2007-09-24 O bem e o mal.

Perguntas Respondidas: O bem e o mal


1) Como se explica o desejo que às vezes temos de fazer o mal? Podemos evitar isso?

- Não há quem detenha o poder para fazer o mal a alguém, pois somente no bem encontramos a verdadeira força. Ninguém pode ir contra os desígnios de Deus, que determinam o direcionamento do homem sempre para o alcance de mais altos níveis de conscientização da vida. Quando algo desagradável nos ocorre não é porque alguém quis ou determinou, mas porque nos encontramos em débito perante as leis de Deus.

O médium baiano Divaldo Pereira Franco, ao ser indagado a respeito, assim se pronunciou:

"Não devemos recear o mal que porventura queiram nos fazer, porque somente nos acontece aquilo que devemos aos soberanos códigos.

Se nos elevarmos em pensamento através da oração e por meio da ação, nenhuma força, por mais negativa, mandada ou encontrada, pode nos fazer qualquer mal.

Não obstante, se nós temos uma vida dissoluta, sensualista, vulgar, e sintonizamos com os espíritos infelizes, não é necessário que ninguém nô-los mande: eles virão ter conosco pelo processo da sintonia."

Igualmente indagado se existia o chamado "malfeito", Chico Xavier disse que, se atirarmos uma bolinha de borracha de encontro à parede, e havendo nela um buraco, a bolinha passará...

Finalizando o proveitoso ensinamento da Lei de Causa e Efeito, lembrou que "semelhante atrai semelhante" e só recebe o mal quem está no mal. Você certamente estará livre de qualquer investida do mal pelo seu interesse em somente fazer o bem. Não há maior defesa e liberdade senão no pensamento e no trabalho no bem, em favor de si mesmo e de outrem. Não há maior força que a do amor e aquele que ama nada deve temer.

Devemos procurar nos fortalecer mental e espiritualmente, adotando as seguintes ações:

- Cultivar bons pensamentos e sentimentos, pois assim atrairás boas companhias espirituais que te ajudarão no processo de superação das dificuldades. Não poderá estar mal acompanhado aquele que praticar a caridade moral através da benevolência, da indulgência e do perdão das ofensas.

- Manter-se em estado de oração e vigilância, para não cair em tentação, conforme asseverou o nosso Mestre Jesus.

- Freqüentar uma casa espírita, para participar das reuniões de palestras e estudos, que muito colaborarão para o conhecimento e vivência das leis de Deus.

- Praticar a boa leitura, tanto das obras básicas da Doutrina Espírita, quanto os inúmeros livros de mensagens edificantes que chegam a nós através de abnegados médiuns trazendo consolo ao coração.

- Realizar o estudo do Evangelho no Lar, que é um trabalho simples: escolhemos alguns minutos por semana e nos reunimos com todos aqueles que vivem conosco, para o aprendizado das lições de Jesus. Que seja feito esse estudo no mesmo dia da semana e horário. Iniciamos com uma prece espontânea, abrimos uma página do Evangelho Segundo o Espiritismo e lemos, em voz alta, alguns trechos, comentando-os em seguida.

Para aquele que se julga afetado por alguma intervenção indébita orientamos, além das providências citadas, tomar o passe na casa Espírita, que muito contribuirá para renovação das energias e afastamento de qualquer investida menos digna. Ressaltamos que o passe não deverá ser recebido indefinidamente, mas apenas durante o tempo em que se achar necessitado.


2) Uma pessoa boa, ou seja, que não precisa de provas severas, pode ser prejudicada pelo livre arbítrio de outra pessoa sem merecer, como ocorreu com Jesus? Ou a pessoa só sofre quando tem que se depurar de algum mal? Se ninguém nasce pra ser assassino, mas Deus sabe antecipadamente que um espírito vai se tornar um, a pessoa assassinada sempre teve em seu destino tal prova ou ela é decorrente do livre arbítrio?

- A dor, as dificuldades não são apenas o resultado dos erros passados. Nem toda prova que experimentamos é porque temos algo do passado a ser reparado. Estamos em uma máquina física, e esta máquina se desgasta com o tempo, podendo adoecer, envelhecer, morrer... É uma lei da Vida. Se nós atravessamos irresponsavelmente um sinal aberto e somos vítimas de um atropelamento, isso não é necessariamente uma prova do nosso passado espiritual. Se nós nos entregamos ao sexo desequilibrado e contraímos AIDS, isso não significa que essa doença seja uma expiação que deveríamos passar, devido ao nosso passado espiritual. No entanto, existem situações que são inevitáveis, não houve a nossa contribuição - pelo menos nessa existência -, chegando como desafios... Um acidente, um adoecimento súbito, um filho que nasce doente, um companheiro que testa a nossa paciência dia a dia, um irmão que não nos quer bem...

