2010-03-04 A caminho da vida eterna
A caminho da vida eterna
por Da New Scientist Para o inventor e futurista Ray Kurzweil, ser apenas um humano com inteligência limitada e uma biologia condenada nunca foi o suficiente. Por conta disso ele apareceu com uma ideia chamada singularidade - um tempo no futuro em que, misturados com as máquinas, os humanos vão ficar mais espertos e viverão para sempre. Do Massachusetts Institute of Technology (MIT) à Casa Branca, há gente que ou detesta a ideia ou não vê a hora de que esse dia chegue. Algum de nós estará vivo para presenciar isso? Aos 16 anos, Ray Kurzweil - hoje com 61 - já aparecia na TV dos Estados Unidos para mostrar músicas que havia composto no computador. Depois de estudar no MIT, ele ganhou milhões de dólares devido a invenções como o teclado eletrônico que leva seu nome - criado para seu amigo Stevie Wonder -, o programa de reconhecimento óptico de caracteres OCR e softwares que reconhecem a fala humana e a transcrevem em arquivos de texto e vice-versa. Entre uma criação e outra, ele diz tomar mais de 150 suplementos alimentares. O objetivo: estar na melhor forma possível para o dia em que a singularidade chegar. Acompanhe a entrevista com Ray: * Quando chegaremos à singularidade? * E o que acontecerá com aquelas pessoas que não quiserem se tornar "trans-humanos" e se fundir com a tecnologia? * Podemos superar nossos problemas ambientais até 2045? * Que lei é essa? * Os avanços da singularidade parecem um tanto utópicos... * Você aprendeu alguma coisa nova a seu próprio respeito depois de ter participado do documentário Transcendent Man? * Você diz que sonha com a possibilidade de trazer seu pai, Frederic, de volta à vida. Como isso seria possível?
Há quem garanta que Ray Kurzweil é um profeta do século 21; há quem diga que ele não passa de um excêntrico. Incontestável, porém, é o seu arsenal de invenções e a impressionante coleção de acertos nas previsões tecnológicas que faz. O documentário Transcendent Man, de Robert Barry Ptolemy, traz depoimentos e passagens biográficas que ajudam a entender a enorme importância das ideias de Kurzweil. Os entrevistados vão do colega de MIT Neil Gershenfeld ["Ele pega coisas sobre as quais todos concordam e faz previsões com as quais ninguém concorda."] ao editor da Wired Kevin Kelly ["Ray está certo, mas no timing errado."]. O repórter do San Francisco Chronicle Tom Abate também fala ["Nós realmente precisamos de velhos excêntricos e ricos circulando por aí emporcalhando o nosso trabalho?"]. O filme não tem data de estreia no Brasil, mas já está em "cartaz" em sites de trocas de arquivo como The Pirate Bay. Matéria publicada na Revista Galileu, em 22 de dezembro de 2009.
A vida eterna para o corpo físico é um antigo sonho dos visionários e ficcionistas. A ideia de que nossa existência está limitada ao corpo físico e que a morte é o fim definitivo, leva o homem a buscar uma forma de prolongar indefinidamente sua vida biológica. Esta motivação tem proporcionado avanços na medicina e na ciência e, de fato, a expectativa de vida do ser humano tem aumentado consideravelmente, quando comparados com o homem das cavernas, que vivia em média uns 18 anos de idade, e com a antiguidade greco-romana que vivia em média 25 anos de idade. Hoje, em muitos países, esta expectativa ultrapassa os 70 anos de idade. Porém, concordamos com alguns críticos quando dizem que Ray Kurzweil usa coisas que todos concordam para fazer previsões duvidosas. A tecnologia de fato tem crescido em ritmo exponencial, porém, ainda estamos longe de qualquer coisa que se pareça com a imortalidade física. Além disso, ao aumentar a expectativa de vida, o ser humano se depara com doenças e problemas comuns em idades mais avançadas e que começam a ser conhecidos na medida em que vivemos mais. É o caso de grande parte dos cânceres que têm maior incidência em pessoas de idade mais avançada. Não sabemos nem imaginamos os problemas que podem surgir em uma pessoa que viva, por exemplo, 200 anos, porque trata-se de uma fronteira desconhecida. O mais provável não é a imortalidade física, mas sim uma evolução constante do nosso corpo, paralelo à evolução espiritual. A matéria necessita de constante renovação, vida e morte são apenas mecanismos e caminhos para esta lei natural. A matéria tende a desorganizar-se conforme a lei de entropia e não é possível que corpos ainda tão materiais sejam mantidos vivos indefinidamente. Com a evolução, nossos corpos estarão menos brutos e materializados, consequentemente a expectativa de vida aumentará. O Espiritismo afirma que é maior a longevidade nos mundos mais adiantados onde se sofre menos influência da matéria. É o que diz Kardec, no comentário da questão 182, de O Livro dos Espíritos: "A duração da vida, nos diferentes mundos, parece guardar proporção com o grau de superioridade física e moral de cada um, o que é perfeitamente racional. Quanto menos material o corpo, menos sujeito às vicissitudes que o desorganizam. Quanto mais puro o Espírito, menos paixões a miná-lo. É essa ainda uma graça da Providência, que desse modo abrevia os sofrimentos." Nos mundos mais adiantados, dizem-nos os espíritos, o corpo se torna tão etéreo que se confunde com o perispírito, e mesmo este último se torna tão diáfano que é como se não existisse. Esta é a condição de imortalidade que poderemos chegar um dia. Para estes espíritos desaparecem as fronteiras entre a vida e a morte, mas não é em 30 ou 40 anos que chegaremos a esta condição. Até lá a ciência dará muitos passos que permitirão uma vida mais longa e de melhor qualidade. * Breno Henrique de Sousa é paraibano de João Pessoa, graduado em Ciências Agrárias e mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente pela Universidade Federal da Paraíba. Ambientalista e militante do movimento espírita paraibano há mais de 10 anos, sendo articulista e expositor.
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