também os sapos se dedicam à filosofia... Mas Wittgenstein, filósofo para ninguém botar defeito, definia a filosofia como uma «luta contra o feitiço” que certas palavras exercem sobre nós. Acho que ele acreditava nas estórias de carochinha...
Tudo isso apenas como introdução à enigmática observação com que Bahrnes encerra sua descrição das metamorfoses do educador. Confissão sobre o lugar onde havia chegado, no momento de velhice. «Há uma idade em que se ensina aquilo que se sabe. Vem, em seguida, uma outra, quando se ensina aquilo que não se sabe. Vem agora, talvez, a idade de uma outra experiência: aquela de desaprender. Deixo-me, então, ser possuído pela força de toda vida viva: o esquecimento...

Esquecer para lembrar. A psicanálise nenhum interesse tem por aquilo que se sabe. O sabido, lembrado, aprendido, é a realidade sapal, o feitiço que precisa ser quebrado. Imagino que o sapo, vez por outra, se esquecia da letra do coaxar, e no vazio do esquecimento, surgia uma canção. «Desafinou!” berravam os maestros.
”Esqueceu-se da lição”, repreendiam os professores. Mas uma jovem que se assentava à beira da lagoa juntava-se a ele, num dueto... Eo sapo, assentado na lama, desconfiava...

“Procuro despir-me do que aprendi” dizia Alberto Caeiro. «Procuro esquecer-me do modo de lembrar que me ensinaram, e raspar a tinta com que me pintaram os sentidos, desencaixotar minhas emoções verdadeiras, desembrulhar-me, e ser eu...”

Assim se comportavam os mestres Zen, que nada tinham para ensinar. Apenas ficavam à espreita, esperando o momento de desarticular o aprendido para, através de suas rachaduras, fazer emergir o esquecido. É preciso esquecer para se lembrar. A sabedoria mora no esquecimento.

Acho que o sapo, tão bom aluno, tão bem educado, passava por períodos de depressão. Uma tristeza inexplicável, pois a vida era tão boa, tudo tão certo: a água da lagoa, as moscas distraídas, a sinfonia unânime da saparia, todos de acordo... O sapo não entendia. Não sabia que sua tristeza nada mais era que uma indefinível saudade de uma beleza que esquecera. Procurava que procurava, no meio dos sapos, a cura para sua dor. Inultimente. Ela estava em outro lugar.

Mas um dia veio o beijo de amor - e ele se lembrou. O feitiço foi quebrado.

Uma bela imagem para um mestre! Uma bela imagem para o educador: fazer esquecer para fazer lembrar!

ü Exercício 03 desenvolva de forma reflexiva:

“Família, idéia genial de Deus”

“Família só é boa em fotografia”

Vamos refletir? Em algum momento de sua argumentação, você percebeu as expectativas em relação à sua família? O que você esperava deles? Você doa o que espera receber deles? Pense nisto!

ü Exercício 04: Reflita por um momento sobre seu dia-a-dia. O seu ritmo, suas respostas aos momentos mais tumultuados.

Caso você tenha identificado o uso de qualquer objeto de compulsão, escreva sobre o que o seu objeto de compulsão representa.

Por exemplo: Maluá percebeu sua agressividade. Toda vez que se sente rejeitada ou quando algo não sai do jeito que planejou, fica com muita raiva. Assim, o exercício de Maluá ficaria da seguinte forma:

objeto de compulsão = falta de poder, fragilidade (que lhe remete a situações de abandona na infância)

Agora é sua vez....

ü Exercício 05: Reflexões sobre felicidade.

Felicidade para mim é...

Felicidade para mim é...

Felicidade para mim é...

Felicidade para mim é...

Felicidade para mim é...

Felicidade para mim é...

 

Obs: os exercícios foram adaptados do livro Viver sem drogas(Elisa Goulart), porque para serem fieis aos propostos, necessário seria a leitura integral do livro.

Para Contato com a Coordenação Geral no Paltalk, acesse: www.espiridigi.net/familia