Existem pessoas que podem entrar em nossa vida e nos fazer mal, mas nada ocorre por acaso, pode ser um ensinamento, afinal estamos crescendo, ou pode ser alguém com quem tenhamos débitos do passado e agora retorna "cobrando" a nossa negligência pretérita.

O mal que as pessoas nos fazem deve ser encarado como um aprendizado, o cumprimento da Lei de Causa e Efeito. Se alguém nos faz um mal e nós não nos desesperamos, não nos revoltamos, nem revidamos para nós será um estágio e para a pessoa um comprometimento. Enfim, estará fazendo mal a si mesma!

A Lei de Causa e Efeito é clara: tudo o que você fizer (palavras, pensamentos e ações), gerará conseqüências da mesma qualidade. Se as suas atitudes são equilibradas, você estará produzindo conseqüências saudáveis. Ninguém foge da vida.

Cada um de nós responderá diante da própria consciência, tudo o que fizermos, e o tempo usufruído no corpo físico.

No entanto a Lei Divina não é punitiva, é educativa. Ela não diz: "Tem que pagar", e sim "Tem que reparar".

Se você faz o mal a alguém, fere os sentimentos de uma pessoa, se arrepende, decide modificar-se, e começa a consolar vidas, orientar pessoas dando-lhes esperança, você reparou o dano causado anteriormente. Se a pessoa faz o bem, está consertando qualquer mal que fez no passado.

O essencial é não fazer mal a ninguém, e praticar sempre o bem, em qualquer situação, precisando ou não passar por determinadas provas.

Quanto a Jesus, sabemos que ele é um espírito Puro. Já atingiu o grau de espírito imensamente pleno. Ele se decidiu encarnar na Terra, para nos ensinar como agir, e a maneira adequada de se comportar. Não tinha nada que consertar, nenhuma dívida espiritual, nada a ser resgatado. No entanto, ele escolheu estar conosco e sofria, nos ensinando como agir diante de uma provação - ele que não necessitava de sofrer. Cada dor que ele experimentava era um exemplo de amor direcionado àqueles que o seguiam.

Realmente ninguém é programado pelas Leis Soberanas do Universo a praticar o mal. Ninguém renasce com uma missão reencarnatória de ser Assassino! Por ser um espírito eminentemente sábio, Jesus - em ligação direta com Deus - tinha uma visão muito mais avançada dos acontecimentos, das Leis Naturais... Ele conseguia penetrar em paisagens psíquicas que ainda não são acessíveis a nós.

Os Espíritos Superiores, conseguem visualizar os acontecimentos que estão se dando de uma forma muito mais profunda. Eles vislumbram de um ponto de vista muito mais alto. É como se eles estivessem em cima de uma montanha, conseguindo abarcar uma parte muito maior do todo. Imaginemos um carro que está em alta velocidade, e logo mais defrontará uma cratera. Obviamente que o motorista do carro não sabe que há uma cratera a alguns metros adiante. No entanto, alguém que se encontre em cima de uma montanha, olhando o carro naquela velocidade, facilmente pode concluir: "Esse carro vai cair na cratera, ele não vai ter tempo de frear." É mais ou menos assim que os Espíritos conseguem penetrar nos acontecimentos futuros.

E Jesus, sendo a mais notável personificação da Divindade no Planeta, tinha o conhecimento da sua morte. Apenas usando um raciocínio lógico, nós podemos imaginar que um homem portador de uma mensagem como a de Jesus dificilmente sobreviveria. Afinal, fizeram o mesmo a Sócrates, a Martin Luther King Jr, e a Mahatma Gandhi. Todos os 3 foram assassinados! Isso apenas usando a lógica, o bom senso. Agora, imagine o pensamento de Jesus, com uma inteligência e acuidade psicológica muito superior à nossa? O Espírito pode se reencarnar com tendências muito fortes, inclusive em um meio que possa estimular essas tentações, mas não há uma programação de a pessoa tornar-se um homicida.

Se houvesse esse determinismo, a pessoa não seria responsável pelo mal que praticou. Diríamos: não estava programado? Que culpa essa pessoa tem?



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