2008-08-24 Quem errou?

Quem errou?


Pesquisa demonstra que diante do erro alheio, sentimos como se fosse nosso

Por Andrea Guedes

Aquela angústia que se sente diante do erro alheio pode até parecer anormal. Mas não é. Pesquisadores da Universidade de Nijmegen, na Holanda, revelaram que, quando uma pessoa próxima comete um erro, nosso cérebro reage como se nós tivéssemos errado. Para especialistas brasileiros, o estudo, publicado na revista Nature Neurosicence, reforça o interesse da neurociência nos mecanismos que provocam a empatia.

Os estudiosos holandeses desenvolveram experimentos em que voluntários deveriam executar uma tarefa no computador, e também assistir a outros fazendo o mesmo procedimento. Durante a experiência, os pesquisadores perceberam que o cérebro reagia da mesma forma nas duas situações.

A neurocientista Suzana Herculano-Houzel, autora do livro "O cérebro nosso de cada dia", explica que existe uma região no cérebro chamada Córtex Cingulado Anterior, responsável por acompanhar o que o indivíduo faz e "planejar" o desfecho. Quando algo dá errado, ela acusa, e isso permite que possamos voltar atrás e corrigir o erro. No caso do erro do outro, essa região também se manifesta. "É a base do aprendizado por observação", afirma Suzana.

De acordo com a neurocientista Sílvia Helena Cardoso, da Unicamp, estudos similares já foram realizados na mesma direção, o que os especialistas têm chamado de empatia. Foi o caso de uma pesquisa, desenvolvida no Instituto de Neurologia do University College de Londres, que concluiu que a dor de uma pessoa querida dói também no próximo. Trocando em miúdos, é aquela velha história de que, quando um filho está sofrendo, por exemplo, a mãe sofre também.

O estudo revelou o que acontecia no cérebro de 16 mulheres, deitadas em um aparelho de ressonância magnética funcional, enquanto seus maridos, sentados ao lado, recebiam um choque elétrico doloroso nas costas da mão. Conclusão: a dor deles doía nelas, como se as participantes também fossem submetidas ao choque. Regiões cerebrais que sinalizam a sensação de dor aumentavam a atividade no cérebro das esposas.

Para Sílvia, o fato de os mecanismos da dor serem ativados quando a dor é alheia trata-se de um mecanismo de sobrevivência da espécie. "Quando ajudamos o outro, é como se estivéssemos nos ajudando também", conclui.

Matéria publicada no Portal Mais de 50, em 1º de fevereiro de 2008.


Claudia Cardamone* comenta

"Quando ajudamos o outro, é como se estivéssemos nos ajudando também". Esta não é uma sentença que ouvimos constantemente no meio espírita? Será que compreendemos sua profundidade?

Nas reuniões mediúnicas de auxílio fraterno, se formos humildes o suficiente, aprendemos muito ajudando nossos irmãos que sofrem. Esta empatia nos permite compreender e até antever as conseqüências de nossos atos.

Muitos médiuns acreditam que são seres iluminados e especiais, que vieram com a sublime missão de ajudar o próximo, quando na verdade os médiuns são pessoas iguais ao próximo que sofre, e que através do estudo e do trabalho podem ter a oportunidade de aprender e evoluir sem ter que passar por uma prova. Não quero dizer com isto que sendo empáticos sempre, não precisaremos passar por situações difíceis, mas compreendendo e evoluindo, aquela experiência deixa de ser um sofrimento, pois sofremos de acordo com nossas imperfeições. O espírito que evolui passa pela mesma experiência que o outro, que ainda não evoluiu tanto, mas sem o sofrimento, é mais resignado e confiante.

A Doutrina Espírita nos ensina que os espíritos não precisam passar por todas as provas, pois muitas vezes aprendemos com a experiência do outro que nos é próximo.

Se você entrar em contato com o fogo, vai se queimar e isto é ruim. Mas você nem sempre precisa se queimar para saber isso; através da experiência de outros, compreendemos isto e não necessitamos passar por esta prova.

Este é um dos motivos por que se diz que um exemplo vale mais que mil palavras.

* Claudia Cardamone nasceu em 31 de outubro de 1969, na cidade de São Paulo/SP. Formada em Psicologia, no ano de 1996, pelas FMU em São Paulo. Reside atualmente em Santa Catarina, onde trabalha como artesã. É espírita e trabalhadora da Associação Espírita Seareiros do Bem, em Palhoça/SC.



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